7 de ago de 2017

Janot antecipa a nova crise


A não ser que esteja blefando e a “soberba” mencionada pelos jornalistas da Folha seja maior do que aquela que está evidente no “Sr. Esperança do Brasil”, a entrevista de Rodrigo Janot já fixou no calendário político e econômico que neste agosto, teremos uma nova edição, revista e ampliada, da inacreditável crise institucional que vive o Brasil.

O sr. está falando de Cunha e Funaro?

Não posso dizer quem são. As colaborações são sigilosas.

Falamos de ambos porque Cunha e Funaro estão ligados ao diálogo do Jaburu [gravado por Joesley Batista] e são personagens do inquérito do “quadrilhão”.

Sobre colaborações em curso não posso falar. Não posso nem reconhecer que esse cidadão está em colaboração com a Procuradoria, a lei me impõe sigilo sobre o assunto.

O sr. não fala sobre negociações em sigilo, mas o que uma figura como Cunha teria que entregar para conseguir fazer um acordo com vocês?

Um dos critérios é o seguinte: o cara está neste nível aqui [faz um sinal com uma mão parada no ar], ele tem que entregar gente do andar para cima [mostra um nível acima com a outra mão]. Não adianta ele virar para baixo, não me interessa.

Não foi uma “entrevista de corredor”, improvisada. Foi marcada para sair em dia certo, para iniciar a semana respondendo à ocupação de terreno das forças “temeristas”, que já se vinha fazendo na base do “o pior já passou, o negócio agora são as reformas”.

Por seu turno, Temer também sinaliza que se prepara para combater as flechas de Janot.  O panfleto governamental que se tornou a Istoé lasca sobre ele a pecha de “O Procurador Geral do PT“, o que, apesar de totalmente inverossímil, serve ao discurso que você ouviu muitas vezes na votação da Câmara: “se tirar o Temer o PT volta”.  A frente da  Gilmar Mendes abriu a artilharia com impensáveis ataques de um Ministro do Supremo a alguém que, pela função, tem assento no plenário do tribunal.

E com uma ameaça tão pueril quanto explícita: a de ameaçar pedir o impedimento de Janot em ações sobre atos presidenciais a um mês de sua saída do cargo. Se quiserem fazer de Janot vítima e acentuar ainda mais a convicção de que Temer é um homem capaz de tudo para encobrir seus crimes, peçam.

O fato objetivo é que a entrevista de Janot reativou a impressão de que o bambuzal já tinha sido todo usado e não haveria mais nada de significativo a ser atirado sobre Temer.

No jogo de ameaças que se tornou a política brasileira, Janot tomou a iniciativa na mesa. Qualquer reação de Temer será um “pagar para ver”.

Para todo mundo ver.

Fernando Brito
No Tijolaço

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