24 de mai de 2017

Caso Reinaldo Azevedo: solidariedade com puxão de orelhas

Galeria 33° Prêmio Abril de Jornalismo: Reinaldo Azevedo e Renato Dutra
Pablo Neruda descreve, muito bem, qual é a situação atual do blogueiro ex-Veja: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro de suas consequências”.

Liberdade é uma palavra que Azevedo diz apreciar por demais, infelizmente mais para justificar uma postura desprezível do que para buscar um sistema onde as pessoas possam, efetivamente, gozar de sua plena liberdade sem consequências desastrosas para seus pares.

Livre, leve e solta esteve a Veja, hoje, para aceitar a demissão de um dos seus ícones e, justiça seja feita, pautada por uma tremenda injustiça. Não vou mentir, eu até abriria um vinho para comemorar ações que diminuam o alcance de alguém que fale e escreva tanta bobagem, mas o método que culminou na queda de Azevedo foi por demais nefasto ( mais repulsivo que seus textos medonhos), portanto, não há o que comemorar.

Solidariedade ao Tio Rei, com justiça, já li aos montes : desde Pablo Villaça – que deixou Cannes de lado para escrever no Face – até Fernando Brito, no Tijolaço, passando, também, por Renato Rovai (Revista Fórum),  Kiko Nogueira (DCM), o Pulitzer Glenn Greenwald (The Intercept), o pessoal do Jornalistas Livres e [spoiler alert] meu amigo do peito e chefe, editor do Cafezinho Miguel do Rosário que deve soltar um texto daqui a pouco.

Enfim, a blogosfera progressista é, com razão, unânime na solidariedade à Reinaldo contra o absurdo que o MP promoveu ao divulgar escutas que nada tem a ver com os autos do processo em questão.

Contudo, não posso deixar escapar esse momento para, no mínimo, pedir uma reflexão a Reinaldo e seus fãs, afinal,não adianta somente ser solidário sem tentar, efetivamente, melhorar o conjunto de consequências que levaram a prática injusta. E, nesse sentido, a grande realidade é que Azevedo e seus seguidores são fortemente responsáveis pela sistema injusto que os puniu.

Em outras palavras, eles foram picados pela serpente que ajudaram a chocar  e aqui, objetivo como o BuzzFeed, estão alguns motivos.

1 – Defesa do grampo entre Lula e Dilma

Em sua nota, Reinaldo reclama (com autoridade) sobre a divulgação ilegal do grampo o qual foi vítima, chegando a argumentar “se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é crítico ao trabalho da patota” .Pois é, quando a grampeada foi a presidenta Dilma, e a divulgação (também ilegal) foi feita por Moro para barrar Lula, Azevedo defendeu com unhas e dentes.

Hoje, Reinaldo é vítima do método que tanto utilizou para o seu desejado Golpe.

2 – Ataque aos Movimentos Sociais

Desde o começo, a Lava-Jato tem sido denunciada por tentar promover o “estado policial” que Reinaldo se referiu em sua nota. Contudo, quando a operação era de interesse do jornalista, ele não poupou palavras para atacar movimentos sociais, como a FUP e o MTST de Boulos, que, naquele momento, já denunciava o que Azevedo descobriu outro dia.

Hoje, Reinaldo é vítima do estado policialesco que o ajudou a construir.

3 – Pedido de Impeachment no dia da vitória da Dilma

Uma das virtudes cruciais de democratas é saber perder, afinal, não há República que aguente atores políticos que fazem da derrota uma vingança, pois a instabilidade gerada deixa o país ingovernável. Mesmo assim, Azevedo não poupou esforços para derrubar Dilma desde o primeiro dia de sua vitória (foi o comentário do blogueiro “tem um Youssef no meio do caminho” que descambou para a discussão do impeachment na TVeja, no dia da vitória petista).

Hoje, Reinaldo é vítima da instabilidade que ajudou a criar.

4 – Capas da Veja “nojentas” já tiveram aos montes

Nem precisa escrever muito aqui. A Veja quase decidiu o pleito de 2014 a favor do Aécio, com a capa mais criminosa da história – a tal “eles sabiam de tudo” – sem o mínimo de verdade factual, servindo, apenas, de panfleto tucando pré votação. Reinaldo defendeu a Veja e a  capa quando foi conveniente.

Hoje Reinaldo é vítima de uma mídia canalha que ele ajudou a criar.

5 – Para barrar Lula como ministro, poderes ao Ministério Público

Quando Dilma tentou emplacar Lula como ministro, e recebeu uma forte interferência de sua prerrogativa como chefe do executivo, tanto do judiciário ( com Mendes sempre ele), quanto do parecer de Janot, Reinaldo curtiu. O jornalista chegou a pedir que o MP interviesse “clamando pela importância das instituições”. Pois é, Tio Rei, quem tem poder para barrar posse de um ministro, amigo, faz o que quer com um jornalista.

Hoje, Reinaldo é vítima dos “superpoderes” institucionais que ele ajudou a fomentar  

6 – Críticas a Lula na Onu

Que a Lava-Jato montou um estado de exceção nós estamos cansados de saber. Tanto é que Lula denunciou as práticas de Moro a ONU, para ver se os olhos internacionais jogavam alguma luz para a obscuridade que havia tomado conta do nosso judiciário. Naquela ocasião, Reinaldo preferiu defender as atitudes fascistas de Moro ao invés de dar razões às preocupações do ex-presidente. 

Hoje, Reinaldo é vítima do estado de exceção que ajudou a proteger.

7 – As mortes de Lula

Reinaldo “matou” Lula duas vezes, aqui e aqui. Lula, hoje, é a principal vítima da Lava-Jato e, sobretudo, a única esperança de curto prazo que o país tem de sair do caos institucional e barrar o avanço da ditadura jurídica, afinal, o único réu que tem força e coragem para peitar a república de curitiba é o ex-presidente. 

Ou seja, hoje, Reinaldo precisa de Lula vivo para sobreviver. 

Nessa história do Azevedo, talvez, nem Neruda conseguiria ser tão poético.

Tadeu Porto
No Cafezinho



Em 2016, Reinaldo Azevedo defendeu grampo e quebra de sigilo contra Dilma

Reinaldo Azevedo divulgou uma nota criticando a violação da garantia constitucional do sigilo de fonte.
Foto: Reprodução/Youtube
A Procuradoria Geral da República anexou, em inquérito da Operação Lava Jato, o conteúdo de conversas gravadas por interceptação telefônica entre o jornalista Reinaldo Azevedo, que mantem um blog na revista Veja, e Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves. Nestas conversas, Reinaldo Azevedo critica uma reportagem da Veja e a atuação do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Após a divulgação do fato, pelo site Buzzfeed, Reinaldo Azevedo anunciou que estava pedindo demissão da Veja e divulgou uma nota criticando a violação da garantia constitucional do sigilo de fonte e alertando para a instauração de um estado policial no país.

Já no dia 18 de março de 2016, em um episódio similar, o mesmo Reinaldo Azevedo defendeu a divulgação do conteúdo do grampo que atingiu a então presidenta da República, Dilma Rousseff (PT). Naquela ocasião, em um post intitulado “Dilma Rousseff quer prender Sérgio Moro, e eu quero prender Dilma Rousseff”, o jornalista escreveu em seu blog na Veja:

“Dilma não foi grampeada. Grampeados foram outros entes e pessoas que estão sob investigação. O problema é que eles todos estavam em linha direta com a presidente da República. (…) Não se tratou de escuta ilegal, mas legalmente determinada. A quebra do sigilo dessas mensagens, dado o contexto, é plenamente justificada. A única área de debate será o uso das gravações feitas quando já suspensa a quebra do sigilo. Muito provavelmente, não poderão ser empregadas como prova.”.

No Sul21



Memorial do rola-bosta


Eu invejo a maneira como muita gente, sobretudo na esquerda, entra em modo republicano assim que uma figura abjeta como Reinaldo Azevedo cai em desgraça.

Invejo, juro, essa pureza d’alma, essa compaixão cristã, essa energia namastê.

Porque, impuro que sou, depois de ouvir os diálogos de Reinaldo com Andrea Neves, aquela conversa de comadres ornamentada com troca de poemas decorados de almanaques de farmácia, não vi nenhuma relação repórter/fonte.

Vi, sim, um bajulador compulsivo com uma bandida revelada numa prosa imoral, como bem cabe a ambos.

Vi o irresponsável de extrema-direita de sempre, o rato que estimulou o ódio de classe e a indigência jornalística para se projetar no esgoto a céu aberto da mídia e, com isso, ganhar o dinheiro e a fama que jamais atingiria pelos méritos profissionais, repórter medíocre e irrelevante que sempre foi.

Agora, querem transformá-lo num mártir da liberdade de imprensa.

Então, apenas para registro, deixo aqui minha opinião definitiva sobre esse episódio: eu quero mais é que Reinaldo Azevedo e sua turba de dementes se afoguem na merda, para sempre.

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