8 de jul de 2017

O poder de um bandido acobertado pela Justiça


Não há quem duvide que Eduardo Cunha, como ele mesmo já disse, é o responsável direto – embora agisse em conluio com Michel Temer – pela derrubada do governo eleito de Dilma Rousseff.

Dado o grau do noticiário, já não dá para duvidar que seu delação será o tiro de misericórdia – ou a estaca no coração, como preferirem – de Michel Temer.

Como, agora, já se anuncia que Cunha tem munição para atingir também Rodrigo Maia, não apenas através de Moreira Franco, estamos na iminência de termos, pela terceira vez, um presidente da República nas mãos de um bandido.

Cunha, que era um deputado de segunda linha na década passada, foi um personagem que, embora menor, um dia será objeto de estudo dos historiadores.

Vai ser o símbolo da era em que o conservadorismo brasileiro aliou-se, cada vez com mais entrega, a alguém que, como um gângster, poderia ser útil para fustigar e, afinal, derrubar, governos progressistas.

Se Cunha. porém, não é o pior que existe nesta nova fase da política brasileira.

Sua trágica importância é ter sido o estopim para algo ainda pior do que a súcia de malfeitores que sua ação levou ao poder, e da qual ele parece ter a contabilidade pregressa.

Cunha, pela sua abjeção, funciona como um legitimador de um processo que, com ele e outras pequenas e grandes ratazanas, vai mergulhando o Brasil um eleitor vale um milhão de vezes menos que um delator.

E, quem sabe, para quem começou derrubando uma presidenta de 54 milhões de votos, acabe sendo um simbólico final de carreira derrubar um presidente de 54 mil votos, todos os que teve Rodrigo Maia para se habilitar a ser o “presidente do mercado”.

Fernando Brito
No Tijolaço

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