16 de jun de 2017

A bala de festim da IstoÉ contra Janot


A capa da IstoÉ desta semana – “As pressões indevidas de um procurador chamado Janot” - é relevante apenas por demonstrar didaticamente a deformação jornalística do princípio de Arquimedes: dê-me uma notícia e um ponto de apoio na mídia que eu reconstruirei a história.

A reportagem se baseia em um grampo sobre o procurador Ângelo Goulart, preso por receber dinheiro da JBS para vazar informações. Na outra ponta, a procurador potiguar Caroline Maciel, diretora da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), oposição a Janot.

Na conversa, ela alerta Ângelo que Janot estaria perseguindo os procuradores simpáticos à candidatura de Raquel Dodge, que ela seria a preferia de Michel Temer e que Janot teria denunciado o senador Agripino Maia apenas por ter manifestado simpatia por Raquel.

Como todo sub-produto jornalístico, juntam-se alguns pontos verdadeiros – trechos do diálogo –e embrulham-se nas interpretações que são do interesse da repórter e da publicação. Na reportagem, Janot estaria perseguindo Temer devido ao fato de ele supostamente preferir Raquel Dodge para PGR. E teria solicitado a prisão de Ângelo apenas por supor que ele seria a favor de Raquel.

O resultado final é o seguinte:

1.     Se isso é tudo o que Michel Temer e Aécio Neves tem contra Janot, ele passa incólume. E até sai engrandecido, como vítima de uma jogada baixa sem credibilidade.

2.     O diálogo compromete a candidatura da respeitada Raquel Dodge, ao insinuar que ela seria apoiada por Temer e Agripino. Tudo indica que Raquel foi o alvo dessa armação .

O melhor a fazer em relação à reportagem de Débora Bergamasco é ignora-la. É o que provavelmente fará o restante da mídia.

Luís Nassif
No GGN

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