8 de jul de 2017

Laços de família


Acompanhei, desde o início, a trajetória política de Leonel Brizola depois de sua volta do exílio, sobretudo a partir de 1981.

Acho que poucos homens públicos, no Brasil, experimentaram tanto o sabor da traição quanto ele.

Uma geração inteira de políticos, então jovens, no Rio de Janeiro – e até mesmo outros de sua própria faixa etária – “se fizeram” com os cargos e os votos que Brizola lhes proporcionou e, mais cedo ou mais tarde, traíram o velho líder encantados com as possibilidades de poder que a traição lhes abria.

Marcello Alencar, alçado por Brizola à condição de presidente do Banco do Estado e depois de prefeito “biônico” – ainda não havia eleições  diretas – foi com este prestígio que elegeu-se prefeito em 1988. Pouco tempo depois, viraria “tucano” e privatizaria até as pedras da calçada de nosso estado.

César Maia, depois de anos “costeando o alambrado” de um Brizola que o retirara do anonimado de um uma sala de aula da Universidade e de cargos gerenciais das cerâmicas Klabin, seguiu caminho igual por trilhas diferentes: primeiro o PMDB, depois o PFL.

Anthony Garotinho, a quem se deve reconhecer algum sucesso próprio como administrador em Campos, deve a Brizola a primeira candidatura a Governador, na qual deixou de ser apenas um nome provinciano e na qual começou a enveredar por outros caminhos, o da exploração da fé e da fisiologia.

Marcello e Garotinho cevaram Sérgio Cabral, que aos dois traiu. Maia cevou Luiz Paulo Conde, que a ele traiu também.

De fato, Rodrigo Maia aprendeu algo “em casa”, como disse ontem para simular uma lealdade a Michel Temer.

Depois, já adulto, deve ter aprimorado seus conhecimentos quando formou chapa com a filha de Garotinho para concorrer à prefeitura.

Óbvio que não seria justo julgar filhos por pais, mas quando estes querem ser herdeiros políticos é mais que isso, é necessário.

Principalmente quando seus pais políticos são mestres na arte de subir  com os votos de um lado e ficar lá em cima passando para outro.

O velho Brizola dizia sempre que a política ama a traição, mas logo despreza o traidor.

Maia prepara-se para herdar o cargo, mas junto com ele herdará a quadrilha.

E o Brasil, o desastre.

Fernando Brito
No Tijolaço

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