10 de jul de 2017

Depois de troca na PGR, vem aí mudança no comando da PF

Provável governo interino de Rodrigo Maia deverá começar com ‘alívio’ para os políticos

Provável governo interino de Rodrigo Maia deverá começar com ‘alívio’ para os políticos
A indicação feita por Michel Temer para substituir Rodrigo Janot no comando da Procuradoria Geral da República (PGR) deu pistas de que a Operação Lava Jato poderá dar algum alívio aos políticos em Brasília, pelas circunstâncias em que aconteceu a escolha. Agora vem aí outra mexida dos sonhos dos políticos encrencados, a troca de comando na Polícia Federal (PF).

Leandro Daiello, segundo mais longevo diretor-geral da PF, tem tomado providências que parecem preparar o terreno para sua substituição, como nomeação de amigos para novos e cobiçados postos. E faz isso ao mesmo tempo em que a PF anuncia uma decisão capaz de desidratar a Lava Jato, o fim da força-tarefa dedicada à Operação em Curitiba, motivo de críticas do Ministério Público.

No dia 4 de julho, o Diário Oficial da União pulicou a nomeação de quatro policiais ligados a Daiello para o cargo de adido policial em embaixadas. Marcelo Salvio Rezende, atual chefe da PF no Amazonas, irá para a Espanha. Marcello Diniz Cordeiro, diretor em Pernambuco, irá para a África do Sul. Kandy Takahashi, chefe no Rio Grande do Norte de 2012 a 2016, irá ao México. E Leonardo Soares Cavalcante Lima, chefe da assessoria de comunicação da PF, irá para a França.

Ir para alguma embaixada era o desejo do próprio Daiello, quando deixar o comando da PF. No fim do governo Dilma Rousseff, ele chegou a combinar sua transferência para a Europa mas a petista foi deposta antes que a mudança na chefia da PF pudesse se consumar.

Os nomeados foram escolhidos por Daiello, mas a formalização da transferência dependeu de atos formais assinados pelo presidente Michel Temer, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e o chanceler Aloysio Nunes Ferreira. Sinal de negociação do delegado com o Palácio do Planalto, portanto.

O fim da força-tarefa da PF em Curitiba pode ter sido uma moeda usada na negociação. O anúncio da desativação ocorreu dois dias depois das nomeações dos amigos de Daiello.

Para todos os efeitos, a força-tarefa será unificada com um outro grupo especial incômodo para o governo, o da Operação Carne Fraca, desmanteladora de esquemas de corrupção na fiscalização de frigoríficos.

Essa unificação, segundo a PF, permitiria “priorizar ainda mais as investigaçõs de maior potencial de dano ao erário”. Dentro da PF, há quem desconfie da explicação dada. Era ruim e improdutivo ter quatro delegados dedicados exclusivamente à Lava Jato?, pergunta-se um delegado. Mudanças desse tipo só ocorrem se o trabalho não anda bem - ou por conveniência​.

Há mais razões suspeitar de um acertozinho entre Daiello e o Planalto. O escrivão que era o cérebro de organização de todas as apreensões de documentos, papeladas etc em Curitiba, um policial lotado em Florianópolis e atuante na Lava Jato desde o início, também foi substituído.

Em fevereiro, CartaCapital já havia mostrado como estava em curso um silencioso desmonte do grupo especial da PF na Lava Jato em Curitiba. Desmanche devidamente comandado por Daiello. Policiais de destaque estavam sendo removidos para outras paragens. Erika Marena foi mandada para Santa Catarina. Marcio Anselmo, para o Espírito Santo.

Há mais razões para suspeitas de um acordo entre Daiello e o governo. Na PF, há quem diga que o orçamento para pagar diárias a policiais em ação e para combustível usados em operações não passa de agosto. E nada de Daiello incomodar o governo em busca de mais recursos.

A presidente do sindicato dos delegados em São Paulo, Tania Pereira, reclamou publicamente da situação financeira da corporação em uma entrevista à Globonews. A decisão da PF, tomado no fim de junho, de cancelar a emissão de passaportes é um indicativo de como anda a situação do cofre por lá.

A cereja do bolo das negociações de Daiello com o governo seria indicar seu próprio sucessor. Em Brasília, comenta-se que seu escolhido é Luiz Pontel de Souza, atual diretor de gestão de pessoal da PF. Mas há quem diga que o todo-poderoso ministro-chefe do GSI, general Sergio Etchegoyen, tem outro candidato, Rogerio Galloro, atual diretor-executivo da corporação.

Daiello já fez várias reuniões com seu superior hierárquico, o ministro Torquato Jardim, desde a posse deste em 31 de maio, para discutir sua situação e a da PF. Uma delas ocorreu inclusive em um sábado, 24 de junho. Sinais de iminente troca no comando da PF.

Rodrigo Janot substituído na PGR a partir de setembro por Raquel Dodge, indicada por Michel Temer sem ser líder da lista tríplice eleita procuradores, a PF prestes a ter novo chefe… O provável governo interino de Rodrigo Maia tem tudo para começar com mais tranquilidade para os político governistas. Apesar de o próprio “Botafogo” estar em maus lençois na Lava Jato.

André Barrocal

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