7 de jun de 2017

Temer caminha, enfim, para ser campeão de popularidade — entre presidiários

O Edgar está batendo a foto
Vejam vocês as voltas que o mundo dá.

Mal amanhecia o dia na linda e ensolarada Natal e a Polícia Federal cumpria, mais do que um mandado de prisão, uma espécie de justiça poética contra um dos maiores e mais inescrupulosos traidores da democracia brasileira, o ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Henrique Alves é o que poderíamos chamar, se possível fosse, de um Aécio Neves piorado.

Pertencente a uma das famílias coronelistas que dominam e exploram o estado do Rio Grande do Norte há décadas, é o típico moralista que jamais fez outra coisa a não ser viver e se beneficiar da política. 

Por inacreditáveis 44 anos consecutivos, Alves perambulou pelo Congresso Nacional sem absolutamente nada a acrescentar de importante para o país, para o estado, para o povo ou para quem quer que seja que não fosse a sua própria família.

Como um peemedebista que se preze, jamais aceitou ficar longe do poder. Ideologia, como se sabe, não é exatamente o forte dos caciques de um partido que sempre esteve na situação e que ostenta a mundialmente inédita marca de possuir entre seus quadros, três presidentes sem um único voto.

Henrique Alves, precisamos lembrar, foi o primeiro ministro de Dilma a abandoná-la uma vez posto em curso o Titanic do golpe.

Justamente quando mais a ex-presidenta precisava do apoio daqueles que a cercavam nos ministérios, foi justamente quando Alves mostrou a matéria do que é feito.

Umbilicalmente ligado a gente como Moreira Franco, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima e tantos outros além, é claro, do próprio Michel Temer, curiosamente Alves também passa a ser o primeiro dos ministros que traíram Dilma a ocupar mais uma das inexistentes vagas do nosso maravilhoso sistema prisional.

Acusado de ter embolsado R$ 7,15 milhões ligados à construção de um dos mais belos estádios da Copa do Mundo, o Arena das Dunas, Henrique Alves carrega consigo para a prisão informações de seus atuais correligionários que podem elevar essa cifra a valores exponencialmente maiores.

Não podemos esquecer, evidentemente, que o agora ilustre detento ainda possui pelo menos duas outras ações em que é réu envolvendo quantias não menos modestas em países como a Suíça onde Eduardo Cunha fez escola.

A julgar pelo que sabe e pela sua disposição em permanecer preso, não tarda até que outros figurões do estado como o presidente nacional do DEM, José Agripino Maia e o seu próprio primo, o não menos traidor, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) voltem a estrelar novas cenas da institucionalizada corrupção nacional.

Pois bem, o cadavérico Michel Temer sequer havia se recuperado da notícia de mais esse fantasma a lhe assombrar, quando mais um colega de partido, desta vez o deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), era preso pela PF ao desembarcar no aeroporto internacional de Brasília.

Celso Jacob foi condenado pelo STF a cumprir pena de sete anos e dois meses de reclusão por crimes de falsificação de documento público e dispensa indevida de licitação, ainda quando era prefeito de Três Rios-RJ.

Pois é! No mesmo dia em que a pesquisa CUT/VOX POPULI escancara a indiscutível liderança do ex-presidente Lula em todos os cenários apresentados com uma larga margem de intenção de votos, Alves e Jacob engrossam as fileiras de uma inusitada estatística política eleitoral.

Michel Temer caminha para ter estatisticamente mais popularidade entre presidiários do que entre cidadãos no seu pleno exercício de cidadania.

Eis o que espera o usurpador da Pátria.

Carlos Fernandes
No DCM

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