9 de mai de 2017

Após ser solto, Dirceu é alvo de acusações infundadas sobre offshores

Sem provas ou conexões, o ex-ministro foi associado a nome ligado a offshore no Panamá: uma antiga barrigada do Jornal Nacional


Imediatamente após ser solto pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), José Dirceu voltou para a mira das acusações na Operação Lava Jato e na imprensa. Neste domingo (07), o ex-ministro foi associado a um dos nomes ligados a offshores no Panamá, no caso das empresas de fachada ligadas ao escritório Morgan & Morgan.

Com o intuito de indicar que o petista estaria ligado às empresas de fachada, o Estadão recuperou a barrigada que o Jornal Nacional cometeu há quatro anos, quando Dirceu havia sido contratado para trabalhar no hotel de Brasília St. Peter.

À época, o telejornal da Rede Globo publicou, em tom de denúncia, uma reportagem contra os proprietários do empreendimento, por terem oferecido emprego ao então condenado na Ação Penal 470, o chamado mensalão, por um salário de R$ 20 mil. 

Com o intuito de tentar desvendar irregularidades, o jornal se deparou com informações inconsistentes, mas ao contrário do esperado, sem nenhuma relação direta com o petista. Ao buscar sobre os proprietários do hotel, no Panamá, descobriram que o empreendimento era controlado por uma offshore no paraíso fiscal, e tinha como registro o nome de um suposto laranja, Jose Eugenio Silva Ritter.

Em tom de denúncia, o Jornal Nacional anunciava que o suposta laranja estaria ligado a Dirceu, ainda que sem nenhum indício a respeito. Novamente cometendo a mesma falta de apurações, o Estadão publicou a notícia neste domingo: "‘Laranja’ no Panamá é elo entre Dirceu e outros alvos da Lava Jato".

A matéria novamente insiste que o tal laranja, José Eugênio da Silva Ritter, era a ponte entre todos os supostos criminosos da Operação Lava Jato: José Dirceu, Pedro Barusco e o ex-gerente da Petrobras, Edison Krummenauer. "[Eles] têm em comum suspeitas sobre a utilização do mesmo esquema para a abertura de empresas em paraísos fiscais".

Com o mesmo erro, o jornal omite o fato de que o tal laranja, o cidadão panamenho José Eugenio Silva Ritter, que foi usado como a ponte para os "criminosos" da Lava Jato, aparece ligado a nada menos do que mais de mil empresas relacionadas ao escritório Morgan & Morgan, conhecido como um grande lavador de dinheiro.

A notícia do Estadão seria que documentos entregues para a equipe de investigadores da Lava Jato "dão conta de que ambos os agentes da estatal utilizaram o mesmo ‘laranja’ indicado pelo escritório Morgan & Morgan".

O uso das empresas laranjas no Panamá foi alvo de indícios uma vez que o próprio ex-executivo da estatal Edison Krumennauer em acordo de colaboração premiada admitiu ser representante de uma das empresas abertas no país para a lavagem de dinheiro e remessa de propinas. Neste caso, ele foi obrigado a pagar mais de R$ 4,5 milhões em multas e a devolução de US$ 3,4 milhões depositados na Suíça.

Da mesma forma, Barusco também foi acusado de recebimento de recursos por empresas offshores no Panamá. Uma das empresas teria recebido US$ 11,2 milhões de propinas e outra US$ 7,2 milhões. Já Dirceu não teria nenhuma conexão com tais empresas, e o Estadão deixou a informação em aberto, conseguindo mencionar apenas que "uma das filiais da JD Assessoria, apontada como empresa utilizada para receber propinas a José Dirceu, chegou a ser registrada no Panamá no mesmo endereço do escritório Morgan & Morgan".

Assim, de forma completamente genérica e sem indícios, o Estadão afirma que o panamenho José Ritter "é a ligação entre os alvos da Lava Jato". Nesse meio inconclusivo, o único dado concreto é a de que offshores teriam sido usadas pelos investigados da Lava Jato, o que não é notícia, uma vez que a informação já era de conhecimento público desde o início das apurações.

Patrícia Faermann
No GGN

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