29 de jun de 2017

Escola em Santa Catarina pede para alunos irem fantasiados de “favelado do Rio de Janeiro”

Caso foi revelado pelo pai de um aluno do 4º ano do Ensino Fundamental do colégio Fayal, de Itajaí, que recebeu um bilhete informando sobre a festa que dividiria a turma em duas classes sociais: de um lado os favelados e, de outro, médicos e advogados


O colégio Fayal, um dos mais tradicionais de Itajaí, em Santa Catarina, enviou um bilhete aos pais e responsáveis de alunos do 4º do Ensino Fundamental com instruções para fantasiar as crianças de “favelados do Rio de Janeiro” para a “Festa de Integração”.

Nas instruções, o colégio pede para que os alunos que vão representar os “favelados” sejam vestidos com bermuda, chinelo, boné e óculos, reforçando um esteriótipo do que é ser morador de favela. A proposta do colégio ainda seria dividir a turma em duas classes sociais. Uma delas seria composta por crianças vestidas de advogados e médicos.


O caso foi revelado por Willian Domingues, pai de um dos alunos que diz ter nascido em uma favela.

“Desde quando FAVELADO é fantasia? Eu nasci em uma favela, cresci na periferia de São Paulo e ainda assim não sei que traje é esse de “favelado”. Sempre ensinamos os nossos filhos a não terem nenhum tipo de preconceito e não julgar as pessoas pelo que elas vestem ou tem, mas sim pelo que o caráter. Fazemos o impossível, trabalhamos duro para colocá-los em uma escola particular, para que tenham um ensino melhor do que o que o governo oferece e aí chega um bilhete desse na agenda?”, escreveu Willian em seu Facebook na noite desta quarta-feira (28), junto com a foto do bilhete enviado pela escola. 

Em nota, o colégio pediu desculpas pelo bilhete “equivocado” e tentou explicar a situação.

Confira abaixo.

Viemos através desta transcrever nossos mais sinceros pedidos de desculpas ,pois ainda que possamos ter explicações, reconhecemos a inadequação de uma frase descontextualizada.Ouvimos cada um de vocês, e explicamos o contexto da ação. Jamais teríamos a intenção de criar estereótipos. Nosso espírito educacional é sempre na intenção de realizar ações que possam somar com a comunidade. É de prática cotidiana o acolhimento e humanização a nossos alunos, famílias e funcionários. Houve um sério equívoco no bilhete enviado às famílias dos quartos anos e que separado do contexto a que pertencia tornou-se inaceitável. Esclarecemos que a atividade proposta foi na verdade baseada na canção “Alagados” do conjunto Paralamas do Sucesso, onde é citado a Favela da Maré, uma das maiores do Rio de Janeiro, onde vivem hoje 130 mil pessoas, em comunidades que se estendem entre a avenida Brasil e a Linha vermelha – duas das mais importantes vias de acesso à cidade. Não viemos criar muros e sim trabalhar e expor estes movimentos de cidadania e inclusão.

Não aceitamos racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes. Nossos 55 anos de história atestam esta postura. Convidamos a todos para acompanharem o nosso trabalho que sempre privilegiou os valores e reafirmar que repudiamos toda e qualquer forma de exclusão. Contamos com a compreensão nesse momento e as providências internas já foram tomadas. Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos cada vez mais intolerantes e intransigentes nesse sentido.Enfrentaremos esse momento com humildade e o superaremos, fica o aprendizado.

Atenciosamente,

A Direção

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