6 de jul de 2017

Indignados estamos nós


Se Joesley Batista é criminoso confesso, Michel Temer e Aécio Neves são seus cúmplices

O discurso de Aécio Neves em sua volta ao Senado é de um cinismo espantoso. Diz que ele que foi tomado por um sentimento de indignação com a injustiça que sofreu. Afirma também que foi alvo de uma trama ardilosa e sofreu condenação sem direito a defesa, com base numa conversa privada criminosamente gravada. Eis o resumo de sua ridícula lenga-lenga: “Fui vítima de uma armadilha engendrada por um criminoso confesso de mais de 200 crimes, que seria condenado a mais de 2000 anos de cadeia”.

Aécio repete a estratégia de defesa de Michel Temer, que também tenta desqualificar a gravação de sua conversa com o empresário Joesley Batista na garagem do Palácio Jaburu. No seu diálogo com o dono da Friboi, o neto de Tancredo, em meio a palavrões, renova o pedido de R$ 2 milhões, que havia sido feito por sua irmã Andréa. Joesley diz que chegou ao seu limite, mas concorda com a quantia. Combinam também que a bolada será entregue a Fred, primo e homem de confiança de Aécio. O senador aproveita a ligação para tratar de outro negócio: a venda a Joesley de um apartamento da família Neves no Leblon. Como o senador tucano não fez qualquer menção ao teor da conversa, fica aqui uma pergunta objetiva: onde está a trama, onde está a armadilha de Joesley?

Diz Aécio que Joesley é “um criminoso confesso de mais de 200 crimes”. No entanto, não se dá ao trabalho de explicar suas relações íntimas com o “criminoso”, com o qual discorre sobre problemas financeiros da família e pede milhões de reais para pagar suas despesas pessoais. Sustenta ele que não era propina, mas sim um inocente empréstimo. Que trate de explicar, então, as condições desse empréstimo. E o motivo que o levou a recorrer ao “criminoso confesso”, que deveria ser condenado a mais de 2000 anos de cadeia.

Na verdade, Aécio Neves deve achar que somos todos idiotas. Tanto assim que apresenta uma linha de defesa idêntica à de Michel Temer. Ambos procuram desqualificar Joesley e as gravações da PF, que seriam ilícitas. Seguem à risca a orientação de seus advogados: Joesley é bandido e as gravações não servem de prova. O primeiro argumento é insustentável. Se Joesley é bandido, Temer e Aécio são seus cúmplices. Isso se depreende não do teor das gravações, mas de fatos concretos. Michel Temer recebeu Joesley, às escondidas, para tratar de assuntos ilegais e inescrupulosos. Delegou ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures plenos poderes para agir em seu nome. E aí o que fala mais alto é a imagem do homem de confiança de Temer correndo na rua com uma mala cheia de dinheiro.

Nós é que estamos indignados diante de tamanha desfaçatez! Deixemos as gravações de lado e vamos aos fatos. O ainda presidente da República reuniu-se com um bandido na calada da noite e prevaricou à vontade. Já o neto de Tancredo Neves fez do dono da Friboi sua fonte inesgotável de crédito, em troca de favores inconfessáveis. E mesmo assim tem a cara de pau de se dizer vítima de uma “trama ardilosa”. Pois fiquem sabendo os dois vilões — Temer e Aécio — que sua hora é chegada. Mesmo que se aproveitem de firulas jurídicas para prorrogar a agonia, Michel Temer e Aécio Neves estão liquidados. São páginas viradas.

Octávio Costa
No Ultrajano

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