2 de jul de 2017

Aécio e a pena da vergonha pública


Leio, no facebook do jornalista Luís Costa Pinto, aquilo que penso e disse, com menos competência, algumas vezes aqui.

A pena, inescapável, que vale mesmo para Aécio Neves é a da política.

(Aécio) flanava pelos corredores do Congresso, dos palácios e da Esplanada como se fosse questão de tempo a sua ascensão ao trono.  Descobrirá, ao voltar ao Senado, que os antigos amigos irão lhe virar as costas. Que alguns fugirão de sua companhia como à de um pestilento. Que outros correrão do enquadramento para não saírem nas mesmas fotos que ele. Além disso, de volta ao mandato, terá de encarar uma reunião partidária para depô-lo. Ou o PSDB também irá restaurar Neves no posto de presidente da legenda?

Marco Aurélio Mello deu a Aécio a chance, desairosa, de encarar seus grilhões – e os morais serão os mais pesados. 

É isso: as penas legais para Aécio virão (ou não virão) no tempo da Justiça e é assim que deve ser, se queremos um Estado de Direito e não as “cognições sumárias” do “morismo”. Deve ser, sim, e talvez não seja porque sabemos como é a Justiça brasileira e o que dela esperar.

Mas penas políticas já chegaram e serão executadas por longos e infindáveis dias em que viverá na “solitária política”, nas chibatadas do desprezo público, no exílio da consideração alheia.

Óbvio que ele, como qualquer um, deve responder penalmente e, certamente, nisso há de contar com a boa vontade de juízes, tribunais e de advogados como não contaria o homem comum e também não o político transformador.

Mas a pena que interessa à política – e, portanto, a que interessa ao país, porque Aécio foi o mais nefasto agente da ruptura institucional que sobremos – esta será aplicada, agora, até com mais eficiência  do que quando permaneceu recluso em seu apartamento.

Afinal, a vergonha é algo que só existe em público.

E dessa não há decisão do STF da qual o livre.

Fernando Brito
No Tijolaço

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