6 de jun de 2017

Nem morta, santa!

O presidente impostor Michel Temer mandou seus cambonos – presidente do Senado Eunício de Oliveira e a revista Veja – avisarem o populacho de que só será arrancado do poder morto. Fala isso como se já não fosse um zumbi a vagar pelo terceiro andar do Palácio do Planalto.

O sujeito dado a ênclises e mesóclises também tem fascínio por colocações melodramáticas do tipo: “Não vou sair. Não vou renunciar. Vou recorrer até o fim. Se quiserem que eu saia, têm que me matar”. Bravatas deste quilate já foram proferidas por outros mandatários em apuros. Estão aí o Collor e o Renan Calheiros que não nos deixam mentir.

A grande mídia golpista, assim como o PSDB e os demais partidos da base aliada do atual governo bucaneiro resolveram depositar todas suas fichas no que irá decidir o Tribunal Superior Eleitoral – TSE -, nesta terça-feira (06/06). Acovardados transferiram para o tribunal a responsabilidade de se encontrar uma solução para a mixórdia em que se meteram e empurraram o País.

As ruas e as pesquisas de opinião roncam, a todos os pulmões, por eleições diretas já. A camarilha que ocupa a Câmara e o Senado Federal fazem ouvidos moucos. Continuam dando sustentação para o morto-vivo Temer continuar operando não só no escurinho das garagens do Palácio Jaburu, mas também nos bastidores das principais cortes da justiça brasileira. E, para isso, o seu outro cambono, Gilmar Mendes, não tem poupado esforços.

O principal avalista do peralta Aécio Neves que um dia sonhou em ser presidente da República, o “soba do tucanato” Fernando Henrique Cardoso, anda como era de se esperar, hesitante. Não sabe se pula da “pinguela de Temer” agora, ou se aguarda uma decisão adversa do TSE. Ficar em cima do muro está no DNA do PSDB. Nada, pois, com que se admirar, o PSDB sempre foi um “vacilão”.

Seja qual for a decisão do Tribunal Eleitoral, nesta terça (06/06), o País permanecerá atolado num mundo de incertezas. Se perder, Temer e sua camarilha já avisaram que irão recorrer até onde a procrastinação e as chicanes aguentarem. Se ganhar, sai fortalecido para enfrentar um possível processo de impeachment no Congresso que dificilmente será concluído até 2018.

Há, porém, a possibilidade de ministros do TSE afastarem este “cálice de fel” da frente deles, na sessão da noite desta terça-feira (06/06) ou na de quarta-feira, quando o caso prosseguirá. Um eventual pedido de vistas – individual ou mesmo coletivo – poderá jogar a decisão para o segundo semestre quando, espera-se, Temer já terá sido denunciado junto ao Supremo pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Nas inúmeras reuniões realizadas no eixo Brasília-São Paulo, no último fim de semana, a turminha de Temer chegou a conclusão que mesmo que o “homem da mala”, Rodrigo Rocha Loures, já tenha aberto o bico feito um rouxinol para o pessoal da Polícia Federal, o “estrago é contornável”. Nem mesmo depoimentos tipo “marca de batom na cueca” que Loures venha a fazer serão suficientes para tombar seu chefe. “Procrastinar” nos tribunais e no Congresso virou palavra de ordem.

O curioso – e revoltante – é que em nenhum destes cenários o interesse nacional foi levado em consideração. Todos – inclusive FHC – estão preocupados única e exclusivamente em salvar suas próprias peles. Sabem que a convocação de eleições diretas imediatamente poderá calcinar suas pretensões políticas para sempre.

Embora silencioso, o povo (leia-se eleitores) está enojado com tudo isso. Já deu para perceber que a Nação atolou numa das mais graves crises institucionais-políticas-econômicas de toda a sua história. As urnas poderão apeá-los do poder e mandar boa parte deles para a cadeia.

Este é o dilema enfrentado pelo Brasil: ou continua se submetendo aos interesses de um bando de ladravazes ou vai para as ruas e vira uma das mais tristes páginas da história desta República.

Arnaldo César é jornalista e colaborador do Blog.

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