28 de mai de 2017

A saída de Serraglio





Temer obedece Aécio e demite ministro que tucano chamou de “bosta de um caralho”


Michel Temer tirou do Ministério da Justiça o homem que Aécio Neves definiu como imprestável para seus planos de abafar as investigações da Lava Jato, Osmar Serraglio.

Seu substituto é Torquato Jardim.

Mesmo afastado do Senado, Aécio continua poderoso no governo de Temer, que ele ajudou a criar com o golpe que derrubou Dilma Rousseff.

Veja o trecho da fala de Aécio Neves que Joesley Batista gravou:

Aécio — Tá na cadeira (…). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (…). Porque aí mexia na PF.

O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.

Joesley — Pro João.

Aécio — É. O Aécio vai pro Zé (…)

Aécio — Tem que tirar esse cara.

Joesley — É, pô. Esse cara já era. Tá doido.

Aécio — E o motivo igual a esse?

Joesley — Claro. Criou o clima.

Aécio — É ele próprio já estava até preparado para sair.

Joesley — Claro. Criou o clima.

Joaquim de Carvalho
No DCM



Serra ligou para Aécio pedindo para substituir Serraglio por “ministro forte”


No dia 20 de abril, José Serra ligou para seu colega Aécio Neves.

Ele queria derrubar o então ministro da Justiça, Osmar Serraglio, para colocar outro mais “forte” em seu lugar.

Serra queria paz e sossego para roubar. A conversa foi grampeada:

José Serra – Deixa eu te falar uma coisa, cara. Eu tô preocupado… olhando do ponto de vista macro, né… da política, eu acho que precisa ter um ministro da Justiça forte, viu Aécio.

Aécio Neves – Eu também acho, sempre achei.

José Serra – E… realmente forte. Não precisa ser da área, porque vai ficar da área… vai ficar aquele problema todo. Alguém como o Jungmann daria, entende? Bem assessorado, tal. O fato é que tem que por alguém com força. Não para fazer nada arbitrário, mas para que as coisas tenham um caminho, né? de desenvolvimento, tudo.

Aécio Neves – Vamos falar pessoalmente, tá bom.

José Serra – É. Mas se você tiver oportunidade, sem mencionar que eu te falei, porque eu tinha ficado de falar com ele. Podia mencionar isso para o presidente.

Aécio Neves - Tudo bem, mas não sei se consigo.

José Serra – Inclusive quem etc. Mas o fato é o seguinte, precisa ter ministro forte.

Aécio Neves – Concordo com você.

José Serra – O rapaz é um… o Osmar Serraglio foi um bom deputado, acho mesmo… pode ir para outro ministério, tal, mas as condições iniciais ele não teve

Aécio Neves – Falamos pessoalmente, mas concordo. Falamos pessoalmente, tá bom? Mas tá entendido.

José Serra – Você concorda com a ideia, né?

Aécio Neves – Concordo há muito tempo já.

José Serra – Tá bom.

Aécio Neves – Abração.

José Serra – Ok.

Aécio Neves – Melhoras aí.



Temer, no desespero, dá o golpe fatal em si mesmo

O desembarque do governo Michel Temer, mesmo com este ministério de quinta categoria que possui, já tem data para começar: é amanhã mesmo.

Torquato Jardim, ex-ministro do TSE por 18 anos, assinou ontem um flagrante de interferência em decisões judiciais.

Osmar Serraglio deixa o Ministério da Justiça pela porta dos fundos para dirigir-se a igual porta no Ministério da Obscuridade, digo, da Transparência, se é que os servidores o deixarão entrar lá, do que duvido, com sua ficha de grampeado e investigado por corrupção.

O PSDB começará a mostrar seu desembarque amanhã, deixando claro que não está disposto a embarcar na solução “meu Garoto-Meu Paipai” de Rodrigo Maia.

A escandalosa manobra de proteção ao “homem da mala” Rodrigo Rocha Loures terá efeitos desastrosos, anotem.

As possibilidades de um desfecho favorável a Temer no julgamento do TSE – se este sair, porque a solução deverá ser,se ainda houver chance , um pedido de vistas – acabaram.

Governo, quando parte para ações desesperadas, já acabou.

Fernando Brito
No Tijolaço



Temer pode demitir chefe da PF para matar de vez a Lava Jato

Investigado por corrupção, organização criminosa e obstrução judicial, Michel Temer fez, neste domingo, um movimento arriscado: nomeou Torquato Jardim para o Ministério da Justiça, com a missão de ampliar o controle sobre a Polícia Federal; segundo o colunista Gerson Camarotti, da GloboNews, o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, poderá ser demitido; rejeitado por 95% da população, Temer é alvo de 14 pedidos de impeachment – um deles apresentado pela Ordem dos Advogados do Brasil– e transformou o Palácio do Planalto num bunker, para tentar se manter no cargo; se cair, Temer perderá o foro privilegiado e poderá ser investigado pelos crimes apontados nas delações da JBS e da Odebrecht; em seu governo, as verbas para a Lava Jato foram reduzidas em 30% e um dos objetivos do golpe, como revelou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), era "estancar a sangria"

Delegados reagem ao plano Temer para interferir na PF

Começou a reação ao plano de Michel Temer para interferir na Polícia Federal e, consequentemente, esfriar as investigações da Operação Lava Jato; em nota, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) afirmou que viu com "preocupação" a troca no comando do Ministério da Justiça: "qualquer mudança no comando do Ministério da Justiça gera preocupação e incerteza sobre a possibilidade de interferências no trabalho realizado pela Polícia Federal"; neste domingo, Temer anunciou que Torquato Jardim será o novo Ministro da Justiça, no lugar de Osmar Serraglio, tido como fraco para cumprir a missão de fazer mudanças na PF; o colunista Gerson Camarotti, da GloboNews, afirmou que o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, pode ser trocado nos próximos dias; na gestão de Temer, os recursos para a Lava Jato foram reduzidos em 30%

No 247

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