27 de jul de 2017

A Fazenda é de Jucá. Meirelles cai antes ou depois da “meta”?


O “abafa” da mídia sobre o caso dos milhões recebidos por Henrique Meirelles e mantidos em contas no exterior não será proteção contra o outro ataque que o Ministro da Fazenda sofre, maior e de dentro do próprio Governo.

Todos já sabem que é impossível cumprir a meta fiscal de déficit de R$ 140 bilhões.

Para quem ainda ficou em dúvidas depois do que foi mostrado aqui, com as contas do Tesouro em junho, o gráfico do Poder360 que reproduzo acima esclarece como se tornou virtualmente impossível cumprir o déficit projetado. Como se argumentou ontem, o primeiro semestre é o período mais folgado para as contas públicas e, mesmo desconsiderando os alegados R$ 18 bi de precatórios pagos adiantado, isso não compensa a ausência dos R$ 26 bilhões das repatriações  do ano passado.

Não há aumento de imposto ou privatização que, em cinco meses, resolva a diferença entre o déficit presente em 12 meses (R$ 182,8 bilhões) e os R$ 140 bilhões prometidos.

Entra aí a história do “PDV de mentirinha”, como apropriadamente o chamou hoje, no Valor, a colunista Maria Cristina Fernandes, uma das raras que não deixa  com que o “pensamento único” antiestado contamine sua análise econômica:

(…) o  PDV soa como manobra diversionista. Introduz uma bem-vinda flexibilidade de jornada com redução proporcional de salário, mas ataca o conjunto de rendimentos quando o problema é seu valor. Carreiras com poder de barganha se descolam do conjunto do funcionalismo e arrancam aumentos incompatíveis não apenas com o padrão de países mais ricos mas, principalmente, com o buraco fiscal brasileiro. Não é para esses funcionários que o PDV é vantajoso, uma vez que a adesão levará à perda da aposentadoria integral. O programa só se mostra atraente para funcionários que ganham até R$ 5.531,31. Como este é o teto do Regime Geral da Previdência, o servidor que se desligar e for nele enquadrado, nada perderia e ainda embolsaria o bônus por ano trabalhado oferecido pelo PDV. 

É notório que o Plano de Demissão Voluntária foi lançado pelo Ministro do Panejamento, Dyogo Oliveira,  à revelia de Henrique Meirelles e, ontem, foi sacramentado – ainda sem regras claras – por Michel Temer.

Só que o Ministro do Planejamento, todos sabem, não é senão o Ministro do Planejamento de direito, pois o de fato sempre foi o senador Romero Jucá, hoje o maior pilar de apoio de Temer.

Meirelles teve de por o rabo entre as pernas e aceitar, sabendo que a “mentirinha” não resolve e pode até agravar, com desembolsos de indenizações, o quadro das contas estatais.

Meirelles está sendo empurrado a chutar os santos do altar. O primeiro já foi, o do aumento de impostos. O segundo, o aumento do déficit público, parece estar próximo. Pode ser que reste ainda o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pelas agências de classificação de risco antes da hora fatal.

Temer espera apenas que Meirelles absorva toda a culpa para, galantemente, defenestrá-lo.

Romero Jucá já é o Ministro da Fazenda e Meirelles o mais caro gerente do mundo.

Fernando Brito
No Tijolaço

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