28 de mai de 2017

‘Aécio virou uma sarna em cima do Joesley’, diz executivo sobre propinas

Ricardo Saud, da J&F, afirmou à Procuradoria-Geral da República que senador saiu endividado da campanha de 2014 e que o próprio tucano, sua irmã e seu primo ligavam '24 horas por dia' para pedir dinheiro


O executivo da J&F Ricardo Saud afirmou, em delação premiada, que após a campanha de 2014 Aécio Neves (PSDB-MG) ‘saiu endividado’ e que o tucano, seu primo, Frederico Pacheco, o Fred, e sua irmã, Andrea, ligavam ’24 horas por dia’ para pedir propinas. O jeito para se livrar, por um período, das solicitações do tucano, foi, segundo delatores, comprar a antiga sede do jornal Hoje em Dia, em Minas.



Delação cita publicidade como propina a Aécio

“Estamos tentando vender pela metade do preço e não vende. Está a venda. Não precisávamos dele, nada, foi único e exclusivamente para atender os interesses do senador Aécio”, afirmou Saud.




De acordo com a JBS, a pedido de Aécio, foi feito um caixa de aproximadamente R$ 100 milhões para ‘comprar apoio de partidos’ ao tucano nas eleições presidenciais em 2014. Logo no início das tratativas, como relatou Ricardo Saud, Joesley Batista teria advertido Aécio ao aceitar dar ajuda com propinas para as legendas:

“O Joesley falou: ó, você não resolveu nada pra mim. 12 anos lá e nunca deu conta de fazer nada. Vou tentar te dar o crédito mais uma vez. E ainda falei pra ele: vou fazer pra você igual fiz com o Marconi Perillo. Cansei de dar dinheiro pro Marconi Perillo através do Jayme Rincon e o Marconi Perillo nunca fez um nada pra mim no estado de Goiás. vocês, do PSDB são todos a mesma coisa. Vocês vem, com essas almofadinha, todos arrumadinhos e depois somem da gente e não faz mais nada”.

Os delatores da JBS dão conta de que a compra de apoio partidário se deu por meio de doações oficiais aos diretórios das legendas e prestação de serviços fictícios, além de dinheiro em espécie. PTB, Solidariedade, DEM, PTN, PSL, PTC, PSC , PSDC , PMN, PT do B, PTN, PL, PTC são citados como os partidos ‘comprados’ com os R$ 100 milhões da JBS para a campanha de Aécio Neves.

Ao fim das eleições, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) acabou reeleita, e , segundo os delatores, o tucano, ‘endividado’. As tratativas para pedido de propinas, então, teriam se intensificado. “O Aécio então entrou numa loucura, que eu acho que todo mundo correu dele”.

“Um dia precisou de um amigo comum do Aécio e do Joesley ir atrás do Joesley para pedir para atender a irmã do Aécio. Pra você ver ao ponto que chegou de desespero. A gente não conseguia mais. Depois, ainda tivemos mais 2 milhões, que pagamos em espécie agora há pouco tempo”, relatou.

Os R$ 2 milhões, entregues em espécie, aos quais o delator se refere, foram alvo de ação controlada da Polícia Federal. À época do depoimento, Aécio, seu primo, Frederico Pacheco e sua irmã, já eram investigados e os repasses foram filmados.

Joesley Batista disse ainda ter repassado R$ 17 milhões a Aécio Neves por meio da compra superfaturada do prédio em Belo Horizonte, de propriedade de um aliado do senador. “Precisava de R$ 17 milhões e tinha um imóvel que dava para fazer de conta que valia R$ 17 milhões”, afirmou.


Ao Estado, Flávio Jacques Carneiro, dono da editora responsável pelo veículo à época da transação, confirmou a venda realizada, em 2015, pelo valor de R$ 17,3 milhões, do prédio onde ficava o jornal Hoje em Dia, mas reiterou que o valor não foi repassado a Aécio Neves, e sim para quitar dívidas do jornal, ‘tais como salários de funcionários, pagamentos de fornecedores, tributos e contratos de empréstimos que financiavam a operação do Jornal, estando devidamente contabilizado na empresa Ediminas’.

Outro documento entregue pela JBS é referente a um contrato de R$ 2,5 milhões, que a empresa firmou com a Bel Editora. Segundo os delatores, o valor também foi estabelecido por Aécio Neves. Flávio Carneiro, dono da Ediminas à época da negociação, nega o envolvimento do tucano na negociação, e reitera que a publicidade foi declarada ao fisco.

Flávio Jacques Carneiro esclarece que a venda do prédio onde funcionava o Jornal Hoje em Dia, realizada em setembro de 2015, aconteceu dentro da legalidade com assinatura de contrato e escritura entre a Ediminas e a J&F Investimentos.

Os contratos entre a J&F e a Bel Editora, que controla a Ediminas, também estão nas mãos da Procuradoria Geral da República.


Com a palavra, Aécio Neves

São falsas as declarações dadas por Joesley Batista e Ricardo Saud, que atuaram em seus depoimentos como verdadeiros atores na tentativa de construir uma narrativa que sustente a história criminosa que fabricaram para ganhar os benefícios da delação e sobre a qual não apresentaram provas concretas. O senador Aécio Neves prestará à Justiça, por meio de sua defesa, todos os esclarecimentos sobre os assuntos mencionados e reitera que jamais recebeu propinas ou defendeu interesses da JBS, como o próprio Saud admite na declaração dada de que : “Aécio nunca fez nada por nós”.

Assessoria do senador Aécio Neves

Com a palavra, Paulo Vasconcelos

“Paulo Vasconcelos firmou um contrato com a JBS e todos os serviços previstos foram honrados. Não houve emissão de notas frias – nem mesmo o delator fala isso em seu depoimento. A lisura da sua conduta será provada na investigação”

Assessoria de imprensa da PVR

Com a palavra, Flávio Jacques Carneiro

Flávio Jacques Carneiro esclarece que a venda do prédio onde funcionava o Jornal Hoje em Dia, realizada em setembro de 2015, aconteceu dentro da legalidade com assinatura de contrato e escritura entre a Ediminas e a J&F Investimentos.

O imóvel foi vendido pelo valor de 17,3 milhões de reais e os pagamentos foram realizados mediante transferências bancárias creditadas na conta do vendedor, empresa Ediminas.

O valor da venda foi usado para quitar dívidas, tais como salários de funcionários, pagamentos de fornecedores, tributos e contratos de empréstimos que financiavam a operação do Jornal, estando devidamente contabilizado na empresa Ediminas.

Em relação à verba de 2,5 milhões de reais destinados à publicidade, da mesma forma foram contabilizados, declarados às autoridades fiscais e os recursos aplicados na operação do Jornal.

Não houve, em momento algum, repasse de dinheiro para o senador Aécio Neves, pessoa a ele ligada ou partido político.

Com a palavra, o PSC

Sobre a informação de que o Partido Social Cristão teria recebido recursos do Grupo JBS nas eleições de 2014, o partido esclarece que:

– O Grupo JBS não fez nenhuma doação para o Diretório Nacional e nem para a campanha presidencial do PSC;

– As campanhas do partido sempre foram modestas e feitas com recursos legais, informados à Justiça Eleitoral por meio das prestações de contas entregues ao TSE;

– É absolutamente fantasiosa a suposição de que atuação do partido na campanha de 2014 tenha sido influenciada por qualquer empresa.

Com a palavra, O Instituto Sensus

A reportagem entrou em contato com a entidade, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, o PTB

O Diretório Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro afirma que a legenda recebeu doações de campanha da empresa JBS S.A. nas eleições gerais de 2014. Entretanto, o PTB ressalta que todas as doações recebidas pela referida empresa foram feitas por indicação do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), candidato a presidente da República apoiado pelo partido naquela época. E reiteramos que as doações recebidas foram realizadas rigorosamente dentro das normas legais e devidamente declaradas à Justiça Eleitoral.

O Diretório Nacional do PTB, portanto, esclarece que o partido jamais teve qualquer relação com a JBS nem com qualquer membro da empresa – seja pessoa física, seja pessoa jurídica. Certificamos que o partido não teve vínculo com a JBS no passado, não tem no presente e não terá no futuro.

Declaramos também que o PTB não tem compromisso em ajudar a JBS, tendo em vista a atuação aberta, firme e intensa de parlamentares do partido na CPI do BNDES, comissão que teve por objetivo investigar irregularidades em empréstimos concedidos pelo banco.

Por fim, reiteramos o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro às investigações da Lava Jato, e queremos que as denúncias envolvendo a JBS S.A. sejam apuradas e a empresa seja devidamente punida por todos os crimes que cometeu.

Roberto Jefferson
Presidente Nacional do PTB

Com a palavra, o PSDC

RONDÔNIA

Em depoimento prestado pelo executivo da JBS,Valdir Aparecido Boni, à Procuradoria Geral da República em 4 de maio de 2017, o executivo afirma que todas as tratativas pertinentes as irregularidades fiscais que teriam beneficiado a JBS, em Rondônia, foram mantidas exclusivamente com o contador Clodoaldo Andrade , na sede da sua empresa, Rio Madeira Contabilidade Empresarial.

Considerando que o senhor Clodoaldo Andrade, integra a direção do PSDC do Estado de Rondônia.

Considerando que no depoimento prestado pelo executivo Valdir Aparecido Boni, ele teria conhecido o referido contabilista na sede do PSDC em Porto Velho, apresentado pelo contador Nilton Amaral da empresa Guaporé, adquirida pelo Grupo JBS .

Face a esses fatos, a Comissão Executiva do Diretório Nacional do PSDC, fundamentada em seu compromisso com a transparência e a legalidade,

CONVOCOU

o Presidente Estadual do PSDC em Rondônia, o Eng. Edgard Nilo Tonial e o Contador Clodoaldo Andrade, também integrante da Direção Estadual do PSDC naquele estado, para comparecerem na sede operacional do partido em São Paulo – SP, e apresentarem a versão dos fatos.

Após a audiência, a Direção Nacional do PSDC, deliberará sobre as providências que se mostrarem necessárias , no âmbito partidário.

Brasília , 22 de maio de 2017.

COMISSÃO EXECUTIVA DO DIRETÓRIO NACIONAL
PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA CRISTÃO

Com a palavra, o PMN

O presidente do PMN Antônio Carlos Bosco Massarolo confirmou, nesta sexta-feira, 26, que o partido recebeu R$ 1,3 milhões, registrados em doações oficiais, da JBS, no entanto, disse desconhecer as tratativas do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) para angariar os recursos. Ele também afirmou que, como encabeçou a chapa eleitoral, o tucano ficou responsável pela arrecadação de campanha.

“A JBS provavelmente fez essa doação a pedido do Aécio Neves, porque o partido não tinha essas relações com a empresa. Não sei como foram as tratativas, mas, pelo que vi na imprensa, parece que o linguajar do Aécio não é dos melhores”, afirmou.

Massarolo ainda esclarece que, quando a doação é feita ao partido, ‘é feito um recibo eleitoral é discriminado da origem’.

“Nas contas dos candidatos deve constar. À época, não existia nenhum tipo de ideia de que poderia haver esses embaraços legais da JBS”, relata.

Com a palavra, o Solidariedade

Todas as contas eleitorais do Solidariedade foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. A JBS fez uma doação legal de R$ 11 milhões, que foram distribuídos oficialmente entre diversos candidatos do partido pelo Brasil, portanto, não há irregularidade. Também é importante ressaltar que o Solidariedade foi um dos primeiros partidos a se definir na eleição de 2014, muito antes dos demais.

Solidariedade
Direção Nacional

Com a palavra, o PT do B

A reportagem entrou em contato com o PT do B, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, o PEN

A reportagem entrou em contato com o PEN, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, o PTC

A reportagem entrou em contato com o PTC, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, o DEM
A reportagem entrou em contato com o DEM, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Luiz Vassallo
No Estadão

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