14 de mai de 2017

Michelzinho e a babá do Temer


Sem qualquer comentário ácido, a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, deu uma curiosa notícia neste domingo (14):

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O Palácio do Planalto emprega uma babá de Michelzinho, Leandra Brito, como assessora do Gabinete de Informação em Apoio à Decisão (Gaia), órgão responsável por municiar o presidente da República com dados para a tomada de decisão.

Leandra diz não ser babá do menino, mas não sabe precisar o que faz no palácio.

- O Michel não tem babá. Ele é uma criança como outra qualquer. Minha função é assessorar dona Marcela e o presidente em toda e qualquer situação - afirma Leandra.

Ela não deu, entretanto, nenhum exemplo do tipo de assessoramento.

Leandra dá expediente no Palácio do Jaburu ou em viagens da família Temer, como na Páscoa, quando os acompanhou para São Paulo, ou no réveillon, quando viajou para uma reserva da Marinha no Rio de Janeiro. Recebe R$ 5.194 mensais, fora as diárias referentes às viagens.

O Palácio do Planalto diz que a funcionária está sendo transferida do Gaia para o staff que serve à família do presidente, o que ainda não teria acontecido por questões burocráticas.

Já Temer afirma que Leandra é alguém por quem o filho “se afeiçoou” e que Michelzinho, de 8 anos, “não precisa de babá”.

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Se a babá fosse do netinho da ex-presidenta Dilma, deposta pelo golpe dos corruptos que alçou ao poder a gangue de Michel Temer, todos os veículos da famiglia Marinho já estariam fazendo o maior escândalo. Mas a babá é do Michelzinho, por quem o menino de oito anos “se afeiçoou”. É certo que o pobrezinho já tem imóveis em seu nome no valor de R$ 2 milhões, mas ele ainda não pode usar a grana para pagar a acompanhante. Já o pai, que promoveu regabofes em Brasília e garfou milhões da Odebrecht, talvez não possa usar a dinheiro do Caixa-2 para estes afazeres domésticos. E a mãe, a Marcela, gasta todas suas energias com o programa “Criança Feliz”, que até agora não deu nenhum resultado, mas deixa o seu filho mais feliz ainda.

A confusão entre o público e o privado, tão comum entre os patrimonialistas que assaltaram o poder, não se resume à babá do Michelzinho. Já teve o caso dos 500 sorvetes Häagen-Dazs e de outras guloseimas contratadas para os voos da família golpista. Já teve a milionária reforma do Palácio do Alvorada, que depois foi abandonado porque o usurpador disse ter medo de fantasmas. Tem também a sinistra história dos gastos com a “vice-presidência”, que não existe. Só nos primeiros meses deste ano, o usurpador desembolsou R$ 361,8 mil dos cofres públicos para manter um gabinete que não tem ocupante. A despesa no período foi superior à realizada pela Secretaria de Governo, responsável pela negociação com o parlamento e que gastou R$ 17,9 mil, e pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, cujo gasto foi de R$ 33,3 mi

Mas, como alertou Fernando Brito, do imperdível blog Tijolaço, o gasto com a babá do Michelzinho e com outras mutretas não é nada se comparado ao maior assalto já promovido aos cofres públicos nos tempos recentes. “O emprego de Leandra Brito vai chocar porque é um arranjo destes que não se deveria fazer, mas a moça é um nada perto do papel que o governo faz como babá dos banqueiros e dos rentistas, marmanjos mimados de quem faz todas as vontades... Os R$ 5 mil mensais que o patrão de Leandra tira do Erário para pagá-la são, de fato, uma gotícula perto do que dele vaza para nutrir os meninos do dinheiro: no Orçamento deste ano, prevê-se para eles um ‘leitinho’ de R$ 1,356 trilhão – 47% de toda a despesa do poder público brasileiro ou quase 23 milhões de babás, se estas ganhassem o salário daquela moça”.

Altamiro Borges

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