15 de ago de 2017

Para onde acabam indo os moralistas


Quando ouvir alguém se apregoando o “moralizador  de tudo”, distinto amigo e querida amiga, passe outra volta na chave.

Os jornais de hoje cedo são uma triste confirmação disso.

Na Folha, em outra das várias matérias de alta qualidade e fina ironia, Ana Virgínia Balloussier conta a história do “Cansei”, que há dez anos juntava a sub-elite (perdoem o neologismo) paulistana e global para protestar contra o governo Lula.

Claro, com o promoter João Doria Junior à frente.

Lula tinha alta popularidade – 48% – mas, ressalta Anna, “a taxa de insatisfação entre os que viajavam de avião era o dobro da média nacional”

O sucesso econômico que viria a partir dali os deixou como um bando de patetas, falando sozinhos.

Não que na época já não houvesse gente que o percebesse, até o cantor Luciano, da dupla com Zezé de camargo:  “Como é que eu vou apoiar um movimento liderado por alguém que promove desfile de cachorros?”.

É que o hoje prefeito  era, então, apenas o gestor de um passeio canino chique em Campos do Jordão, evento anual que ganhou destaque na “Caras” em 2011, com foto de Doria vestindo polo roxa e do “fofo bicho Bee Fag”.

Mas não se irritem os paulistas.

Aqui no Rio, a manhã começa com uma batida policial na casa do ex-deputado – e auxiliar tanto de Eduardo Paes quanto de Marcello Crivella – Rodrigo Bethlem.

Bethlem ganhou fama no início da década, como promotor da “limpeza” da cidade dos camelôs, aquela gente diferenciada que depende de vender quinquilharia para dar de comer aos filhos algo, certamente, mais barato que a ração do “Bee Fag”.

Desmoronou com uma gravação da ex-mulher sobre contas na Suíça e, agora, está metido na caixinha dos empresários de ônibus.

A “maldição dos pobres” tarda. Mas não falha.

E é terrível.

Fernando Brito
No Tijolaço

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