24 de ago de 2017

Quando o macaco não olha o próprio rabo


O Ministério Público brasileiro ajudou a colocar no governo a organização criminosa mais perigosa do Brasil, como definiu o grupo de Temer o delator Joesley Batista. Em um ano essa quadrilha aumentou o rombo fiscal, promoveu a maior regressão social da história, provocou a completa desmoralização dos poderes e jogou a reputação internacional do Brasil no lixo.

Depois que o MP fez sua parte no consórcio para rasgar a Constituição, apeando do governo uma presidenta conhecida por sua honradez, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e sua principal aliada desde o início da cruzada para derrubar o PT, a Rede Globo, chegaram à conclusão de que o grau de periculosidade de Temer e seus sequazes punham em risco o projeto golpista, fundado nas contrarreformas e entrega do patrimônio público.

Daí a denúncia procedente e fundamentada feita pelo chefe do MP contra Temer por corrupção passiva. Contudo, o pedido de permissão à Câmara dos deputados para que o STF processasse o presidente golpista está longe de purgar os pecados da gestão de Janot e mais distante ainda de livrar a instituição Ministério Público do acerto de contas com a história.

Cabe acrescentar que o afastamento de Aécio e seu pedido de prisão, outras ações da Janot, só se deram em razão da percepção crescente na sociedade de que o MP e o Judiciário pátrios só têm como alvos os quadros do PT e pessoas de alguma forma ligadas a eles.

No entanto, como não há limites para a desfaçatez no Brasil devastado pelo golpe, Janot, durante encontro com os MPs dos países do Mercosul, ocorrido nesta quarta-feira, 23/8, classificou o governo venezuelano como ditatorial e chamou de estupro a destituição da procuradora Luisa Ortega Diaz pela Assembleia Nacional Constituinte. Aliás, Janot deu essas declarações ao lado da ex-procuradora, que como se sabe fugiu da Venezuela.

A posição de Janot é a mesma do governo ilegítimo brasileiro, o qual sem qualquer autoridade moral e política, uma vez que é produto de um golpe de estado, condena uma Assembleia Constituinte eleita por mais de 8 milhões de venezuelanos. Como o juízo de valor sobre democracia do procurador-geral da República tem, na minha opinião, o valor de uma nota de 3 reais, fiz uma rápida pesquisa sobre o que diz o outro lado.

Segundo o novo procurador-geral da Venezuela, Tarek Willian Saab, Luisa Ortega Diaz foi cúmplice da violência opositora nos últimos quatro meses, período no qual atos de violência nos protestos contra o governo do presidente Maduro deixaram um sado de mais de 100 mortos.”Quando o país buscava um ponto de acordo, aparecia a senhora procuradora para praticamente tingir o país de sangue, de gasolina”, disse Tarek.

Bepe Damasco
No Blog do Miro

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