28 de jun de 2017

Rodrigo Maia entrou em pânico


O filho de Cesar Maia vai assumira Presidência. Mas até ele sabe que é muita areia para seu caminhãozinho

Ao atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Michel Temer mostrou todo o seu desespero. Usou a palavra ilações mais de dez vezes, mas, em momento algum, desmentiu as acusações sobre suas relações promíscuas com o empresário Joesley Batista. O usurpador Temer, agora com a pecha de corrupto, está liquidado. Seu governo é página virada. Então, o melhor a fazer é olhar para frente. De acordo com o Art. 80 da Constituição Federal, com o impedimento do vice, o presidente da Câmara assumirá a Presidência da República por trinta dias. Ao fim desse prazo, como determina o Parágrafo Primeiro do Art.81, o Congresso Nacional elegerá o novo presidente. Que pode ser qualquer cidadão(ã) brasileiro(a) com mais de 35 anos, desde que filiado(a) a partido político.

Temos, então, que o próximo presidente da República será o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). E caberá a ele, com a assessoria do STF, organizar a eleição indireta no tal prazo de 30 dias. Já houve presidentes de Câmara que assumiram a Presidência da República, como os casos de Carlos Luz e Ranieri Mazzilli, este por duas vezes — após a renúncia de Jânio e depois do golpe contra João Goulart. O exemplo de Carlos Luz, porém, é o que mais se assemelha aos dias de hoje. Após o suicídio de Getúlio Vargas e o afastamento do vice Café Filho, Luz tornou-se presidente interino do Brasil. Mas foi derrubado por um movimento liderado pelo general Henrique Lott, que o acusou de conspirar contra a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. Carlos Luz ficou apenas três dias no cargo, de 8 a 11 de novembro de 1955. Foi substituído pelo presidente do Senado, Nereu Ramos, que passou a faixa a Juscelino em 31 de janeiro de 1956.

Até hoje, o recorde negativo no exercício da Presidência pertence a Carlos Luz. Mas pode ser batido por Rodrigo Maia. Pelas imagens que chegam de Brasília, vê-se que o filho de César Maia entrou em pânico diante da possibilidade de assumir o cargo máximo da Nação. Uma foto no jornal O Globo de hoje mostra o presidente da Câmara com olhar fixo e quase arrancando os cabelos. Sua palidez nos últimos dias também é impressionante, sem esquecer o agravamento do tique nervoso que o faz balançar a cabeça. Rodrigo sabe que não tem estofo suficiente para ocupar a Presidência da República e comandar o processo sucessório. Para agravar o quadro, tem por sogro o ex-governador Moreira Franco, que hoje é ministro e principal assessor de Michel Temer. É óbvio que Moreira Franco, apelidado por Brizola de “Gato Angorá”, vai dar seus pitacos durante a interinidade do genro. Já está dando, tanto assim que os pedidos de impeachment apresentados à Câmara foram todos engavetados.

Rodrigo Maia não está à altura do cargo e nem da crise. Não consegue esconder seu desconforto e seu despreparo para enfrentar a situação. Parece à beira de um ataque de nervos. Imaginem quando chegar a hora de organizar a eleição indireta. Não vai dar pé. Existe, porém, uma saída honrosa. Basta Rodrigo declarar-se impedido por motivo de saúde ou por figurar entre os arrolados na Operação Lava-Jato. Assim, ele sai de fininho, abre mão da sucessão e deixa o pepino para o presidente do Senado e o do Supremo Tribunal Federal, nesta ordem. Como o senador Eunício Oliveira também está na mira do MPF, é grande a possibilidade de a ministra Cármen Lúcia tornar-se presidente da República. É enorme.

Octávio Costa
No Ultrajano

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