15 de jun de 2017

Acordo para Temer receber R$ 50 milhões de propina ganha novo capítulo


A comissão do Senado aprovou, nesta terça-feira (13), os nomes dos dois indicados pelo governo Michel Temer: Alexandre Barreto e Maurício Bandeira Maia a assumirem, respectivamente, a Presidência e o colegiado do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A troca nos postos do Cade foi tema de conversa grampeada entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer.



O grupo econômico J&F tinha interesse em uma disputa entre a Petrobras e uma termelétrica do grupo que tramita no Cade. Pela negociação com Temer, por meio de seu assessor e deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o empresário acertou o pagamento de propina de 5% ao mandatário sobre o lucro da Operação da Usina EPE em Cuiabá, durante aproximadamente 20 anos. O acordo renderia a Temer cerca de R$ 50 milhões.
A propina, segundo o delator Joesley Batista, era a contrapartida para o governo autorizar e auxiliar na pressão sobre o Conselho Administrativo de Defesa Econômica para "afastar o monopólio da Petrobras do fornecimento de gás para termoelétrica do Grupo J&F". Loures chegou a telefonar para o então presidente interino do Cade, Gilvandro Araújo, diante de Joesley, pedindo a intervenção. 
O empresário dono da JBS então "prometeu, caso a liminar fosse concedida, 'abrir planilha', creditando em favor de Temer 5% desse lucro" e "Rodrigo [Rocha Loures] aceitou", disse Joesley Batista no acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República. Loures disse a Batista que a proposta do pagamento seria levado ao "presidente", no caso Temer.
Na conversa que teve com o próprio mandatário, em março deste ano, Joesley mencionava a intenção de intervir no Cade. Perguntou a Temer, no Palácio do Jaburu, se a presidência do Conselho já havia sido alterada e obteve do presidente da República a resposta afirmativa.
Um mês após essa conversa, Temer oficializou as indicações de Barreto e Maia ao Cade, que nesta terça-feira foram aprovadas por comissão do Senado. Os indicados possuem formação e carreira na administração pública, são servidores com histórico de trabalhos em governos e no próprio Senado, o que motivou a desconfiança de parlamentares da oposição, uma vez que seus currículos diferem dos membros do Cade.

Patricia Faermann
No GGN

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