3 de jun de 2017

Sem saídas, delação de Funaro ameaça ainda mais Cunha e Temer

Arrolados pelas acusações da JBS, por falta de opções, agora é o operador do ex-presidente da Câmara que negocia acordo que atingirá em cheio Cunha e Temer


O empresário Joesley Batista teria repassado R$ 173 milhões ao doleiro Lúcio Funaro, considerado o principal operador financeiro do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nos depoimentos do acordo de delação premiada, o executivo da JBS relaciona esses repasses a Funaro diretamente com Cunha, e os dois, por sua vez, com Michel Temer.

Joesley Batista disse que a dupla Funaro e Cunha "encamparam" indicações de terceiro escalão do governo Dilma Rousseff, dominando o jogo de interesses e influências. "Eles vinham tomando terreno, este grupo. Encampou o [fundo de investimento] FI-FGTS, encampou a Caixa, aí encampou o Ministério da Agricultura", disse.

De acordo com Joesley, entre os repasses de R$ 173 milhões desde 2011, Funaro recebeu da JBS como propina uma casa nos Jardins, em São Paulo, de R$ 14 milhões, e um helicóptero, de R$ 8,4 milhões. Além dos depoimentos, o empresário entregou uma planilha que traz descrito a entrada e a saída dos pagamentos ao operador de Cunha.

De acordo com os registros entregues por Joesley Batista, a conta-corrente foi abastecida não apenas pela JBS, como por outras empresas do grupo controlador J&F, como a Eldorado Celulose e a Vigor. 

O suborno, contou Joesley, era para que fossem liberados os empréstimos na Caixa Econômica - tema de outra investigação sobre fraudes na liberação de créditos entre 2011 e 2013, com mira no ex-Secretário de Governo de Temer, Geddel Vieira Lima, e no próprio ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo Joesley, Cunha e Funaro detinham influência nas operações do banco e a propina era a exigência para a liberação dos financiamentos. O empresário mencionou, ainda, o ex-vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto, que também é investigado no processo e fechou acordo de colaboração.

Além do FGTS na Caixa, o executivo disse que teve que pagar mais R$ 2 milhões na pasta de Agricultura pela regulamentação da exportação de restos bovinos, medida que, segundo ele, nem sequer foi solicitada. 

Com o operador de Cunha e o ex-deputado ainda mais arrolados no esquema de corrupção, o andamento de uma antiga delação premiada voltou à tona e Cunha tenta reverter os estragos das delações da JBS. Funaro e Cunha teriam recebido os repasses do montante até uma semana antes de Joesley começar a prestar os depoimentos no acordo com o Ministério Público Federal. 

A defesa do ex-deputado do PMDB pediu nesta semana a anulação do acordo da JBS. A solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF) alega que não há provas sobre o suposto pagamento mensal a Cunha para a compra de seu silêncio, tema que também envolveu o mandatário hoje no Poder.

Lúcio Funaro volta a tentar uma colaboração de depoimentos com a Procuradoria-Geral a República (PGR). Nesta semana, ele teria entrado em contato com representantes do MPF para a negociação. A expectativa é que o suposto operador de Eduardo Cunha não apenas detalhe como funcionava os esquemas com Cunha, como também atinga em cheo o atual presidente Michel Temer.

No GGN

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