23 de ago de 2017

A UFC entre Gilmar Mendes e Rodrigo Janot


Vamos combinar.

Na UFC entre Gilmar Mendes e Rodrigo Janot vale pernada, chute no saco e dedo no olho, conforme os juízes do Supremo Tribunal Federal admitem. Mas não vale atacar esposas, filhas e mães.

O patrocínio ao IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), por uma entidade presidida pelo réu, deveria ser motivo mais que suficiente para Gilmar se declarar impedido. Mas como o STF aceita pernada, chute no saco e dedo no olho, e aceita que seus Ministros julguem processos em que são partes empresas que patrocinam seus próprios eventos, os procuradores procuraram apimentar a denúncia envolvendo a senhora Gilmar Mendes, Guiomar Feitosa.

Levantaram os seguintes fatos:

1      Um sobrinho de Guiomar se casou com a filha do réu. E?

2     No celular do réu havia o número do telefone de Guiomar. E? Não há registros de ligações, de mensagens trocadas.

3      O irmão de Guiomar e o réu são dois de um grupos de sócios em uma companhia de ônibus.

4     O réu tem como advogado a parte carioca do escritório Sérgio Bermudez, do qual Guiomar é sócia do escritório de Brasília. Ora, o próprio Janot sabe, por experiência familiar que, em um escritório de advocacia, ganha quem indica o cliente e quem defende a causa. Não há nenhuma indicação de que Guiomar tenha defendido qualquer causa do réu.

O que parece é o seguinte.

De um lado do ringue tem um grandão sem nenhum escrúpulo. Há um caminhão de casos passíveis de investigação, não fosse ele Ministro do STF. Há a venda de cursos para o Tribunal de Justiça da Bahia nas vésperas da intervenção do Conselho Nacional de Justiça; patrocínios aos seus seminários por grupos com causas no Supremo, tendo ele como relator.

E não adianta alegar que ele, Gilmar, não tem nada a ver com a administração do IDP. Quando decidiu afastar o antigo sócio, Inocêncio Mártires, sua alegação era de que o IDP prosperava graças à sua influência.  Se o MPF fosse mais audacioso, poderia requerer até auditoria nos sistemas de sorteio do Supremo.

Mas como o adversário é grandão, o máximo que o PGR faz é jogar para a plateia, dando jabs de leve para não parecer que está com medo, mas, ao mesmo tempo, para não irritar demasiadamente o grandão.

Luís Nassif
No GGN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.