5 de mai de 2017

Outra carta da Dorinha

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, não revela sua idade e diz que não comemora mais aniversário “para não banalizar a data”. Nega, no entanto, que ela e o Ruy Barbosa “ficaram” durante uma festinha no Catete. Depois de tantas plásticas Dorinha está pensando em fazer um teste de DNA para saber se ela ainda é ela, pois desconfia que só o que sobrou de autêntico foi o botox. Dependendo do resultado do teste, se lançará como candidata à Presidência da República, já que a Lava Jato respingou em todos os possíveis candidatos homens e, segundo Dorinha, se a História do Brasil prova alguma coisa é que presidente homem não dá certo. “Cromossomo não é neurônio” é outras das suas frases de campanha; Ela procura o apoio de uma sigla decente, já que as indecentes estão todas comprometidas. Espera formar uma coligação, sendo esta a primeira vez na sua vida em que pede uma aliança sem precisar dizer que está grávida. Sua campanha... Mas deixemos que a própria Dorinha nos conte. Sua carta veio, como sempre, escrita com tinta roxa em papel violeta, cheirando a “Mange Moi”, um perfume condenado pelo Vaticano.

“Caríssimo: beijíssimos! Sim, minha campanha está nas ruas, seguida, por enquanto, apenas pelos cachorros. Nas pesquisas estou empatada com não sabem ou não quiseram opinar. Mas as pesquisas são falhas: ignoram um grande segmento da população, formado por todos os meus ex-maridos. (No momento, por sinal, estou livre como um táxi, e só aceitando corridas curtas). Contratei um marqueteiro para orientar minha campanha, mas o despedi depois que ele sugeriu que eu me apresentasse com os netos, para ganhar o voto coisa mais fofa. Eu sempre disse que netos são iguais às rugas para mostrar a idade, com a diferença que para as rugas tem cremes. Vou cuidar da minha própria imagem na TV, expondo meu ideário político e econômico (por exemplo: sempre achei que não há nada de mal com a concentração de renda se for feita com bom gosto) e os meus seios. Quero ver um candidato homem fazer o mesmo sem recorrer ao silicone. Para concorrer em 2018, só sobrarão candidatos que a Odebrecht não quis comprar, o que nos leva a indagar se não tem algum defeito. Sobrarão candidatos probos e retos. Quer dizer, tão chatos que, quando falam em comícios, o público aplaude microfonia. Enfã, estou na luta e espero o seu voto. Da tua Dorinha”.

Luís Fernando Veríssimo

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