17 de jul de 2017

Gilberto Freyre e o juridicismo brasileiro


Vale a pena assistir o trecho da conferência de Gilberto Freyre proferida no Rio de Janeiro, em 1985, no 2º Congresso Brasileiro de Psicanálise d'A Causa Freudiana do Brasil que nos surpreende e se mostra atualíssima, onde ele aproveita da referência do encontro para aconselhar que grande parte dos juristas brasileiros precisavam ser 'psicanalizados'. Nesta conferência, Freyre desanca a justiça brasileira devido a sua quase divinização de seus agentes jurídicos que não tomam conhecimento do social, constituindo uma casta intolerante cuja solução para os problemas brasileiros deve ser a JURÍDICA e nunca a SOCIAL, isto é, o JURIDICISMO exerce uma grande resistência aos problemas sociais brasileiros, tendo ainda uma predominância na vida intelectual, política e econômica do Brasil, sendo regido apenas pelo seu exclusivismo jurídico, dentro de seu mundo fechado de doutores, e canonizados pela tradição dos bacharéis do Direito oriundos da Universidade de Coimbra, em Portugal, que influenciaram as primeiras faculdades jurídicas no Brasil. E também critica, como exemplo, o exclusivismo jurídico de Rui Barbosa.

Caricaturas de Rui Barbosa.
Sobre Rui Barbosa, Freyre diz que: "Para Rui Barbosa a solução jurídica era tudo. Ele entendia que um caso resolvido juridicamente, por maiores que fossem as suas complexidades, estava resolvido. E a ele coube uma grande preponderância na elaboração da primeira constituição republicana do Brasil que fôra exclusivamente jurídica. Uma constituição que não tomou conhecimento do social, nem do econômico, nem do circunstancialmente brasileiro, do antecedentemente brasileiro, por isso mesmo uma constituição que vigorou durante anos: ela para um lado, o Brasil para o outro; Rui Barbosa para um lado, o Brasil para o outro..."

Foto de Gilberto Freyre entre os Palácios da Justiça de Coimbra e do Recife.
Finalmente, Gilberto Freyre compara Rui Barbosa como se ele fosse tomado de um ânimo evangélico, missionário, religioso, como se tivesse uma missão jurídica a cumprir, mas sem nenhum conhecimento do BRASIL SOCIAL, sendo despertado para esta realidade social brasileira somente através da revelação do personagem Jeca Tatu, de Monteiro Lobato. 

Com a palavra, o mestre de Apipucos.



P.S.: A Conferência completa:



Jota A. Botelho
No GGN

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