26 de mai de 2017

Autoridades suíças afirmam que mulher de Cunha tinha senha de conta. Mas não vem ao caso


O cerco da Operação Lava Jato ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha(PMDB-RJ), ganhou novos elementos nesta quinta-feira. A Justiça da Suíça bloqueou quatro contas secretas pertencentes a Cunha (PMDB-RJ), e sua mulher, Cláudia Cruz. 


A quantia congelada chega a 5 milhões de dólares, de acordo com o jornal O Globo, e a suspeita é que o montante seja fruto de pagamentos de propina. O valor coincide com o citado por um dos delatores da Operação Lava Jato, Julio Camargo, que em seu depoimento afirmou que o deputado cobrou esta quantia para viabilizar um negócio entre a Petrobras e uma empresa. É a mesma soma mencionada também na denúncia do Ministério Público Federal, enviada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal.

O depoimento de outro colaborador da Justiça, o suposto operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras João Augusto Resende Henriques, também reforça a suspeita de que as contas pertençam de fato a Cunha. O delator afirmou na semana passada ter feito depósitos no exterior que tinham o presidente da Câmara como destinatário. Em depoimento à CPI da Petrobras no início do ano, Cunha negou ter dinheiro fora do país.

De acordo com as autoridades suíças, as contas foram abertas em nomes de empresas offshores – sediadas em paraísos fiscais com pouco ou nenhum controle sobre a procedência do dinheiro – mas eram operadas por Cunha e sua mulher. Este tipo de operação financeira é frequentemente usada para burlar o pagamento de impostos ou lavar dinheiro fruto de atividades criminosas.

O parlamentar tinha uma viagem à Itália programada para o final desta semana, mas desistiu alegando ter um outro compromisso no Brasil, o casamento do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ele negou que a desistência tenha relação com as contas atribuídas a ele pelas autoridades suíças. “Era uma viagem muito comprida, (…) e faria apenas um discurso no evento. Achei que seria muita corrida para um evento que não tem tamanho que justificasse”, disse nesta quinta-feira.

Até o momento, cinco delatores da Lava Jato já afirmaram que Cunha recebeu propina para facilitar negócios de empresas com a estatal petroleira. Ainda assim, o peemedebista mantém seu poder na Câmara e tem acossado o Governo.

Em nota, os advogados do parlamentar disseram que “a defesa do deputado Eduardo Cunha desconhece qualquer procedimento investigatório realizado naquele país [Suíça]. Por tal razão, está impedida de tecer comentários acerca dos supostos fatos noticiados”. Além disso eles afirmam que estão prontos a “prestar os devidos esclarecimentos que se façam necessários, mas mantendo a sua postura de se manifestar exclusivamente nos autos de processos”

No Esquerda Valente

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