19 de jul de 2017

De Lula ao Povo brasileiro

Ricardo Stuckert
Leiam o discurso que Lula ainda não fez e provavelmente não fará, mas teria todo direito de fazê-lo.

Não fará mesmo tendo o direito, porque em país que mesmo confessando não ter condenado pelo direito jurídico, um juiz condena porque quer, a verdade é condenada à morte súbita e sumária.

Não fará porque o Brasil não é um Estado de Direito, não é um país. Diariamente o Brasil é apenas a última edição de uma capa de revista ou telejornal. O Brasil é somente uma manchete de jornal.

Os donos do Brasil são 4 ou 5 oligarcas e os donos desses oligarcas nunca virão ao Brasil. Os donos dos donos do Brasil não admitem verdade e se Lula fizer esse discurso será morto por cada uma delas.

Leia este discurso que Lula nunca fará e se encontrar uma mentira me aponte. Aguardo.

Minhas amigas e meus amigos,

Em 1989 só não fui eleito presidente da República porque a TV-Globo divulgou na véspera do segundo turno que eu teria mandado matar minha filha Lurian na barriga da mãe dela.

Se eu tivesse sido eleito, eu governaria facilmente, porque as esquerdas representavam quase 80% do eleitorado, pois, efetivamente, a soma dos votos dos demais candidatos de esquerda ou de centro-esquerda (Leonel Brizola, Mário Covas, Roberto Freire, Ulysses Guimarães e outros) era maior que a soma de meus votos.

Em 1994, a Social Democracia de Mário Covas (o PSDB) já havia sido transformada no mais assumido neoliberalismo. O PDT de Brizola já não tinha tanta força. O PMDB não teve coragem de bancar Itamar Franco, que sucedeu Fernando Collor, destituído. Deu Fernando Henrique na cabeça.

Em 1998, candidatei-me novamente, sempre batendo na tecla de que era preciso acabar com a maracutaia. Quando eu era deputado federal, ainda no governo de José Sarney (que nos deixou uma inflação de 85% ao mês e um verdadeiro mar de corrupção e impunidade, a ponto de o povo cantar por todos os cantos do país: "Que país é esse?", "A tua piscina está cheia de ratos", "Transformam o Brasil inteiro num puteiro para ganhar mais dinheiro", "Podres Poderes"), eu já anunciava que no Congresso havia 300 picaretas.

Agora, vejam a contradição. A mesma burguesia que me endeusava porque eu clamava contra esse status quo foi a mesma burguesia que elegeu FHC, que fez a maior e mais sólida bancada de apoio ao presidente reeleito: PFL (hoje DEM), PSDB e PMDB, e suas linhas auxiliares, o chamado BAIXO CLERO (PP-PR-PTB).

Pois essa mesma burguesia que foi iludida com o falso sucesso do Plano Real e das falsas promessas do neoliberalismo que se deu conta do erro que cometeu, uma vez que não resta dúvida de que o governo de FHC deixou o seguinte legado, que eu sempre chamei e jamais deixarei de chamar de HERANÇA MALDITA: taxas de desemprego e inflação: 12,5%, taxa básica de juros: 24,5%; a dívida pública interna havia pulado de R$ 60 bilhões para R$ 660 bilhões, apesar de esse governo haver vendido uma parte do patrimônio público avaliada em mais de R$ 100 bilhões; a infraestrutura e as Forças Armadas sucateadas, a precarização da educação, da saúde e da segurança; a diáspora (mais de 1 milhão de brasileiros foram procurar emprego no exterior - o Brasil ficou famoso no mundo inteiro como exportador de prostitutas e travestis); a humilhação do Brasil diante dos banqueiros internacionais e do FMI, sem dinheiro até para importar petróleo, o dólar a R$ 3,80, a maior fuga de capitais e fraude cambial da história do Brasil (US 30 bilhões), e ninguém condenado por corrupção, porque, na época, o Procurador Geral da República (PGR) era conhecido como o Engavetador Geral da República.

Essa fraude cambial e fiscal foi delatada por seu principal operador, Alberto Youssef ao juiz federal Sérgio Moro, que acabaria arquivando o processo, deixando de punir seus autores, e ainda dando corda a esse doleiro para agir com desenvoltura na Petrobras, como se estivesse não apenas investido de uma missão especial além de se enriquecer, mas também fazer os diretores da empresa (quase todos indicados pelo PMDB, PP e PR, partidos sem os quais eu não conseguiria governar) se enriquecerem através de um esquema de corrupção que viria a desembocar na "Operação Lava-Jato", adrede criada para me desmoralizar, assim como a companheira Dilma, e, por fim, destruir o PT e entregar a Petrobras a suas concorrentes estrangeiras.

Uma trama diabólica, bem urdida. Eu digo isso porque, se esse juiz, que agora me condena, tivesse desempenhado suas funções com o devido zelo e tivesse pensado no estrago que essa operação viria a fazer na economia e na soberania do nosso país, com a perda de milhões de empregos, ele teria botado os malfeitores na cadeia, e não deixado um réu confesso livre para continuar delinquindo.

A operação "Lava-Jato" poderia ser evitada pelo Dr. Sérgio Moro, se ele tivesse sido zeloso no exercício de suas funções e não deixado o réu confesso Alberto Youssef solto, ainda mais com a missão especial de entregar a Petrobras aos privatas.

A culpa foi minha, foi do PT? Só posso afirmar que a culpa foi de quem colocou o governo de FHC e toda a sua base de apoio nos 3 poderes da República (Podres Poderes). Foi do Ministério Público e do Poder Judiciário, que deixaram os malfeitores agir impunemente.

E aí entra novamente a burguesia, porque, nos estertores do governo de FHC, o país estava à beira de uma convulsão social, daí uma das principais razões dessa gigantesca fuga de capitais. É assim que a burguesia se defende. É público e notório que bancos e empresas muitas vezes vão à falência porque seus dirigentes desviam seus recursos e os depositam nos paraísos fiscais. Cito, por exemplo as falências dos bancos Econômico, Nacional (que tinha Ayrton Senna como garoto propaganda) e Bamerindus. O rombo de R$ 23 bilhões deixado por esses 3 bancos foi coberto pelo Banco Central através do PROER.

E de onde o Banco Central tirou esses R$ 23 bilhões? Ora, tirou do Tesouro Nacional. E de onde o Tesouro Nacional tirou esse dinheiro? Ora, tomando dinheiro emprestado dos bancos Itaú, Bradesco, Citibank, Santander, HSBC, Safra e outros bancos a juros que chegaram a bater em 48%!!!

Daí o vertiginoso crescimento da dívida pública, que só não deu o calote porque a primeira coisa que fiz foi reduzir as taxas de juros. O Brasil teria quebrado. Tenho orgulho de dizer que foi graças a Lula que o Brasil não quebrou. Foi graças a vocês que me elegeram.

Fui eleito presidente da República, mas, para tanto, tive que adaptar meu discurso ao lema: "Lulinha, Paz e Amor", porque, se assim não procedesse, eu acabaria caindo no ostracismo, como o folclórico Enéas. Era por demais humilhante e indigno eu continuar sendo tratado como um cachorrinho ou gatinho da burguesia, mimado, mas sempre como um animal de estimação. Um cara admirado pela burguesia, contanto que não se elegesse presidente da República, tanto é que essa mesma burguesia descarregou seus votos em José Serra, candidato do sistema. Foi ou não foi?

Nessas condições, eu tinha que mostrar à burguesia, a todo o Brasil e ao mundo que era possível superar aquela situação dificílima, que eu podia fazer um bom governo. Mas eu não teria conseguido me desincumbir dessa gigantesca missão sem o apoio no Congresso, sem jogo de cintura. E apoio no congresso todos sabemos que não se consegue facilmente. São muitos partidos. São vários interesses em disputa. São várias correntes. lobistas atuando intensivamente nos 3 Poderes da República. São muitas traições.

Já no meu segundo ano de governo eu comecei a sentir as maiores pressões por causa do tal do "mensalão". Falaram que eu tinha comprado o Congresso para aprovar projetos de interesse do PT, mas o deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, que inventou essa história e declarou ter recebido R$ 4,5 milhões, até hoje não se dignou explicar de onde saiu e aonde foi parar esse dinheiro, e que projetos de interesse do PT seriam esses. Certo mesmo é que o senador Pedro Simon (PMDB-RS) declarou, alto e bom som, que muitos deputados e senadores foram comprados por Fernando Henrique em 1997 para mudar a Constituição e lhe possibilitar a reeleição em 1998.

Devo lembrar que minha reeleição, em 2006, não foi nada fácil. Na onda do tal do "mensalão" eu cheguei a perder no primeiro turno para Geraldo Alckmin, candidato da burguesia desvairada. Venci no segundo turno, fiz um ótimo governo, com aprovação de 90%. E não era só aqui no Brasil. Fui reconhecido no mundo inteiro como o presidente que tirou o Brasil do mapa da fome, que fez o Brasil ser respeitado e admirado, fui recebido com as maiores honras pelos principais líderes mundiais, recebi muitas medalhas, títulos honorários e condecorações de muitos países, muito mais do qualquer outro presidente brasileiro.

A burguesia mal acostumada teve que tirar o chapéu e me aplaudir. Mas foram apenas aplausos, porque ela, mais uma vez, em 2010, escolheu o candidato identificado com seu jeito de viver e ver as coisas. Voltou a apoiar José Serra, mas quem venceu foi a companheira Dilma. Mais uma vez os trabalhadores e as forças progressistas mostraram de que lado estão.

Pois é essa mesma burguesia que agora se diz decepcionada comigo, como se ela me houvesse apoiado algum dia, como se ela houvesse erradicado sua arrogância e seu preconceito contra os pobres. Como se os deputados e senadores que ela elegeu fossem defensores dos pobres e mais fracos. O nome disso é hipocrisia. E o retrato disso está aí para todo o mundo ver. Um governo que passou a ser denominado por um riquíssimo empresário de "a maior e mais perigosa organização criminosa do país". Tenho também muito orgulho de não fazer parte dessa organização, das "Organizações Globo" ou de quaisquer outras organizações que trabalham para se enriquecerem ilicitamente em detrimento da Nação, dos mais fracos, pobres e oprimidos

Talvez essa burguesia insensata tenha razão em me odiar, pois, se ela acha que eu roubei, que sou o maior ladrão da história do Brasil, eu deveria ter uma mansão de 1.100m² em um terreno de 29 hectares em área de propriedade da Marinha e de proteção ambiental, em praia particular no município de Paraty e outras no Jardim Paulista e nos diversos balneários do Brasil e do exterior; uma rede de rádio, televisão, revistas e jornais para imbecilizar o povo e se enriquecer às custas de verbas da propaganda oficial; fazendas de milhares de hectares ocupadas por centenas de milhares de cabeças de gado com aeroporto até mesmo para o tráfico de drogas; eu poderia ser o dono de frigoríficos, laticínios, fábricas de bebidas e de uma rede de lojas e supermercados; ter uma frota de Ferrari, Lamborghini, Rolls Royce, Mercedes, aeronaves, iates, aprtamentos na orla do Leblon, em Paris, Londres, Nova York, Montecarlo que chegam a custar R$ 1 BILHÃO; coleções de obras de arte de artistas famosos; joias, muitas joias, adegas cheias de vinhos e champagnes das melhores safras e marcas, que custam até mais de R$ 50 mil a garrafa; só comeria carnes especiais de US$ 1,000.00 o quilo; teria sempre a minha disposição cocaína de primeiríssima para cheirar à vontade; teria minas de ouro, diamante, nióbio etc; faria contrabando de armas, drogas e de tudo enfim; teria no mínimo US$ 500 milhões depositados em paraísos fiscais e outro tanto investido em ações e renda fixa; eu teria uma dívida de no mínimo R$ 1 bilhão com a Receita Federal e a Previdência Social; eu, agora viúvo, teria um harém rotativo de mulheres bonitas e badaladas, animais de estimação, um zoológico, até; eu teria um rede de jogo-do-bicho, de máquinas caça-níqueis, cassinos clandestinos; eu manteria as melhores relações com os chefões do crime organizado, apareceria sempre na revista "Caras" e outros eventos patrocinados pelas "Organizações Globo", pela FIESP, pela FEBRABAN, por Sílvio Santos, Luciano Hulk, os Mesquitas, os Civitas, os Frias e outros barões da mídia; eu seria capa da revista "The President" que é distribuída nos consultórios médicos e dentários e diversas clínicas, e por aí vai.

Se eu tivesse tudo isso, essa burguesia não pegaria no meu pé, meu nome não apareceria em cartazes e capa da revista "veja", no Jornal Nacional, com a estampa: "CONDENADO". Condenado porque um juiz entendeu que eu sou o dono do tal tríplex do Guarujá, uma coisa ridícula para quem, como eu, cobrei R$ 150 mil por conferência - e foram muitas - aqui no Brasil e no exterior, procedendo da mesma maneira como FHC e Bill Clinton. E aí eu pergunto: por que essa burguesia não pega no pé de FHC, que tem um apartamento em Paris que vale mais de 10 vezes o tal tríplex do Guarujá, e possui uma fazenda de luxo em Minas Gerais, que também vale mais de 10 vezes o tal sítio de Atibaia? Ora, ele também foi presidente da República. O instituto dele pode existir, mas, para essa burguesia e essa mídia poderosa, o Instituto Lula tem que ser destruído.

Ademais, minhas amigos e meus amigos, eu continuo morando no mesmo apartamento de pequeno burguês em São Bernardo do Campo, tomando minha cachacinha, não fico andando por aí com ternos, camisas, gravatas e sapatos de luxo, estufando o peito e falando mentiras, não mudei em nada meu jeito de ser. É bem verdade que eu gostaria que minha voz melhorasse um pouco, mas está melhorando. Já esteve pior, assim como minha imagem esteve muito ruim em consequência dessas campanhas difamatórias, mas, felizmente, eu tenho o reconhecimento, a gratidão e o respeito de grande parte do povo brasileiro, tanto é que até agora não apareceu nenhum candidato para tomar meu primeiro lugar, em qualquer pesquisa, para a presidência da República.

Posso dizer sem falsa modéstia que Lula é como massa, quanto mais batem nele mais ele cresce.

Não resta dúvida, portanto, que a burguesia narcisista só gostava de mim enquanto eu não me elegesse presidente da República.

Pura ingratidão dessa burguesia, pois fui eu quem tirou o Brasil da deplorável situação deixada por FHC. E o fiz sem luta de classes, tirando mais de 30 milhões de brasileiros da linha de miséria, promovendo 40 milhões de pobres à classe média (ou seja, à burguesia) e deixando a burguesia ainda mais rica, mas não através de renda fixa, pois eu e Dilma metemos o pé no acelerador da redução das taxas de juros sobre a dívida pública, que caíram de 24,5% para 7,25%. Mas foi aí que eu e Dilma erramos, porque a burguesia rentista ficou furiosa. Tem coisa melhor do que juros altos para quem vive de juros?

Eu e Dilma tentamos mostrar a essa burguesia que ela podia muito bem continuar ganhando muito dinheiro com o desenvolvimento industrial puxado pelo aumento do consumo interno, pelas gigantescas obras de infraestrutura, pelo fortalecimento de nossas empresas de construção pesada, pelos investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia, pelo aumento da produção de petróleo em águas profundas, pela defesa dos rios, mananciais e florestas, pela exportação de produtos industrializados e serviços, pela conquista de 6 posições no ranking do PIB mundial, pulando da 12ª para a 6ª posição , pelo fim de nosso complexo de vira-lata, pela defesa da soberania nacional, pelo reequipamento e valorização das Forças Armadas, pela demonstração de competência e capacidade de abrigar grandes eventos (Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016), pela ocupação dos territórios dominados pelo crime organizado, pela exclusão do Brasil do mapa da fome mundial, pela inclusão social, pelo extraordinário aumento do poder de compra dos brasileiros de todas as classes - repito - sem lutas de classes.

Quanta gente que nem pensava em se formar para médico, advogado, engenheiro, fazer mestrado e doutorado no exterior, viajar de avião, ter carro, moto, casa própria, comer e beber bem, ter assistência médica e dentária, água encanada, cisternas, poços artesianos, crédito farto, luz, celular e tantos outros produtos, mais transporte coletivo, segurança e uma infinidade de desejos realizados, como, também, fazer turismo no exterior sendo atendidos por gente falando português nos hotéis, lojas e restaurantes. É por isso que Lula foi, é e jamais deixará de ser o melhor presidente do Brasil. Querido pelo povo em geral, mas odiado pelas elites preconceituosas.

E olhem que, ao final de 2012, as taxas de inflação, de desemprego e do dólar também haviam caído para 4,5%, 4,5% e R$ 1,70 e o salário mínimo já tinha tido um aumento real de mais de 50%!!!

Mas nossa mensagem não foi captada pela velha burguesia mal acostumada, soberba, ingrata e preconceituosa. E digo mais: em nenhum momento em minha carreira política eu contei com o apoio dessa burguesia, que eu sempre chamei "as elites". Se as elites estão decepcionadas, quem as decepcionou foram seus candidatos. Não fui eu, não foi Dilma, não foi o PT. A prova está aí. Eles estão aí no poder fazendo essa desgraceira toda, expondo nosso país à mais deplorável ridicularização internacional e deixando toda Nação em estado de letargia, de tão envergonhada que está.

Mas, afinal, o que é a burguesia mal acostumada? 1) o dentista, o médico, o profissional liberal, enfim, que cobra, por exemplo, R$ 500,00 por um serviço, com recibo e R$ 400,00 sem recibo; 2) a pessoa que vende ou compra um imóvel por R$ 1 milhão, mas declara que foi por R$ 300 mil; 3) vende veículo, obras de arte, bois e outros bens por R$ 100 mil e declara por R$ 40 mil; 4) o receptador de mercadorias oriundas de roubos de carga e outros roubos ou do contrabando; 5) o burguês e a burguesa que consomem os produtos vendidos pelos traficantes e piratas; 6) que sempre arranjam um jeito de sonegar imposto e à Previdência Social; 7) o burguês mal educado que suja as ruas, não respeita os sinais de trânsito, dirige embriagado, provoca acidentes até fatais; 8) o patrão que não assina a carteira de trabalho de todos os seus empregados, nem cumpre as normas de segurança e salubridade, chegando mesmo a esgotar-lhes as energias; 9) os egoístas que apoiam o fim do Imposto Sindical (uma merreca se comparado ao que se gasta com juros de até 480%, drogas, cigarros, remédios, planos de saúde, jogos, assinatura de jornais, revistas e televisão que fazem a cabeça da burguesia que encheu as ruas de verde e amarelo e fizeram o panelaço para derrubar uma presidenta eleita pelo povo e que não botou as tropas nas ruas para impedir essas manifestações.

Foi por tudo isso que a burguesia se deixou enganar a partir das manifestações de junho de 2013, quando o Brasil começou a andar para trás. Atribuir as causas desse retrocesso ao tal do mensalão e ao tal do petrolão é pura demagogia, é conversa fiada para tentar enganar o povo. Ainda bem que o povo lúcido e calejado sempre desconfia dessa conversa fiada, principalmente quando ela vem da mídia poderosa e venal.

As causas principais do retrocesso foram, em ordem crescente, a queda, em tempo recorde, do preço do barril do petróleo, articulada pelos Estados Unidos para quebrar o BRICS, de US$ 115.00 para US$ 35.00, o aperto sobre os sonegadores e a redução das taxas de juros. Aí a companheira Dilma comprou briga com muita gente, como se já não bastassem a demissão dos corruptos da Petrobras, a denúncia contra a espionagem do Planalto pelos Estados Unidos, a redução das verbas de propaganda oficial, sua rejeição aos conchavos com o PMDB liderado por Eduardo Cunha, Geddel e o presidente interino, que viria a dar-lhe uma punhalada pelas costas logo depois de viajar aos Estados Unidos, onde certamente foi buscar apoio e receber as últimas instruções para executar O GOLPE.

E não se pode esquecer que o governo da companheira Dilma deixou US$ 370 bilhões de reservas cambiais, fato este que nunca visto antes história deste país. No entanto, essa dinheirama fica parada, rendendo nada e depositada nos bancos internacionais, enquanto o Brasil vai destruindo seu parque industrial, asfixiando a indústria de construção pesada, interrompendo as obras do PAC, deixando mais de 14 milhões de desempregados, fatiando a Petrobrás, oferecendo à venda todas as suas empresas e riquezas naturais a preço de banana, e voltando a ser um mero exportador de produtos primários, e, pior ainda, destruindo impiedosamente a Floresta Amazônica.

A dívida pública cavalga celeremente em direção ao calote. Impagável ela já está. A burguesia rentista treme de medo.

Neste momento tão crítico em que o Brasil sofre um acelerado processo de "siriolibanização", trava-se uma guerra de bastidores entre Michel Temer e Rodrigo Maia para se definir qual dos dois vai ficar com a Presidência, na mais escancarada aplicação da velha prática do "é dando que se recebe", o famoso "toma lá, dá cá".

Michel Temer investe mais de R$ 15 bilhões no mercado pronto para se livrar de uma condenação penal, enquanto Rodrigo Maia investe muito mais no mercado futuro, lembrando um croupier: "FAÇAM SUAS APOSTAS".

Até o PSB, que foi o partido que mais cresceu no governo do PT e que tinha no saudoso Eduardo Campos um nome forte como candidato a presidente da República, com o meu apoio, o apoio de Dilma e de todo o PT e das forças progressistas, agora está rachado, uma ala querendo debandar para o DEM de Rodrigo Maia e a outra, para o PMDB de Temer, que, por sua vez, ainda fica perdendo tempo e se arriscando com PSDB, que só o aceita se ele cumprir as ordens do neoliberalismo escravocata da FIESP e da FEBRABAN, enfim, da casa grande, e esmagando a senzala.

Melhor seria que o presidente interino reconhecesse publicamente sua traição aos 54,5 milhões de eleitores e à própria presidenta Dilma; melhor será que ele se livre das más companhias e cumpra as promessas de campanha da chapa Dilma-Temer. Somente assim ele poderá evitar a consumação de uma tragédia nacional que pode levar nosso país a ter o mesmo destino da Síria, um país despedaçado, ensanguentado, com mais de 3 milhões de refugiados, grande parte deles oriunda da própria burguesia. Não é isso que eu desejo para a burguesia temerária, mas ela está trabalhando para que isso aconteça.

E como eu sou um homem de paz, não vou pregar manifestações que resultem em pancadaria, uso das Forças Armadas para reprimir o povo. Mas tenho todo o direito, como ex-presidente e candidato a presidente em 2018, de procurar soluções para nosso país voltar a ser o que era em 2012 e continuar crescendo e progredindo, incluindo mais gente na sociedade civilizada, ordeira, pacífica e próspera.

Não posso, portanto, aceitar passivamente ser excluído do processo eleitoral, tampouco ser comparado com Eduardo Cunha, como o juiz federal Sérgio Moro agora está me comparando, pois em sua sentença que me condenou a 9 anos e meio de prisão ele se contradisse ao escrever: "Este juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobras foram usados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente". Preciso de melhor defesa do que esta que me é feita pelo próprio Dr. Moro?

Por último, porém não de menor importância, eu jamais acusaria o Dr. Sérgio Moro ou quaisquer outros magistrados federais de obterem vantagens ilícitas em troca de patrocínios de bancos e empresas privadas de encontros de magistrados federais em resorts deste país, ou pelo fato de o pai de Sérgio Moro ser fundador do PSDB em Maringá, ou por sua digníssima esposa, que é advogada, ser assessora do governo do Paraná (PSDB) no Congresso Nacional, nem mesmo por ela também trabalhar para um escritório advocatício naquela cidade paranaense que presta serviços à Shell, concorrente da Petrobras.

Mnha consciência continua e continuará tranquila e com o inabalável e profundo sentimento de que tudo o que tenho feito em minha vida tem sido em prol da inclusão social, na elevação do Brasil ao concerto das grandes potências do planeta, da erradicação do preconceito, do ódio e do complexo de vira-lata. Não aceito nem jamais aceitarei entrar para história como malfeitor ou traidor do meu país, de meus compatriotas. Tenho todo o direito de me defender.

Autor: Boanerges de Castro

P. S. - Assistam ao meu vídeo "O Pixuleco e o Patinho".

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