16 de jul de 2017

Cultura do Pequeno


Uma das primeiras iniciativas de Temer, o Pequeno, após assumir de forma ilegítima o poder foi extinguir o Ministério da Cultura. Pressionado pela classe artística, voltou atrás (como faz em boa parte de suas decisões), mas - como escrevi na época - isto jamais significou que o ministério houvesse sido realmente ressuscitado, já que bastava mantê-lo sem verba para que parasse.

Como, além disso, Temer (o Pequeno) colocou apenas figuras inexpressivas e incompetentes para comandá-lo (incluindo Roberto Freire, que havia dito que a pasta deveria ser extinta!), é perfeitamente possível dizer que o ministério só seguiu atuando quando necessário para alguma negociata ou represália (como ficou claro nas solicitações de Geddel a Calero e na comissão criada por este para sabotar Aquarius no Oscar).

Assim, quando li hoje que o MinC "pode parar em agosto por falta de dinheiro", não fiquei espantado. Aliás, a notícia só pode estar falando dos salários dos funcionários da pasta, porque esta já não funciona há um bom tempo.

Aliás, bastou que eu comentasse isso no twitter para que aparecessem alguns direitistas dizendo que o MinC "deveria acabar". Claro. Para esta parcela da direita brasileira que idolatra Olavo de Carvalho, o MBL ou Bolsonaro (ou todos juntos), a Arte é "coisa de vagabundo esquerdista". Só enxergam valor no que conta com etiqueta de preço.

É por isso que conservadores como Dória amam Romero Brito e desprezam o Grafite, por exemplo: enquanto o primeiro se assume como mero produto, o segundo é uma forma de conferir voz a quem não tem. Aquele é objeto de cena de novela de Manoel Carlos e seu gênero "rico também sofre"; este, um ato de subversão.

Não que a Arte não possa ser também comercial. Como digo em meus cursos, não se avalia Arte por seus aspectos comerciais, mas sim por suas intenções, por sua execução e por seu efeito. Grandes artistas, movimentos e correntes já produziram e produzem obras geniais que se encaixam em um esquema que poderíamos chamar de comercial ou industrial - e, em contrapartida, a ideia de que o artista esfomeado e torturado só produz coisas belas é absurda.

Lembrem-se: Michelangelo pintou a Capela Sistina sob encomenda, Shakespeare se preocupava com o sucesso comercial de suas peças e Chaplin criou um pequeno império em torno de seu "Vagabundo". Não interessa como estas criações foram pagas, mas sim o que provocam e como o fazem.

Mas esta direita que vê a Arte como algo dispensável só enxerga valor no dinheiro, só respeitam uma obra por seu sucesso monetário, não como expressão humana. Mortos por dentro, não sabem como reagir a ela.

Ora, o dinheiro pode colocar comida na mesa, mas o que realmente faz a vida valer a pena são o Amor e a Arte. (E, de acordo com meu amigo Hélio Flores, a cerveja.)

Só não entende o valor da Arte quem pensa com a carteira, sente com o cheque e ama com o cartão.

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