6 de jul de 2017

Maia: o “Efeito Orloff” da traição do “Temer do Temer”


Os mais velhos irão se lembrar de um antigo comercial de vodca que, na TV, colocava um sujeito de “ressaca” diante de um sósia que, ao ser perguntado quem era, dizia: “eu sou você, amanhã”.

Semelhantes apenas na insignificância moral, é possível que, a esta altura, seja possível dizer que Rodrigo Maia é o pior dos Rodrigos (há outros, como se sabe: o Pacheco, da CCJ; o Janot, da PGR e o imprevisível Rocha Loures, o da mala) para Michel Temer.

Mas é, também, o “Temer do Temer”, a presença sombria do que espera que o poder lhe caia às mãos pela única forma que poderia cair – votos populares, como o original, nem pensar.

O apelo da traição, claro, depende da fraqueza do traído em potencial, porque quando ele era forte era-lhe fiel por poder e honrarias, como Temer foi com Dilma e o PT. Mas quando o rei se corrói, os cortesãos se agitam e, há um mês, já se dizia aqui:

(…) pela cabeça de menino bafejado pelas heranças políticas de que sempre foi beneficiário, a hipótese de herdar o cargo com a saída cada vez mais provável de Temer já entrou pelas portas abertas da ambição sem mérito e agora pulsa, indócil. Imagine, assumir o cargo e promover o desmonte dos direitos trabalhistas e previdenciários, que, como a Globo mostrou ontem, são tudo o que o empresariado e o mercado financeiro querem do governo?

Maia, até agora, tem sido mais decoroso que o original no seu papel de “boca de jacaré”. Viaja, para evitar exibir-se na cadeira. Diz que não tem ambições. Não se proclama capaz de “unir o Brasil”.

Nem precisa. Basta unir, com seu “low profile” a corporação parlamentar, que opera distante e independente dos combalidos partidos político e se fazer confiável à corporação empresarial dizendo, como vinha dizendo, que o governo deveria ser, essencialmente, o que o “mercado” queria.

Temperado ao apoio da Globo e com ares de “cumprimento da Constituição”, vai-se montando o “Golpe, parte 2”, com o “Fora, Temer” no lugar do “Fora,Dilma”, e o tucanato, de novo, de eminência parda do novo Governo.

Há dois fatores diferentes, porém.

O primeiro é que Temer tem nenhum escrúpulo em sua luta desesperada para não ser defenestrado da cadeira – imagem magnífica de Carla Guimarães, ontem – roída pelo cupim da ilegitimidade.

O segundo são as raízes mais frágeis de Maia em meio à política no parlamento e no Judiciário. Ainda é “um garoto do paipai” César Maia, para muitos.

Fernando Brito
No Tijolaço

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