9 de jun de 2017

Pós-TSE, conflito entre Temer e Janot deve ter escalada

Parte do Congresso quer que presidente confronte procurador-geral

http://www.blogdokennedy.com.br/conflito-entre-temer-e-janot-deve-ter-escalada/
Com a provável vitória do presidente Michel Temer no julgamento em curso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a tendência é que haja uma escalada do conflito entre o governo e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

No cenário de derrota de Temer no TSE, haveria possibilidade de recurso. Mas o presidente se enfraqueceria muito politicamente. Perderia margem de manobra para enfrentar uma provável denúncia de Janot.

Com a provável vitória na Justiça Eleitoral, Temer ganha fôlego em meio à maior crise de sua administração. Uma parcela considerável do Congresso apoia a decisão do presidente de confrontar o procurador-geral da República. Para um grupo expressivo de deputados e senadores, boa parte deles também na mira a Lava Jato, a vitória de Temer no TSE permitiria ao presidente aumentar a chance de permanecer no poder até o fim do ano que vem.

Essa vitória daria ao governo apoio suficiente na Câmara para barrar a autorização de dois terços dos deputados federais para que uma denúncia por crime comum siga adiante no Supremo e para impedir a tramitação de eventual processo de impeachment.

Temer recebeu ontem ajuda importante de Gilmar Mendes, presidente do TSE, que disse que “aparentemente” teria havido uma combinação do Ministério Público Federal com delatores da JBS para que falassem que todas as doações da JBS eram propinas. Também ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes se referiu indiretamente a um vídeo de Ricardo Saud, no qual o delator da JBS se corrige perante depoimento a procuradores ao falar de doação, dizendo que, na verdade, tratava-se de propina.

Um fôlego político para Temer e essa fala de Gilmar Mendes são música para um grupo de congressistas.

Mas o Ministério Público Federal deverá reagir em relação à acusação de Gilmar Mendes. Também deverá fazer uma denúncia dura contra Temer. Há rumores em Brasília de que Janot teria mais munição contra o governo. Ou seja, mais um sinal de escalada da crise.

Tendência clara

O TSE entra hoje no quarto dia de julgamento da chapa Dilma-Temer. Pelo que se viu até agora, só uma reviravolta mudaria o resultado e provocaria a cassação da chapa.

Ontem, no terceiro dia, todos os ministros falaram. Foi possível então mapear a tendência de uma decisão favorável ao presidente Michel Temer. Provavelmente, votarão contra a possibilidade de cassação da chapa os ministros Gilmar Mendes, Napoleão Maia, Tarcisio Vieira e Admar Gonzaga. E deverão optar pela punição os ministros Luiz Fux e Rosa Weber, além de Herman Benjamin, que ainda não concluiu seu voto, mas já pediu a condenação.

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