16 de jul de 2017

Continuação do golpe


Sem provas, rasgando o Código Penal e a Constituição Federal, o juiz de 1ª instância Sergio Moro condenou o ex-presidente Lula baseado nas ilações dos procuradores da Lava-Jato e numa delação arrancada por pressão de um condenado preso, além de convicções e uma apresentação de “powerpoint”. Rebaixou a justiça brasileira à perseguição política, algo tão repugnante quanto o cinismo que paira sobre a elite deste país.

O imóvel, situado no Guarujá, estava registrado em outro nome, com hipoteca, com sessão fiduciária e com lista de credores claramente apresentados. E, ainda assim, 73 testemunhas negaram a acusação do Ministério Público Federal durante todos esses meses de inquérito. Não foi o bastante para eles. Era preciso condenar Lula, sentencia-lo e tentar, de uma vez por todas, isolá-lo da disputa política de 2018. O objetivo sempre foi óbvio para todos nós.

A condenação segue na esteira do golpe de 2016, tentando impor um projeto que não tenha empatia com a demanda popular. Enquanto isso, vemos o senador tucano Aécio Neves se livrando de condenações e Michel Temer continuando na Presidência mesmo com tantas provas de crimes cometidos.

É irônico que isso venha acontecer exatamente durante a tentativa de admissibilidade do processo contra o presidente através da CCJ da Câmara dos Deputados. E, pior, após a aprovação no Senado Federal da assombrosa reforma trabalhista, afastando todo o debate na sociedade sobre ambos os assuntos. É um escárnio com a democracia e a história política deste país.

Lula é um dos maiores líderes mundiais e entrou para a História ao retirar o Brasil do escandaloso mapa da fome. Época, essa, que morriam 300 crianças por dia por consequências da inanição. Realidade que o PSDB de FHC e seus aliados, além do PMDB de Temer e tantos outros, jamais foi combatida com eficácia ou vontade política. Lula desafiou as dificuldades, dobrou as classes dominantes e fez com que milhões de jovens tivessem outro futuro. Uma vida com dignidade e oportunidade.

Mesmo tendo esperança que essa sentença será derrubada na segunda instância, fora da mitomania que está entranhada na Operação Lava-Jato, precisamos ocupar as ruas e defender o Estado democrático de Direito. O lawfare de Moro e aliados é um ataque severo a nossa democracia. Expresso minha solidariedade ao ex-presidente Lula e reitero que sua volta será triunfante, eleito pelo voto e sabedoria do povo, novamente. Não subestimem a inteligência do povo brasileiro que rejeita a injustiça, a manipulação, a política rebaixada, e quer de volta seu país, suas conquistas e seu direito de escolher os destinos do país.

Jandira Feghali

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