21 de ago de 2017

O que Doria sabe sobre o cunhado do Alckmin?


O jornal Valor revelou outro dia que o “prefake” paulistano tem feito a caveira do seu padrinho político, o governador de São Paulo, no próprio ninho do PSDB. Traição escarrada! Segundo relato da jornalista Rosângela Bittar, “não é segredo, Doria está fazendo gato e sapato de Alckmin. Não há um tucano paulista, dos bem autênticos, que não tenha uma história para contar sobre o bombardeio do prefeito contra quem imagina ser seu adversário interno. Os interlocutores estão saindo horrorizados com a má propaganda e a baixa perspectiva que se cria para Alckmin: Doria não perde oportunidade de dizer que vem aí uma bomba, uma delação irrespondível, que esse ‘negócio de cunhado’ é difícil”.

Sabendo-se que a midiática Lava-Jato virou um instrumento político a serviço dos piores interesses, ficam as perguntas: o que João Doria sabe sobre o “cunhado” de Geraldo Alckmin? Será que Sergio Moro, que não tem nada de juiz, vazou algo para seu amigo lobista do Lide (Grupe de Líderes Empresariais)? O que seria tão bombástico que poderia implodir de vez a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin em 2018? Já virou senso comum, inclusive no ninho tucano, que o “prefake” paulistano é um político ambicioso, rasteiro e sujo, que adora espalhar baixarias – “fake news” –, xingar os seus adversários e dar golpes. Mas, como diz o ditado, onde há fumaça, há fogo. De fato, o tal cunhado pode bagunçar as pretensões do “picolé de chuchu”.

R$ 10,3 milhões em propina da Odebrecht

Em abril deste ano, o nome de Adhemar Cesar Ribeiro, irmão da primeira-dama Lu Alckmin, apareceu nas delações premiadas dos chefões da Odebrecht. Documento da Lava-Jato obtido pelo Estadão revelou que o governador garfou R$ 10,3 milhões em propina da empreiteira e que seu cunhado teria recebido “pessoalmente parte desses valores”. Ainda segundo o documento, R$ 2 milhões foram aplicados na campanha do tucano ao Palácio dos Bandeirantes em 2010 e o restante na de 2014 – “todas somas não contabilizadas”, ou seja, Caixa-2. Houve também doação oficial de R$ 400 mil, de acordo com depoimentos de três delatores – inclusive o de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o BJ, ex-presidente de uma das empresas do grupo Odebrecht.

Na ocasião, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou as denúncias contra Geraldo Alckmin e outros políticos. Vários veículos da mídia chegaram a prever o pior dos mundos para o grão-tucano. A Folha, em matéria da repórter Thais Bilenky, afirmou que “aliados do governador de São Paulo avaliam que sua situação se fragilizou após virem a público depoimentos de delatores da Odebrecht relatando caixa dois em suas campanhas de 2010 e 2014”. O envolvimento direto do irmão da primeira-dama teria um impacto devastador. “Ter familiar no meio é chato”, disse um alckmista à Folha. A revista Época, da famiglia Marinho, também ficou assustada com o teor das revelações do Estadão.

“O nome do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aparece nos depoimentos de três delatores da Odebrecht. Eles relataram, em seus acordos de colaboração premiada, que as campanhas do tucano teriam recebido R$ 10,3 milhões em caixa dois da empreiteira nos anos de 2010 (R$ 2 milhões) e 2014 (R$ 8,3 milhões). Diante disso, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), acatou o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e remeteu a investigação contra o governador para o Superior Tribunal de Justiça, Corte responsável por julgar governadores”, descreveu o jornalista Mateus Coutinho, sem adjetivos e a costumeira escandalização da política da revista pertencente ao Grupo Globo.

A publicidade na mídia chapa-branca

Misteriosamente, porém, o assunto logo sumiu das mídia tucana. Nada de manchetes nos jornalões ou de comentários ácidos nas emissoras de rádio e televisão. Uma nota da própria Folha ajuda a explicar o estranho sumiço. Na sequência da delação da Odebrecht, o governador decidiu acelerar os gastos em publicidade na imprensa. “Potencial candidato a presidente, Geraldo Alckmin vai concentrar o gasto com publicidade do Estado no primeiro semestre deste ano, de olho na eleição presidencial de 2018. Ele reservou R$ 101 milhões nos dois primeiros bimestres do ano na rubrica ‘comunicação social’. A maior parte desses recursos deverá ser usada já no primeiro semestre... O montante poderá ser aumentado ou diminuído no decorrer do ano. Se mantido, corresponderá a 12% a mais do que o gasto no ano passado, cerca de R$ 90 milhões”.

Diante de tanta generosidade, o explosivo nome do cunhado do tucano desapareceu do noticiário. Ele só voltou à tona agora em função das bicadas sangrentas no PSDB. O que será que o “prefake” traíra sabe sobre o caso? Fala, João Doria!

Altamiro Borges

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