25 de mai de 2017

Rio dá o primeiro sinal concreto de convulsão social no Brasil


Materializaram-se no centro do Rio os primeiros sinais da grande convulsão social que vem sendo anunciada por cientistas políticos e economistas, inclusive por mim, como consequência da crise econômica e política sem precedentes em que estamos mergulhados. Presenciamos a consequência direta do aumento do desemprego, da contração da economia por três anos seguidos, do estrangulamento dos serviços públicos estaduais, da ação inexperiente e estúpida da Lava Jato que não conseguiu separar empresários de empresas levando virtualmente à bancarrota cadeias produtivas de centenas de empresas.

A receita fiscal desaba e o Governo comandado por Meirelles corta gastos reais do setor público enquanto defende os interesses dos banqueiros e financistas cobrindo com déficits gigantescos as despesas com juros estratosféricos. É um acinte. Jamais tivemos situação similar em nossa história. O Rio, duplamente estrangulado pela dívida junto à União e a queda da receita do petróleo, juntamente com a queda de receitas devida à depressão geral, tornou-se a vanguarda do caos para o qual inexoravelmente caminha todo o país. Como o resto do país, está nas mãos de uma canalha neoliberal, cuja menor culpa é a corrupção.

Sim, que se some todo o dinheiro roubado e manipulado desde o mensalão ao petrolão, acrescentando-se o dinheiro da carnificina política promovida pela JBS, e estaremos longe, muito longe dos quase 8% do PIB retirados da riqueza de todos os brasileiros em dois anos, aos quais virá se acrescentar mais um ano de contração já contratada. Para um país em desenvolvimento, é uma tragédia. Achar que isso não tem consequências sociais faz parte da ignorância da classe dominante e da indiferença das elites políticas. Já estamos mergulhados em convulsão social. Não é impossível que a situação se converta em guerra civil.

O domínio por bandidos do centro do Rio, perto de duas delegacias policiais e de um comando do Exército, é a indicação mais óbvia de que já estamos no meio caos. Houvesse aqui um Lênin com um partido comunista revolucionário organizado e, na desordem absoluta, alguém gritaria: “todo o poder aos sovietes!”. É fato que isso está de alguma forma ultrapassado, assim como está ultrapassada uma intervenção militar convencional para o restabelecimento da ordem, na medida em que a fonte da desordem dessa vez, diferente de 64, não é a suposta ameaça comunista, mas é a própria classe dominante e as elites políticas dirigentes.

Como eu, o senador Roberto Requião vem advertindo para o risco de convulsão social e guerra civil no Brasil. Infelizmente, cresce a possibilidade disso. Hordas de desempregados, em busca de subsistência para si e para  a família, já estão subindo as favelas do Rio e de São Paulo estabelecendo articulações com o tráfico. Sabe-se que o tráfico, por sua vez, reforçou seu suprimento de armas de grande poder ofensivo mediante compras  da antiga guerrilha colombiana que está se despojando delas no processo de paz.  Gente, armas, desespero. Acaso é preciso outros elementos para deflagrar uma convulsão social?

O Estado do Rio não tem governo. O acordo em relação à dívida imposto pelo Governo federal, e aprovado por um Congresso incompetente e indiferente, tem como único objetivo forçar a privatização de ativos estaduais, no caso fluminense a Cedae. Não traz qualquer contribuição positiva ao povo.  Mantém a falência dos serviços públicos. Contribui, sim, para enriquecer os piranhas da privatização da água. Diante de tamanha traição aos cidadãos brasileiros e fluminenses não será surpresa que a associação desempregados/tráfico/milícias venha, por linhas transversas, vingar por nós, os alienados, o esbulho que está sendo feito contra a Nação.

Há saída? Sempre haverá. Mas que nenhum grupo ou partido pense que poderá sair dessa com ganhos absolutos impondo a outros derrotas absolutas!

J. Carlos de Assis
No GGN

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