23 de ago de 2017

Com plateia esvaziada, Temer é criticado diante de empresários da siderurgia

Instituto Aço Brasil reprovou medidas econômicas do Planalto

Mudança da TLP e aumento de impostos foram criticadas


Num evento esperado para ser um fato positivo ao governo, o presidente Michel Temer foi criticado. Na abertura do 28º Congresso Aço Brasil, nesta 3ª feira (22.ago.2017), algumas medidas econômicas de seu governo, como a criação da TLP (Taxa de Longo Prazo) em substituição à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) nos financiamentos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), foram reprovadas.

O crítico ao Planalto foi o presidente do conselho-diretor do Instituto Aço Brasil, Alexandre de Campos Lyra. A organização é a anfitriã do evento.

Fugindo do protocolo de elogios ao governo, o executivo direcionou-se ao presidente e seus ministros afirmando que a “indústria brasileira está sendo crescentemente asfixiada”.

Entre os problemas, Lyra citou a alta carga tributária, os problemas que o país enfrenta com infraestrutura e logística e a “elevada taxa de juros”. O destaque, no entanto, ficou para “as diversas outras medidas que vêm sendo anunciadas”. De acordo com ele, elas são motivo de “grande preocupação” no setor industrial.

Gera temor de que se agrave o processo de fechamento de unidades de produção e o aumento do desemprego”, ressaltou.

O anúncio recente de que será mantida a alíquota do Reintegra [regime de tributação para exportação] em 2% em 2018, a redução dos índices de conteúdo local no setor de óleo e gás – chegando ao cúmulo de se propor a retroatividade para os contratos já firmados –, a substituição da TJLP pela TLP e o aumento dos impostos penalizarão ainda mais a atividade industrial – já bastante enfraquecida”, disse.

Lyra defendeu ser necessário quebrar o círculo vicioso em que para se reduzir o déficit público onera-se o setor privado.

Como resposta, Temer disse, em seguida, que pedirá à sua equipe econômica um estudo e uma negociação com empresários sobre o Reintegra.

Devo dizer que a primeira ideia era eliminar os 2% [taxa do Reintegra], mas permaneceu os 2%. Mas ainda agora, conversando com os dirigentes do conselho diretor, nós estamos ajustando uma conversa de todos com a área econômica do governo para verificar se é possível ainda alguma modificação em face do que aqui foi dito [crítica à taxa]”, afirmou o presidente.

Temer sentou-se ao lado do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco. Falou por 23min49s.

O evento reúne empresários e executivos do ramo. Cada inscrição custava até R$ 2.800. O auditório, localizado no Centro Internacional de Convenções Brasília, estava esvaziado.

Presidente discursou para uma plateia esvaziada|Gabriel Hirabahasi/Poder360
Presidente discursou para uma plateia esvaziadaGabriel Hirabahasi/Poder360
Teo Cury e Gabriel Hirabahasi

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