25 de jun de 2017

O tríplex e chácara serão devolvidos a União?

Divisão da sociedade brasileira tem nome e é "Lula condenado", ou para muitos irresponsáveis “Lula na cadeia”

Marisa e Lula
Ricardo Stuckert
Desde quando a Presidenta Dilma teve inicio a contagem regressiva para deixar o Palácio da Alvorada após se consumar o impeachment pelo Senado ficou evidente, para parcela significativa da Sociedade Brasileira que ali se consumava a primeira parte do Golpe. Dolorido para alguns que ainda não tinham se apercebido da trama, confortante para outra parcela comemorando o feito. O passo seguinte, obviamente para esse lado “vencedor” era conseguir inviabilizar a candidatura Lula para 2018. Hoje passados pouco mais de 12 meses a situação se apresenta outra. Apesar de esperado, o caos prenunciado há muito mais tempo pela Revista Carta Capital com a manchete a respeito de Eduardo Cunha – “O senhor Caos”, vivemos o avesso do avesso do avesso como diria o poeta Caetano. Qual o próximo ato?

A cartada que vem ai não se traduz apenas na substituição de um mandatário por outro, como no caso Dilma-Golpe parlamentar. O que se coloca em pauta nesse momento é o confronto social e político de duas metades da população brasileira. De um lado os vencedores com o produto do roubo ainda por dividir e de outro a expressiva maioria desta mesma população a cada dia mais empobrecida a procura de uma saída de como e até quando sobreviver. Essa divisão tem nome – Lula condenado, ou para muitos irresponsáveis “Lula na cadeia”. Não se trata de um caso parecido como Mandela, que na juventude optou pela luta revolucionária pegando em armas contra um regime opressor, até porque não tinha alternativa. Por consequência preso, não impedido, no entanto de atuar, como se viu, a partir do cárcere. Agora estamos diante de um senhor de 70 anos, cuja vida política e física já se consumiu. Corremos o risco de vê-lo morrer numa cela comum. E ai o Ato final torcida?

E ai que além de Luís Ignácio Lula da Silva não ter vinte e poucos anos, como Mandela no tempo de sua prisão, é preciso lembrar os motivos pelos quais Lula corre risco nesse momento – justamente porque se dedicou a construir um Brasil justo, popular, democrático e por essa razão criou contra si a ira de seus algozes. E quem são os personagens antagonistas, instrumentos para essa anomalia, ou mesmo essa covardia? Dois medíocres operadores do Direito que por motivos ainda não suficientemente esclarecidos se colocam no papel de traidores da Nação, ou até mesmo autores intelectuais da tragédia política e econômica que se aproxima se tamanha crueldade de consumar. Falamos de um promotorzinho aprendiz de Calvino e um juizinho de merda carola, com poder inimaginável que a Constituição “Cidadã” lhes contemplou. Inimaginável que a Carta Magna da Nação brasileira não tenha previsto casos de tamanha injustiça, recurso em grau superior que possa impedir esse erro. Pouco importa para os vencedores nesse luta hipócrita. No Direito Penal brasileiro, que antecede obviamente Constituição Brasileira, existem dois fatores predominantes – sem corpo não tem crime de morte, salvo quando entregue a cães famintos; sem produto do roubo não há furto ou roubo. Quais são os produtos do roubo na versão estúpida da dupla? Um apartamento e uma chácara e suas melhorias inclusas. Qual é a parte lesada? O patrimônio da União (da Petrobrás se preferirem). O que acontece com o que foi roubado quando se comprova um roubo? É devolvida a vítima. A pergunta é obvia – O tríplex e chácara serão devolvidos a União?

É claro que essa possibilidade não se cogita e tanto faz. Até lá 2018 estará concluído e Lula até poderá voltar pra casa, ou seus despojos entregues a família. Esse é o desfecho dessa tragicomédia bufa. Quem sabe uma tragédia latino americana em três atos, parodiando Sófocles.

Jair Antonio Alves
No GGN

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