31 de mai. de 2017

A luta pela democratização da comunicação


Apesar da agenda de retrocessos imposta pelos setores que assaltaram a democracia através do impeachment e que impõem duros obstáculos para a luta pela democratização da comunicação, há muito o que ser feito neste campo. A avaliação foi feita por Renata Mielli, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), durante o 3º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (3ENDC), em Brasília, no último domingo (28/5).

Diante de um auditório repleto de comunicadores, estudantes, representantes de movimentos sociais e ativistas pela democratização da comunicação, Renata alertou para a urgência de toda a sociedade civil aderir à batalha em torno desta pauta estratégica. “O movimento social precisa vir para essa luta. Não pode ser uma luta apenas do FNDC e de entidades que atuam especificamente nesse campo. Enfrentar o monopólio privado das comunicações talvez seja a luta mais dura a ser enfrentada”, opina.

Durante os últimos 13 anos, a luta orbitou em torno da pressão aos governos Lula e Dilma para que levassem a cabo um amplo debate público em torno da regulação do setor. Após o golpe, a reivindicação, que teve muito pouca atenção por parte dos governos supracitados, longe de se encerrar com as portas fechadas do Planalto, dá espaço a outras pautas. “Desde o momento em que se apagaram as luzes da nossa democracia, em 2016, estão sendo construídos processos sem debate público para restringir, ainda mais, a pluralidade e a diversidade midiática no Brasil”, denunciou Renata. “Precisamos pensar quais são as ações de rua que podemos fazer. Nós queremos discutir a concessão pública da Globo e das outras grandes emissoras, garantir o direito de resposta, defender o projeto de comunicação pública”, exemplifica.

Um dos caminhos apontados pela coordenadora do FNDC é o de parcerias da sociedade civil com instituições como o Ministério Público Federal, como no caso do Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac). “Quais instrumentos temos para lutar contra isso? Não parece, pelo cenário adverso, mas temos alternativas. O Findac é um exemplo. Temos que ocupar as brechas dentro das instituições para lutar por pontos importantes da democratização da comunicação que não seja, necessariamente, a criação de um marco regulatório para o setor”.

O desafio do FNDC e das entidades que o compõem é, justamente, o de pensar como tornar público o debate sobre a necessidade de a sociedade civil participar das escolhas que estão sendo feitas na comunicação. “Mesmo nos marcos do golpe, temos muito o que fazer. Estamos mobilizados em torno da luta contra o golpe, mas essa luta não é só pelo ’Fora Temer’ ou por ‘Diretas Já’. O movimento social precisa vir junto conosco nessa empreitada”, defende a jornalista.

Liberdade de expressão sob ataque na América Latina

A conferência sobre Meios de comunicação, regulação e democracia, que encerrou o #3ENDC, contou com a contribuição da argentina Cynthia Ottaviano e da mexicana Aleida Callejo. Ambas foram incisivas na denúncia do recrudescimento da repressão e dos ataques ao direito à comunicação pelo governo Macri.

Coordenadora do Observatório Latino-americano de Regulação, Meios e Convergência (Observacom), Callejo opina que não é um bom momento para a liberdade de expressão na região. “As tradicionais ameaças à iiberdade de expressão, como a censura, a violência policial e os mecanismos de silenciamento dos meios de comunicação, ou até as mais dramáticas, como assassinatos de jornalistas ou manifestantes, são uma realidade”, argumenta.

Além disso, a jornalista mexicana recorda que a América Latina é a região do planeta com maior concentração de meios de comunicação. “A concentração midiática é uma das formas contemporâneas de atentado mais grave contra a democracia e a liberdade de expressão. Neste tempo, a aliança entre os poderes econômico e político e grandes meios de comunicação faz com que estes se confundam entre si, podendo converterem-se em algo perverso e selvagem, destruindo a opinião pública pelo pensamento único e se apropriando da esfera pública, anulando a liberdade de expressão de fato”, sublinha.

Os monopólios ou oligopólios, históricos no continente latino-americano, não afetam apenas o pluralismo e a diversidade, mas também adquirem um poder que pode ser superior até mesmo às instituições. Nesse arranjo, afirma Callejo, os donos da mídia determinam a agenda pública, privilegiando seus interesses e atropelando a democracia. No México, por exemplo, os grandes grupos de comunicação privados dispõem de bancadas de parlamentares dedicados quase que exclusivamente a defender os interesses das empresas, relata.

“Uma sociedade que não tem pluralismo e diversidade midiática não é uma sociedade livre, já que o direito à comunicação é imprescindível para abrir espaço ao cumprimento de muitos outros direitos”, acrescenta a mexicana. “Há uma ideia equivocada de que, quanto menos o Estado intervenha, maior o grau de liberdade de expressão. Nos fizeram crer que o Estado cumprir sua função significa censura, mas, na verdade, quando um governo diz que não vai colocar nenhuma regulação para que os meios não violem direitos, o Estado está faltando com sua obrigação de proteção à cidadania”.

Jornalista, professora e ex-defensora pública pela Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca) da Argentina, Cynthia Ottaviano diz que a campanha #CalarJamais, levada a cabo pelo FNDC, se aplica, na verdade, ao conjunto de países da região. “Assistir ao ato da campanha Calar Jamais foi como andar nas calçadas do meu próprio país. Acontece o mesmo na Argentina de hoje. Uma intensificação da repressão a manifestações, listas negras com os nomes de quem luta por direitos humanos, contra comunicadores e comunicadoras”, reporta. “O que passa no Brasil também está passando na Argentina. #CalarJamais deve ser a palavra de ordem em toda a América Latina”.

Para ela, o campo de batalha comunicacional se divide entre quem quer privatizar o direito à comunicação e quem o interpreta como um direito humano, para todos e todas. “O cidadão é o sujeito central no campo de disputas, e não o empresário, o dono, os profissionais”, pontua. Os grandes conglomerados, de acordo com ela, atuam como verdadeiro partido político e reivindicam, de forma hipócrita, a bandeira da liberdade de expressão. “Como solicitar o direito de resposta ou que povos originários tenham veículos de comunicação ataca a liberdade de expressão?” questiona.

A Lei de Meios argentina, que tornou ilegal o monopólio do grupo Clarín e reconfigurou a divisão do espectro radioelétrico [espaço por onde transitam as ondas de rádio e televisão, de propriedade pública], representa um grande avanço, mas não resolve todos os problemas e já vem sendo desmontada pelo presidente Mauricio Macri. O discurso do atual governo voltou para a tese da auto-regulação. “Leis precisam de controle e participação cidadã e devem ser construídas popularmente e coletivamente. É necessário realizar audiências públicas, gerar espaços de debate e participação, para construir essa regulação. Auto-regulação é a melhor desregulação”, critica.

Professor e pesquisador da Universidade Federal do Sergipe (UFS), César Bolaño conta que, em sua última visita a Argentina, foi surpreendido pela cobertura da ampla greve geral que tomou conta das ruas do país. “Vi sindicalistas e docentes falando na televisão, algo impensável no Brasil. Nunca vi representantes da classe trabalhadora com direito ao microfone”, diz. “Fizemos a maior greve da história do país no dia 28 de abril de 2017, mas só os jornalistas deram suas interpretações, fizeram seus julgamentos e encerraram seus vereditos”.

Um dos autores do livro "Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia", que chega à sua segunda edição no marco do cinquentenário da empresa da família Marinho, Bolaño reforça a ideia de que liberdade de expressão só existe se for para todo mundo. “A direita não sequestra só essa bandeira, mas quando falamos em regulação, também tenta se apropriar da ideia de censura. E a brutal censura praticada pelos grandes meios diuturnamente? O poder midiático decide o que pode e não pode ser dito ou visto”, frisa.

Segundo o estudioso, comunicação não é o poder em si, mas uma parte dele. “A Globo não poderia ter feito o que foi feito sozinha. É preciso situar a mídia no interior de uma estrutura de poder complexa, que dialoga com uma estrutura global do sistema capitalista”, reflete. Nesse contexto, é necessário, na avaliação de Bolaño, tirar lições da falta de enfrentamento dessa agenda por parte dos governos de esquerda no Brasil. “No Brasil, muito pouco foi feito para democratizar a comunicação. Dos países vizinhos que tiveram governos progressistas, somos o que menos fez para enfrentar a agenda de criar uma lei de meios. Aqui houve mudança importante na estrutura do sistema de comunicação determinada pelo mercado, apenas”.

Durante três dias de Encontro, o #3ENDC promoveu diversas discussões sobre os desafios colocados para a sociedade nos campos da Internet, da democracia e das mídias alternativas. O evento reuniu 250 participantes credenciados, vindos de todas as regiões do país.

Felipe Bianchi
No Barão de Itararé:



Carta de Brasília

Os e as participantes do 3° Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação – 3ENDC, reunidos em Brasília de 26 a 28 de maio, reafirmam o princípio da liberdade de expressão e de imprensa e o direito à comunicação como direitos fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade verdadeiramente democrática. E reconhecem que para que esses direitos fundamentais sejam exercidos em sua plenitude, é necessário um ambiente de respeito à pluralidade e à diversidade.

Historicamente, o Brasil segue sendo um dos países com maior concentração nas comunicações do mundo. Mas, com o golpe político, jurídico e midiático em curso no país e a instalação de um governo que usurpou o poder após o impedimento da Presidenta Dilma Rousseff em 2016, à ausência de pluralidade e diversidade no debate público, se somaram novos e crescentes ataques à liberdade de expressão e de manifestação.

Os ataques têm acontecido não somente com agressões físicas nos protestos, mas também com a demissão de jornalistas e radialistas comprometidos com a ética e a verdade dos fatos. Com a manipulação e seletividade informativa. Com a condenação e detenção de blogueiros e comunicadores comunitários e populares. Com o desmonte do sistema público de radiodifusão. Com a remoção de conteúdos na Internet e a adoção de práticas de vigilância em massa nas redes. Com a restrição à liberdade de expressão nas universidades e escolas. Com a censura à expressão artística e cultural. Com o desrespeito à ética jornalística.

Com o apoio dos grandes meios de comunicação – além do Congresso, do capital financeiro nacional e internacional e do Judiciário, o governo golpista tem imposto um brutal ataque aos direitos da população, com impactos na vida das pessoas que continuarão pelas próximas décadas. A toque de caixa, as reformas trabalhista e da previdência estão sendo votadas no Legislativo. E mudanças significativas no campo da radiodifusão, das telecomunicações e da internet têm sido aprovadas sem que a população em geral sequer seja informada.

Diante de tamanho retrocesso, os movimentos social e sindical, unidos e organizados, tem dado sua resposta nas ruas. Na mesma medida que a repressão do Estado aumenta, também têm crescido as manifestações. Uma nova greve geral se organiza para marcar o repúdio de amplos setores da sociedade ao golpe, aos golpistas, seus vassalos e apoiadores.

Assim, também, o movimento pela democratização da comunicação tem resistido. A Campanha Calar Jamais, lançada pelo FNDC em outubro passado, tem recebido, coletado e sistematicamente denunciado violações à liberdade de expressão no Brasil. No Congresso, o FNDC luta, em parceria com outras redes e articulações da sociedade civil, contra os ataques à internet livre e o desmonte das telecomunicações e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – denunciando, inclusive, deputados e senadores que controlam ilegalmente emissoras de rádio e televisão.

Como defensores de direitos humanos, combatemos as violações à dignidade humana praticada pelos meios de comunicação, em especial o racismo e a violência de gênero nas programações. Acreditamos que o combate ao racismo estruturante e a percepção crítica sobre a branquitude na sociedade brasileira, como impedimento à democratização da comunicação, devem ser pontos focais na promoção de uma comunicação democrática emancipadora.

Reunidos em Brasília com mais de 250 ativistas e militantes, reafirmamos, assim, nosso compromisso com a democracia, com a diversidade e a pluralidade, com a liberdade de expressão e de imprensa, com a luta pela democratização e o direito à comunicação.

Reafirmamos também nossa disposição permanente em construir ações de denúncia, de resistência e de mobilização; de produção de conteúdos contra-hegemônicos; de fortalecimento da comunicação alternativa, pública e comunitária; e de seguir nossa luta histórica por um novo marco regulatório dos meios de comunicação no Brasil que garanta o exercício de todos esses direitos.

A luta por uma comunicação democrática deve estar no centro da disputa pela transformação social, sendo estratégico, para o FNDC, ampliar o diálogo e a articulação com movimentos gerais, como as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. O tema do direito à comunicação não pode se restringir às prioridades dos que atuam neste campo, mas precisa ser pautado sistematicamente nos debates sobre o futuro do país.

Por fim, ao lado de todos e todas aquelas que estão nas ruas para dizer “nenhum direito a menos”, marcharemos contra o arbítrio, o autoritarismo e as desigualdades. Reafirmamos, mais do que nunca, nossa defesa incondicional da democracia, das liberdades, da justiça social e da participação popular, que só serão possíveis se a soberania popular for restabelecida no Brasil.

Por isso, Fora Temer e suas reformas!
Nenhum direito a menos!
Diretas Já!
Calar Jamais!
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Grampo revela os bastidores do método Andréa & Aécio Neves




O vídeo de Rossoni:


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Temer “pode ficar com a bunda na janela”, diz em grampo assessor de Michel sobre esquemas em portos

O deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures
Em telefonema interceptado pela Polícia Federal, o subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, disse ao deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) que o setor portuário já havia conseguido "coisas demais" no decreto presidencial que mudou a regulamentação do setor.

O presidente Michel Temer assinou o decreto no último dia 10, dois dias após a conversa interceptada.

A nova norma ampliou de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessões e arrendamentos assinados após o ano de 1993 e permitiu que eles possam ser prorrogados até o limite de 70 anos.

Rocha é o principal assessor jurídico do Planalto. No dia 8 de maio, ele foi procurado por Loures, que insistiu para que o Planalto incluísse no decreto uma regra que beneficiasse quem conseguiu concessões antes de 1993. 

Rocha respondeu que já havia uma decisão contrária e explicou o motivo: "É uma exposição muito grande para o presidente se a gente colocar isso... Já conseguiram coisas demais nesse decreto".

A gravação foi feita com ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) e sua transcrição anexada nesta terça-feira (30) à Operação Patmos, que investiga Temer, Loures e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), entre outras pessoas.

"Por orientação até do ministro [da Casa Civil Eliseu] Padilha e por conta da exposição que isso pode trazer para o presidente... Essa pauta pré-93 foi fechada aqui que não vai passar, tá?", disse.

"Minha preocupação é expor o presidente em um ato que é muito sensível... Eu acho que já vai causa [causar] uma exposição pra ele. Esse negócio vai ser questionado".

O deputado disse que, "pela proximidade, por fazer parte até recentemente da equipe do presidente", foi procurado por empresários do setor –Loures foi assessor de Temer até março. A partir daí, disse Loures, ele manteve reuniões com o setor portuário.

Loures falou sobre a necessidade de "dar mais uma oportunidade" ao setor e fez advertências: "O importante é não ficar com o gosto ruim na boca depois. [...] Essa coisa de política é delicada".

No dia seguinte (9), Loures telefonou para falar sobre o mesmo assunto com o deputado federal Beto Mansur (PRB-SP), um dos maiores aliados de Temer na Câmara e ex-prefeito de Santos (SP), região de grande atividade portuária.

Mansur relatou que também havia conversado com Rocha, com "Moreira", provável referência ao ministro Moreira Franco, mas que "eles estão irredutíveis".

Na conversa gravada, Mansur disse: "Estão preocupados que o Michel pode ficar... com a bunda na janela".

No dia seguinte à assinatura do decreto, a PF interceptou novo telefonema de Loures, desta vez ao ministro dos Portos, Maurício Quintella (PR-AL), que comemorou a edição da norma. "Foi um golaço. A mídia repercutiu muito bem, o setor tá feliz."

O ministro contou que não havia desistido de abranger o pessoal "pré-93": "Nós vamos agora coletar aqui no ministério todas essas decisões judiciais que subsidiam [...] a permanência desse pessoal de 93 para poder construir a tese para resolver rápido".

Outro lado

O subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, Gustavo do Vale Rocha, disse que a conversa com o deputado Rodrigo Loures (PMDB-PR) não tratou de nenhuma irregularidade.

"Quando falo 'já conseguiu demais' é porque já conseguiu um avanço na regulamentação, com relação aos prazos [de concessão], várias coisas que o Ministério dos Transportes encaminhou, para a gente fazer a análise jurídica da viabilidade do ato", afirmou Rocha.

"Quanto ao 'pré-93', tem uma posição muito forte minha de que isso não era cabível. E foi o que efetivamente prevaleceu [no decreto]."

Beto Mansur (PRB-SP) disse que acompanha o assunto há anos e que apenas conversou com Loures porque considerava importante resolver o problema de empresas que obtiveram concessões antes de 1993 e estão brigando na Justiça para continuar trabalhando. A Folha não conseguiu contato com Loures e o ministro Maurício Quintella (Portos).

Reynaldo Turollo Jr | Rubens Valente
No fAlha
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Aécio sai da toca e provoca Janot e Fachin


Na tentativa de desmentir os boatos de que estaria numa crise depressiva, isolado em sua casa, Aécio Neves postou no Facebook a imagem de uma reunião que teria ocorrido ontem à noite.

Reuni-me na noite desta terça-feira, 30/05, com os senadores Tasso Jereissati, Antonio Anastasia,Cássio Cunha Lima e José Serra. Na pauta, votações no Congresso e a agenda política, diz o texto-legenda.

Só que, ao fazê-lo, Aécio confessou  estar descumprindo a ordem de Luís Edson Fachin, ao afastá-lo do mandato, de qualquer função pública ou de reunir-se com qualquer investigado.

Não se sabe se o conterrâneo Janot fingirá que não viu ou reagirá, assim como o Ministro Fachin.

Se o objetivo de afastar Aécio do mandato era o de impedir que articulasse interferências na investigação, é óbvio que a reunião poderia se prestar a isso.

Será que isso vem ao caso?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Aécio recorreu a amigo para tentar interferir em recall da Andrade Gutierrez

Eduardo Wanderley é empresário de construção e companheiro de passeios de moto


O interlocutor identificado como “Moreno” em conversa com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) que, segundo o Ministério Público, recebeu instruções do tucano para tentar interferir no recall do acordo da Andrade Gutierrez com a Lava-Jato, é Eduardo Wanderley, amigo próximo de Aécio e empresário da construção civil em Belo Horizonte, segundo apurou O Globo. A identidade do interlocutor era um mistério para a Lava-Jato, que citou a conversa no novo pedido de prisão contra o político mineiro levado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em conversa registrada no último dia 29 de abril, Aécio pede a Wanderley que observe a edição do dia do jornal “O Estado de S. Paulo”, que trazia informações sobre a decisão de executivos da Andrade Gutierrez de se antecipar e procurar a Lava-Jato para falar sobre pagamento de propina na Usina de Santo Antônio, informação que tinha acabado de se tornar pública. A obra envolve pagamentos para Aécio, segundo outra colaboradora, a Odebrecht.

“Eu tô sem nenhuma...sabe... informação que, que por conta daquelas coisas, daqueles malucos lá, sabe?”, diz Aécio ao amigo, em conversa onde, para a Polícia Federal (PF) e o MP, o tucano finge falar sobre um passeio de moto, um dos hobbies preferidos do senador, praticado com seu grupo mais restrito de amigos. “Aqueles motoqueiros malucos que falaram qualquer coisa. Em vez de chamar, eles resolveram se antecipar, sabe?”, afirma o tucano a Wanderley, que responde: “Eu falo com ele.. Ele está por aqui. Eu falei com ele ontem”.

Aécio pede ao amigo que verifique se a viagem “vai ser mais longa” ou está mantido “aquele trajeto que a gente tinha combinado”. Quer saber se tem “alguma coisa nova” e enfatiza duas vezes que Wanderley trate do tema pessoalmente com o “cara”, que investigadores entendem ser alguém da Andrade Gutierrez, ainda não identificado. “Você entendeu, né?”, encerra Aécio, que não usa o próprio telefone na conversa, e sim o de um assessor, o que para a PF reforça a tese de que se trata de conversa cifrada.

"Pelo diálogo acima transcrito com o interlocutor chamado Moreno, resta claro que o senador busca apoio junto ao seu interlocutor para obter informações sobre o conteúdo dessas colaborações, visando, evidentemente, evitar que os fatos na sua extensão devida sejam trazidos ao conhecimento do Ministério Público Federal”, escreveu o procurador-geral da República Rodrigo Janot no novo pedido de prisão de Aécio enviado ao STF.

Eduardo Wanderley é dono da WanMix, empresa que forneceu concreto na obra mais cara dos 12 anos de gestão do PSDB no governo de Minas, a Cidade Administrativa, que custou R$ 2,1 bilhões. Também forneceu concreto na construção de usinas de Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. É sobrinho de Saulo Wanderley, dono da Cowan, uma das mais tradicionais construtoras mineiras. Ele despacha também na empresa Conserva de Estradas Ltda., executora de contratos de cobertura asfáltica na gestão de Aécio em Minas.

Wanderley é integrante do grupo mais íntimo do tucano, onde todos se chamam pelo apelido “Moreno”. Outro amigo do mesmo grupo de amizade é o empresário carioca Alexandre Accioly, que chegou a ser confundido com Wanderley em relatório da PF, por também ser tratado por Aécio pelo mesmo apelido. A PF captou conversas triviais de Wanderley com outro investigado do mesmo inquérito: Frederico Pacheco, preso acusado de transportar R$ 2 milhões pagos pela JBS a Aécio.

O Globo perguntou a Aécio se a interpretação da PF e da Procuradoria sobre a conversa estava correta e também o que ele gostaria que Wanderley lesse na edição de “O Estado de S. Paulo” daquele dia. Aécio preferiu não responder. Por meio de sua assessoria, informou apenas que “trata-se de conversas particulares que não têm qualquer relação com o objeto da investigação”. Segundo ele, “sendo de teor privado, não há o que comentar”. Localizado por telefone, Eduardo Wanderley também não quis comentar a conversa com Aécio.

Por meio de nota, a Andrade Gutierrez informa que não ter “ciência do teor das conversas citadas”, nem saber quem são seus interlocutores. “A empresa afirma ainda que segue colaborando com as investigações em curso dentro do acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal e reforça seu compromisso público de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado”, escreveu a assessoria, em nota.

O ministro Edson Fachin negou o primeiro pedido de prisão contra Aécio, o que levou Janot a pedir a reconsideração da decisão e, em caso de negativa, que o recurso seja levado com urgência ao plenário do STF. Janot sustenta que por Aécio ser pessoa “poderosa e influente”, sua liberdade “pode levar ao uso espúrio do poder político”.

Diálogos cifrados

Leia a conversa mencionada por Janot na íntegra:

Aécio Neves: Deixa eu te falar, cara. Não sei se vai ser simples... mas eu precisava que você tentasse dar uma procurada lá na... naquele negócio do passeio de moto, sabe?

Eduardo Wanderley: Unhum.

Aécio: Naquela organização que a gente ia fazer em julho.

Wanderley: Unhum.

Aécio: É. Porque... você viu nos jornais hoje?

Wanderley: Mais ou menos. Uma parte sim, outras... algumas outras coisas aí.

Aécio: É não. É não. Tem uns negócios listados que o cara ia ser o guia, sabe? [inaudível]

Wanderley: Unhum. Sei.

Aécio: Procurou para... pra fazer o roteiro, entendeu? Ainda...

Wanderley: Tá.

Aécio: E eu tô sem nenhuma...sabe... informação que, que por conta daquelas coisas, daqueles malucos lá, sabe?

Wanderley: Unhum.

Aécio: Aqueles motoqueiros malucos que falaram qualquer coisa. Em vez de chamar, eles resolveram se antecipar, sabe?

Wanderley: Eu falo com ele… Ele está por aqui. Eu falei com ele ontem…

Aécio: Lê o Estadão… lê o Estadão… lê o Estadão.. e aí porque tá, né, a verdade mesmo, sempre, tudo… só pra você ver se consegue ter uma notícia em que…

Wanderley: Tá bom.

Aécio: Temos que (ver como) vai ser a viagem… se vai ser mais longa, se ele… se é aquele trajeto que a gente tinha já combinado, entendeu?

Wanderley: Vai manter aquele mesmo, né?

Aécio: É, ou se teve alguma… alguma coisa nova. Tenta ver se você dá uma colada nele pessoalmente nele, até segunda…

Wanderley: Tá bom, tá joia.

Aécio: Vai pessoalmente.

Wanderley: Ok, tá ótimo.

Aécio: Você entendeu, né?

Moreno: Tá.

Thiago Herdy
No Globo
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A resposta da Associação Nacional dos Procuradores da República


O simpaticíssimo presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) José Robalinho, envia esclarecimentos a respeito do artigo “A Associação dos Amigos do Poder que representa o MPF”. 
  1. Você esqueceu de listar entre os ex-presidentes da ANPR a Ela Wiecko, Roberto Gurgel e os atuais candidatos Carlos Frederico e Nicolao Dino que também foram presidentes da ANPR.
  2. Visitei Temer antes de ele assumir, portanto, quando ainda era vice-presidente.
  3. Não me lembro de você ter feito comentários quando visitamos, por diversas vezes, José Eduardo Cardozo e a presidenta Dilma, ou quando a ANPR enfrentou várias incompreensões para apoiar a indicação de Eugenio Aragão para Ministro da Justiça.
Resposta:
  1. Bom esclarecimento. Mostra que os problemas apontados pelo artigo, de atuação chapa-branca da instituição, são recentes.
  2. Piorou. Há um golpe parlamentar e, antes mesmo do vice-presidente ser empossado, a ANPR corre atrás das suas bênçãos.
  3. A única coisa que Aragão e Alexandre de Moraes têm em comum – para merecerem o apoio da ANPR - é o fato de serem governo na época em que foram apoiados. C.Q.D.
Fora isso, o GGN está de portas abertas para a ANPR se manifestar e, especialmente, discutir o papel do Ministério Público após o caso Lava Jato.

Luís Nassif
No GGN
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Popularidade de Temer derrete e 90,6% preferem nova eleição direta

Foto: Lula Marques
A primeira pesquisa popular sobre governo de Michel Temer após a delação da JBS, que o tornou investigado por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça, mostra que a popularidade do presidente peemedebista derreteu ainda mais.

O Instituto Paraná Pesquisa mostra que apenas 6,4% dos entrevistados avaliam o governo Temer positivamente (5,5% veem a administração como boa e 0,9% como ótima), enquanto 74,8% dizem que o governo é ruim (20,1%) ou péssimo (54,7%). Quando questionados genericamente, 84% dizem que desaprovam o governo.

Isso torna o presidente uma “persona non grata” no Brasil, diz a comentarista Jovem Pan Vera Magalhães, que obteve os números em primeira mão.

Diretas?

A pesquisa também aferiu a intenção da população sobre a possibilidade de uma nova eleição presidencial diante da possibilidade da queda de Temer. Nove entre dez entrevistados (90,6%) preferem a escolha direta, embora Constituição atualmente preveja que a eleição na segunda metade de um mandato seja feita de forma indireta (pelo Congresso Nacional). Apenas 7% acham que a o novo presidente deve ser escolhido por deputados e senadores.

Economia salva Temer?

Segundo a avaliação do instituto, não. Embora os números melhorem ligeiramente para Temer, 73,5% responderam que uma “garantia de que a economia vai melhorar” não dá um voto de confiança ao presidente. Entendem que os indicadores econômicos podem ser um motivo para manter Temer 23,5% dos entrevistados. Não sabem ou não opinaram, 3%.

Nomes para eleição indireta

O Paraná Pesquisas também levantou os nomes mais populares no caso de uma eleição indireta. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa é o preferido de 24,4%, seguido pela atual presidente da Corte, Cármen Lúcia (13,2%), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (11,9%), o ex-prefeito Fernando Haddad (4,8%), o presidente da Câmara Rodrigo Maia (4,3%), o ministro da Fazenda Henrique Meirelles (2,9%), o ex-ministro Nelson Jobim (1,5%) e o presidente da Petrobras Pedro Parente (0,7%). Não sabem responder a essa pergunta 9,9% dos entrevistados e 26,5 % (a maioria) responderam “nenhum”. Foram ouvidas pelo Instituto Paraná Pesquisas 2.022 pessoas entre 25 e 29 de maio. A pesquisa foi publicada na JovemPan

No Amigos do Presidente Lula
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ContextoLivre entra no Ano IX


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TV argentina critica a cobertura da Globo


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A Globo e o golpe dentro do golpe


Desde 2013, o Brasil vive um quadro de crise política institucional dos mais profundos. A iminente queda de Michel Temer constitui-se como apenas mais um capítulo dessa novela. Para discutirmos as denúncias contra o presidente da República e termos mais dados para análise, sem cairmos em previsões infundadas, é necessário clarear algumas constatações históricas fundamentais da política brasileira:

1) a Rede Globo é ainda hoje o principal meio de formação de opinião dos brasileiros sobre política;

2) historicamente, ela representou os interesses majoritários dos capitalistas do país;

3) desconhecemos evidência de recuo de uma proposta dela com relação à retirada de um presidente da República do seu cargo, seja através de golpe militar explícito, de golpe institucional ou de impeachment.

Se admitimos que essas assertivas são verdadeiras, Michel Temer cairá em breve.

Se isso não acontecer, significará que a Rede Globo não representa mais os interesses majoritários do grande capital, nem dos principais políticos no país e seu império midiático está prestes a ruir.

Nesse sentido, é sempre importante fundamentarmos nossas hipóteses com base na história política brasileira. Nos últimos 65 anos, a Rede Globo ocupou o espaço de um dos principais atores políticos, sempre participando com grande poder de decisão em momentos-chaves. Vejamos.

O jornal O Globo, quando ainda não havia sido constituída a poderosa Rede Globo, foi um dos principais atores na desestabilização do governo de Getúlio Vargas em 1954. Quando Vargas aceitou a proposta de João Goulart, então escolhido para o Ministério do Trabalho, de dobrar o salário mínimo, foi gerada uma convulsão nas elites empresariais do país. O Jornal O Globo, como porta-voz desse setor, publicou várias denúncias contra o presidente da República, acusando-o de mandar assassinar seu principal inimigo político, Carlos Lacerda. Nesse mesmo ano, Getúlio Vargas cometeu o suicídio, alegando em carta-testamento que forças ocultas o impediam de governar. Depois da morte de Vargas, o jornal O Globo foi atacado por milhares de manifestantes no Rio de Janeiro.

Dez anos mais tarde, entre 1961 e 64, o herdeiro de Vargas, João Goulart, assumiu a presidência da República. Mais uma vez, o Jornal O Globo se opôs veementemente ao seu governo e ajudou a preparar o golpe militar-civil que o retiraria do poder em 31 de março de 1964, por meio de uma quartelada.

Durante os vinte anos da ditadura militar-civil foi construída a Rede Globo, um grande império midiático, chegando a vários pontos do país e incluindo o seu meio de comunicação mais importante: a televisão. Ela serviu de apoio político-ideológico do governo dos generais e se mostrou como a maior formadora de opinião no Brasil, difusora de informações, verdadeiras ou não, mas sua principal prática foi esconder, e muito bem, as torturas, os assassinatos, as perseguições, a corrupção, as falcatruas realizadas nesse período sombrio da história brasileira. A Rede Globo exacerbou a autocensura jornalística, isto é, antes da censura dos militares, o jornal só informava aquilo que agradaria ao regime.

Com o fim do regime militar, teve início a luta pelas “Diretas Já” e a Globo impediu que as imagens dos governados nas ruas fossem exibidas na TV e nos seus jornais e rádios. A censura era seletiva: atentava exatamente contra os movimentos populares. Nada de reivindicações poderia aparecer no seu império. Quando era inevitável, tinha que aparecer como algo negativo. Essa foi e é a lógica.

Depois do apoio incondicional à ditadura militar-civil e a tentativa de esconder a campanha pelas “Diretas Já”, em 1984, a Rede Globo voltou sua atuação intensa contra a criação de direitos sociais na Constituição de 1988, atendendo às demandas das associações empresariais (FIESP, FIRJAN, CNI). Assim, os trabalhadores, hoje, possuem menos direitos do que poderiam usufruir, em função da ajuda da empresa de Roberto Marinho.

No ano seguinte, em 1989, na primeira campanha eleitoral pós-ditadura militar-civil, a Globo apoiou totalmente o candidato Fernando Collor de Mello, fazendo-o vencedor, mas sobretudo impedindo a vitória de seu principal inimigo político, herdeiro de Vargas e de Goulart, Leonel Brizola, e também do operário, Lula da Silva. Para tanto, o jornalismo global trabalhou intensamente para desmerecer as candidaturas de seus inimigos e para vender Collor de Melo como um salvador da pátria. Por consequência, a Rede Globo apoiava o neoliberalismo no país.

Como a vitória de Collor havia sido por uma margem de votos muito pequena e ainda vinha exercendo um governo bastante impopular com confisco da poupança da população, diminuição dos lucros dos empresários etc., a Globo defendeu abertamente o seu processo de impeachment. O objetivo era apaziguar o país, as lutas sociais e resgatar sua supremacia nas comunicações depois de ajudar a eleger um candidato extremamente antipopular. A manipulação da informação por parte da Globo era percebida por grande parte da população e o apoio ao impeachment também significava retomada da credibilidade. Em 1992, os militantes petistas pediam as pessoas para assistirem a Globo!

Em 1994, a Globo apoiou incondicionalmente a candidatura de Fernando Henrique Cardoso para a presidência e protegeu seu governo de uma tal maneira que não era possível sair nenhuma crítica. Inclusive, em episódio incidentalmente gravado por ela mesma, em uma entrevista com o então ministro da economia Rubens Ricúpero, transmitida apenas para quem possuía antena parabólica, que havia admitido que não tinha escrúpulos pois se prestava a fazer campanha aberta para FHC como ministro e dizendo ainda: “o que é bom, a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Isso em plena campanha eleitoral. A Rede Globo não mostrou nenhuma linha, em nenhum dos seus meios de comunicação, jornais, rádios, e TV, sobre o assunto.

A Globo blindou o governo de FHC tal como blindou a ditadura militar-civil. Sob o governo do PSDB, o Brasil viveu uma das piores crises econômicas de sua história, com um dos maiores índices de desemprego e de queda do PIB, mas nada disso era discutido, sequer apresentado nos meios de comunicação do império midiático.

Apesar de tudo, os governados não são idiotas e perceberam que a crise econômica era muito intensa, fruto das medidas neoliberais adotadas pelos tucanos. Em função disso, ocorre o crescimento de votos nulos desde os anos 1990, com sua exacerbação depois dos protestos de 2013. Assim, em 1998, FHC foi eleito com menos votos que a soma de votos em branco, nulos e abstenções. Uma verdadeira vergonha.

Em 2002, Lula da Silva recebeu o apoio da Rede Globo e venceu as eleições. O PT não era mais uma ameaça nem para os capitalistas nem para sua porta-voz principal. Ao contrário, alguns setores acreditavam que uma política de neodesenvolvimentismo, com fácil financiamento do BNDES e com intervenção do Estado, injetando dinheiro em determinados setores, poderia alavancar a economia. E assim aconteceu com a Odebrecht, com JBS, com os bancos e outros setores. Isto não é uma contradição no capitalismo. Vários estudos mostram como as grandes empresas dos países imperialistas cresceram com a ajuda deslavada do Estado. A própria Globo foi favorecida com dinheiro público durante a ditadura militar para instituir seu império. 

Durante o governo Vargas, a criação das estatais tinha por objetivo favorecer o desenvolvimento do chamado capital nacional através de vendas de produtos a preço de custo para as empresas. Sob o governo de FHC, o BNDES cumpriu função equivalente no processo de privatização das estatais, pois emprestava dinheiro para determinados grupos comprarem as empresas antes públicas e depois passaram a cobrar pelos serviços prestados. Outros processos semelhantes a esses foram as concessões para explorações de rodovias. O Estado investia, deixava a estrada pronta com o dinheiro público e depois concedia a uma empresa a exploração dos pedágios. Um verdadeiro escárnio com o dinheiro público e a inteligência da população.

Portanto, atribuir esses problemas apenas aos governos petistas é tentar impor uma visão seletiva que não colabora para entendermos amplamente o processo. A crítica, portanto, correta e real deve ser feita a todo o sistema que pelo menos desde a ditadura militar-civil favorece aos grandes capitalistas com dinheiro dos governados, depois de muito suor, de muito trabalho explorado e extraído para alavancar determinadas empresas em conluio com políticos no poder.

Por fim, a Globo atuou com toda sua força para retirar a presidente Dilma Rousseff da presidência em 2015/16, que por incrível que possa parecer vinha realizando as reformas exigidas pelos grandes capitalistas, todavia em ritmo mais lento do que aquele implementado pelo governo atual.

Embora Michel Temer viesse encaminhando uma reforma absolutamente reacionária e conservadora, a Rede Globo fez campanha, assumindo inclusive, em editorial do dia 19 de maio do jornal O Globo, que só restava ao presidente da República a renúncia.

É importante entender que Michel Temer vinha sendo apoiado amplamente pelo PMDB, PSDB, DEM e outros partidos menores. A base aliada estava bastante sólida, ampla e unida no conservadorismo que há muito tempo não estava tão organizado no Brasil. Tudo indicava que a reforma da previdência e trabalhista passaria com bastante folga no Congresso. Por que, então, defender a retirada de Temer? Por que desestabilizar ainda mais o país que já está em crise econômica?

Se vale a pena aprendermos com as experiências do passado, poderíamos dizer que o governo federal possuiu uma notória e grande rejeição popular. Assim, pode ser que a Globo queira se livrar da pecha de quem colocou o Temer no poder, venha resgatar sua credibilidade como a emissora que também retirou o mesmo do poder. Curioso é que seria a repetição daquilo que aconteceu exatamente com Collor de Mello.

Em tempos de poder crescente das redes sociais (Facebook, WhatsApp e outras) com uma circulação imensa de ideias, o poder dos grandes conglomerados de mídia está claramente em declínio, se eles perdem a credibilidade ficam fadados a total desconstrução de seus impérios.

Outra hipótese diz respeito a desestabilizar o país, descredenciando todos os políticos para que a própria população queira/aceite um outro golpe militar-civil. Com Donald Trump no poder nos EUA, a conjuntura torna-se absolutamente favorável para esse tipo de golpe. Um golpe no Brasil, seria o cenário ideal para que se realizasse um golpe também na Venezuela e virasse de vez a visão política no continente com um alinhamento natural ao governo autoritário e conservador dos EUA. Ademais, um golpe militar-civil no Brasil acabaria com todas as denúncias da operação “lava-jato” e dos procuradores que estão colocando na cadeia alguns políticos. O Congresso seria fechado, mas todos os políticos que lá estão se livrariam dos processos de corrupção de que fazem parte.

Além do mais, os militares já possuem um candidato “forte, nacionalista, impetuoso, autoritário, conservador e que se apresenta como corajoso para destruir todas as enormes mazelas da política e da sociedade brasileiras”. O golpe militar pode servir para colocar um deputado federal, militar da reserva, no poder Executivo. Trata-se de Bolsonaro.

Esse candidato está em plena campanha eleitoral, visitando quase que diariamente todos os quartéis do país. Ele ainda possui uma enorme rede de think tanks que divulgam suas ações pelas redes sociais, sendo amplamente compartilhada por militares, seus familiares e amigos.

No pré-1964, a Globo apoiou o “quanto pior, melhor”, justamente para garantir o caminho dos militares ao poder Executivo. Algo similar aconteceu com o lançamento da candidatura de Fernando Collor em 1989. Como os políticos estão muito desgastados, Collor apareceu como o candidato da antipolítica. Bolsonaro é também apresentado dessa maneira, nem parece que ele é um político profissional há muito tempo.

Por consequência, a Rede Globo mostra as falhas de todos os candidatos, mas blindando exatamente Bolsonaro, tal como fez com FHC, com Collor e a ditadura militar. Enquanto aponta as críticas de todos os candidatos e não fala de um deles, é óbvio que o está favorecendo. Enquanto todos se desgastam, a candidatura mais perigosa de todas vai sendo construída subliminarmente. O SBT apresentou no último domingo, dia 21 de maio de 2017, um programa inteiro sobre a candidatura de Bolsonaro, como um herói brasileiro, para tirar o país do que ele chama de bagunça.

Em resumo, com base na história política brasileira, não podemos descartar a preparação de um golpe militar-civil por parte da Globo e de seus oligopólios de comunicação de massa aliados, nem o lançamento da candidatura de Bolsonaro como salvador da pátria. Esses são os piores cenários para a política brasileira, pois estaríamos sem liberdade de expressão e, portanto, nem esse artigo poderia circular.

Por fim, com todas as denúncias apresentadas, as suspeitas populares de que os políticos estão meramente a serviço dos interesses de alguns empresários/banqueiros escolhidos, se confirmou. Os depoimentos ratificam que o dinheiro público, que deveria servir a sua população que contribui, é amplamente utilizado para favorecimento recíproco de políticos e empresários por meio de corrupção e falcatruas. Aquela sensação de corrupção ampla e ativa nos meios políticos e empresariais está agora mais que confirmada. Percebemos também que com esse sistema, do jeito que está organizado, o voto dos governados de pouco adianta, pois os políticos precisam de aliança com aqueles que possuem dinheiro para suas campanhas eleitorais, sejam eles, empresários, banqueiro, narcotraficantes ou qualquer outro, para comprar jornalistas, juízes, televisões, rádios, apoios nas favelas e periferias.

Esse sistema oligárquico-representativo requer que o candidato faça de tudo para se eleger, inclusive, prostituir suas ideias. Para ele, o importante é ganhar a eleição. Trata-se daquela velha máxima: “os fins justificam os meios”, que não deu certo em lugar nenhum. Assim, ele se vende para chegar e manter-se no poder, mesmo que tivesse uma ideologia crítica a isso tudo.

Portanto, não adianta votar nesse ou naquele político. É necessário mudar todo o sistema de organização política da sociedade, sem a qual, continuaremos a transformar algumas pessoas, até com boas intenções, em verdadeiros canalhas corruptos. É necessário jogar todo o sistema político-eleitoral existente no país abaixo e construir um modelo marcado pelo total controle da população sobre todos os rumos das verbas públicas, de seus direitos, enfim o autogoverno. Único que é verdadeiramente oposto a todo tipo de ditadura. Um autogoverno que viabilize a democratização dos meios de comunicação e que acabe com os oligopólios de comunicação de massa para se garantir a verdadeira liberdade de expressão.

Se queremos acabar sinceramente com o uso de dinheiro público para financiar empresas e o dinheiro das empresas para financiar políticos inescrupulosos, se queremos acabar com o compra e venda de votos no Congresso Nacional, com os cargos do Estado virando moeda política, só existe um jeito: governo (Kratos ou cracia) do povo (demos) ou democracia no seu sentido etimológico. Esse modelo só será concretizado quando qualquer pessoa do povo puder exercer influência sobre os rumos do dinheiro público que é construído pelo seu trabalho. Quando sua voz for ouvida pelos demais, quando suas considerações forem levadas em conta, e isso não acontece com um regime representativo no qual um eleito não possui nenhuma obrigação de atender aos interesses dos governados, mas apenas de responder aos financiadores de sua campanha eleitoral. Enfim, estamos vendo no Brasil a total falência do regime representativo e ainda estão tentando nos impor um regime ainda mais ditatorial, quando a melhor solução é a real democracia, que significa autogoverno popular.

Wallace dos Santos de Moraes
Do jornal Le Monde Diplomatique-Brasil
No Blog do Miro
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Só há uma unanimidade no país: Diretas-Já!


O tucanato deve estar olhando agora para a coluna de sua amiga no Estadão, Vera Magalhães , que publica a pesquisa do também amigo Paraná Pesquisas (aquele instituto que, em 2014, dizia que Aécio disparava frente a Dilma, no 2º turno).

Desconsiderando as supostas “intenções de voto” – das quais todos já aprenderam a desconfiar – e a rejeição a Temer (84%)  há dois dados importantes, que reproduzo na imagem.

O “golpismo” das eleições diretas, como o chama a mídia, tem o apoio de “só” 90,6% dos brasileiros. Golpe, com 90% de apoio não é golpe, é revolução, é vontade do povo incontestável e soberana. Quem ficar de mimimi, alegando que é inconstitucional está negando o princípio constitucional de que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido.

O segundo ponto, que desmonta por completo o discurso de que a permanência de Temer “salva” o Brasil da crise é rebarbado amplamente: três quartos dos brasileiros (73,5%)  não dariam um voto de confiança a Michel Temer nem que isso levasse a economia a melhorar e o desemprego a diminuir.

Ficar com Temer é gravar um estigma na testa, como o de Caim.

Fernando Brito
No Tijolaço
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30 de mai. de 2017

A empresa fantasma de Perrella que lavava dinheiro sujo de Aécio, segundo a PGR


No pedido para que o ministro Edson Fachin, do STF, reconsidere sua decisão e mande prender o senador afastado Aécio Neves, a Procuradoria Geral da República diz que uma das empresas da família de Zezé Perrella era usada com frequência para lavar dinheiro do presidente licenciado do PSDB.

O procurador geral Rodrigo Janot escreveu em seu recurso:

“Há fortes indícios de que a empresa ENM AUDITORIA E CONSULTORIA e a empresa TAPERA PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA fazem parte do esquema para lavar recursos recebidos ilicitamente pelo Senador AÉCIO NEVES.” (as maiúsculas estão no original).

A Procuradoria refez o caminho de uma parcela de 500 mil reais da propina de 2 milhões paga por Joesley Batista. Ela saiu da JBS em dinheiro vivo através de Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, foi para as mãos de Mendherson Souza Lima, assessor de Zezé Perrella no Senado Federal, passeou por uma conta da ENM Auditoria e Consultoria e foi parar na conta da Tapera Participações e Empreendimentos Ltda, empresa da família de Zezé Perrella, que tem como acionista o filho, Gustavo Perrella.

A ENM, de Euler Nogueira Mendes, é uma empresa de contabilidade que presta serviços também para Federico Pacheco de Medeiros, administrador da Fazenda das Lajes Agroflorestal Ltda.

Frederico, Mendherson, Euler, Gustavo, Zezé têm em comum não apenas a liderança de Aécio Neves, mas também o Cruzeiro Esporte Clube. Os seis, incluindo Aécio, são conselheiros do clube.

O papel da Tapera na lavagem de dinheiro sujo recebido por Aécio trouxe à tona uma antiga investigação, também por lavagem de dinheiro, que envolveu o Cruzeiro na gestão de Zezé Perrella como presidente.

A suspeita do Ministério Público é que houve lavagem de dinheiro na negociação da venda do zagueiro Luisão, do Cruzeiro, para o Benfica, de Portugal.

O caso está parado no Supremo Tribunal Federal, para onde o inquérito criminal foi levado quando Zezé tomou posse como senador e ganhou foro privilegiado.

Mas um desdobramento dessa investigação criminal deu origem a um inquérito civil, em Minas Gerais, o de número 0024.11.003.118-4, que apura ilícitos cometidos na gestão de entidades ligadas ao futebol no Estado de Minas Gerais.

É nesse inquérito civil que apareceu o nome da Tapera como suspeita de ser usada para encobrir dinheiro recebido por fora na venda do jogador Luisão.

Em 2012, nove anos depois da venda do atleta, Gustavo Perrella foi chamado para depor e disse que a Tapera, já naquela época, era uma empresa sem atividade, uma fachada, empresa de papel.

Segue um trecho do depoimento, obtido com exclusividade pelo DCM:

Que a empresa Tapera, atualmente, não está em atividade; que a empresa Tapera detinha cotas da empresa Limeira Agropecuária; que, no ano de 2008, o declarante e sua irmã Carolina Perrella Amaral Costa adquiriram, através da Tapera, as cotas da empresa Limeira Agropecuária Ltda., ficando 47,5% de participação para cada um; que a Tapera, embora continue existindo, encontra-se praticante inoperante.


Eles
Se estava inoperante já em 2012, como explicar depósitos e saques elevados recentemente?

É Rodrigo Janot quem responde, no recurso apresentado ao ministro Fachin: lavar dinheiro de Aécio.

Janot relaciona várias operações suspeitas da Tapera entre 2014 e 2017:

Ainda sobre o envolvimento da empresa TAPERA como possível instrumento de lavagem de dinheiro dos recursos destinados ao Senador AÉCIO NEVES, no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) 26521 do COAF há informação de que, no dia 12.04.2017, ou seja, no mesmo dia da entrega da segunda parcela de R$ 500.000,00 em São Paulo, MENDHERSON provisionou junto ao Banco BRADESCO um saque de R$ 103.000,00 da conta da empresa TAPERA para o dia seguinte. O referido saque fora feito no valor provisionado por GUSTAVO HENRIQUE PERRELLA AMARAL DA COSTA no dia 13.04.2017. Consta ainda no mencionado RIF que, no dia 22.04.2017, poucos dias após a entrega da terceira parcela de R$500.000,00 referente à propina de R$ 2.000.000,00, GUSTAVO HENRIQUE PERRELLA AMARAL COSTA depositou R$ 220.000,00 em espécie na conta da empresa TAPERA.

Além dessas movimentações, no RIF há menção a diversas outras operações suspeitas em anos anteriores, vejamos. Em 2014, MENDHERSON, na qualidade de procurador da empresa TAPERA junto ao Banco BRADESCO provisionou um saque de R$ 910.000,00, no mês de maio; vários outros saques que totalizaram R$ 1.020.000,00 no mês de julho (sacou efetivamente R$ 400.000,00),e outros, em agosto, que totalizaram R$ 680.000,00 (sacou efetivamente R$ 520.000,00); depositou R$ 100.000 neste mesmo em julho. Cumpre ressaltar que, no ano de 2014, o Senador AÉCIO NEVES recebeu muitos recursos da empresa J&F (controladora da JBS) a titulo de propina. Em 2015, MENDHERSON, na qualidade de procurador da empresa TAPERA, provisionou junto ao Banco BRADESCO R$ 300.000,00 em julho; R$ 500.000,00 em agosto; e R$ 340.000,00 em setembro. Em 2016, consta que a empresa FREDERICO PACHECO EMPREENDIMENTOS, empresa de FREDERICO PACHECO DE MEDEIROS, recebeu R$ 165.000.00 da empresa TAPERA.

Édson Fachin registrou na decisão em que afastou Aécio do Senado, mas negou a prisão:

O conjunto cognitivo, sob outra ótica, mostra-se mais amplo e permite depreender, em tese, a percepção dos 2 milhões de reais não como um fato único, em tese, criminoso, mas sim, inserido numa cadeia delitiva maior e que já se prolongaria no tempo.

Se a propina da JBS não é um fato isolado, mas parte de uma sequência de crimes e Aécio tem desrespeitado a determinação de se manter afastado de outros investigados pelo crime de corrupção, o que falta para o Supremo Tribunal Federal mandá-lo para a cadeia?

Hoje à tarde, Fachin decidiu desmembrar o inquérito resultante da delação de Joesley Batista. Temer será investigado em um inquérito e Aécio em outro. O inquérito sobre Aécio foi encaminhado para a presidente do Supremo, ministra Carmen Lúcia.

O pedido da prisão do senador afastado será decidido por outro ministro, relator do inquérito, a ser escolhido mediante sorteio.

Por enquanto, é esperar.

Para Aécio, o melhor dos mundos seria ter seu amigo Gilmar Mendes na relatoria desse inquérito.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Interessada na auto preservação, a cracolândia do Planalto não se importa em destruir o Brasil

Doria e Temer no Fórum de Investimentos
As veias abertas do governo Temer são um espetáculo dantesco de auto preservação.

Michel, vendido pela mídia como um “político hábil”, passa seus dias construindo acordos com uma corriola no sentido de obstruir a Justiça, manter-se no poder e escapar da cadeia a qualquer custo.

Ninguém faz mais questão alguma de manter as aparências. “A agenda da Câmara é a do mercado”, resumiu Rodrigo Maia num tal Fórum Investimentos Brasil 2017.

Na companhia das principais lideranças do PSDB, seus sócios no golpe, Temer vendeu um peixe a empresários que, como sempre, não encontra respaldo na realidade.

“Não permitiremos – e houve momentos de medidas populistas – que voltem a colocar em risco o presente e o futuro dos brasileiros”, disse Michel a um público de investidores “de mais de 40 países, de mais de 20 setores” — segundo ele mesmo, que organizou a palhaçada.

“Não há plano B”, declarou o sujeito que nunca foi plano A nem para si mesmo.

Aloysio Nunes, Geraldo Alckmin e João Doria estavam lá para prestar seu apoio e se imolar no altar de uma democracia de araque.

“Mantenham suas esperanças no Brasil. Mantenham seus investimentos aqui”, pediu Doria.

Aloysio, o chanceler mais inapropriado desde José Serra, garantiu: “Senhor Presidente, o senhor entregará em 1º de janeiro de 2019 ao seu sucessor um país muito melhor do que o que recebeu”.

Alckmin, alisando a careca, atacou com a platitude de que “o Brasil não quer populismo”, repetindo o mantra de MT que fica ainda mais estúpido diante da sucessão de evidências de assalto à mão armada.

Há um dado da natureza nessa farsa, combinado com o caráter baixo desses homens públicos. O instinto de se proteger colocará suas carreiras à frente do país. Se isso destrói o país, como acontece, dane-se.

Essa conduta pequena, egoísta e incontrolável está tornando o Brasil mais instável, imprevisível e perigoso.

Como é guiado pela lógica da máfia, Temer acaba se embaralhando em suas próprias malandragens.

Deputados do PMDB do Paraná se recusaram a assumir os ministérios da Transparência ou da Cultura.

Com isso, Rodrigo Rocha Loures, o “Rodriguinho”, seu homem da mala, segue sem foro privilegiado.

O medo é de Rocha Loures, fraco e subserviente, que tem todos os segredos do patrão, fazer delação premiada.

Quanto Michel e sua corja não estão movimentando de dinheiro para colar seus traseiros à cadeira?

Embora adore apelar para a Constituição, a cracolândia do Planalto tem sua ética própria e suas regras.

Nenhuma delas diz respeito a uma ideia republicana de nação, mas de como conseguir mais drogas para ficar de pé — nem que seja por mais um dia.

Kiko Nogueira
No DCM
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Temer começou escrevendo “cartinha”, vai terminar escrevendo depoimento?


O “verba volant, scripta manent” com que, pedantemente, encimou sua carta-traição a Dilma Rousseff em meio ao complô que dirigiu com Eduardo Cunha para derrubá-la vai ganhar uma nova versão.

Agora, o que Temer vai escrever é seu depoimento-interrogatório à Polícia Federal sobre os negócios que manteve com a JBS de Joesley Batista.

Terá de negar que sabia que seu pupilo Rodrigo Rocha Loures fora apanhar uma mochila de R$ 500 mil e que este o fez por conta própria, apenas para si.

Como assessor, mesmo palaciano, não decide negócios Loures terá de botar mais alguém “na roda”para explicar o destino do dinheiro.

E a fila dos segredos e da mentira irá crescendo, o que nestes tempos de delação é o mesmo que ir armando bombas de efeito retardado.

O que não teve destaque, na mídia, ao noticiar-se a separação dos inquéritos sobre Temer e Aécio Neves – que não têm, mesmo, qualquer conexão direta – foi que negou-se o pedido do advogado do ocupante do Palácio do Planalto de separa-lo de Rocha Loures:

“A afirmação de que o deputado Rodrigo Loures seria “homem de ‘total confiança’ de Michel Temer”, mesmo que fosse verdadeira, não induziria, como não induz, à formação de um nexo necessário à reunião das investigações”, diz a petição (paupérrima, por sinal) do advogado Antonio Mariz de Oliveira.

Pelo visto, não apenas induziu como amarrou definitivamente os atos de Loures às tratativas de Temer.

Aliás, as vergonhosas peripécia de Temer para conseguir uma garantia de foro privilegiado para Loures perderam o sentido. Como se  disse antes, a conexão com os atos de Temer mantém o “homem da mala” do STF,

A não ser que Temer queira assumir que lhe arranja um mandato para evitar que seja preso e aumente-se o risco de que dê com a língua nos dentes.

Michel Temer é um cadaver insepulto, à espera de que um delator venha lhe cravar uma estaca no coração.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Diretas Já! — Lançamento do Plano de Emergência Popular — FBP



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Como os EUA passaram a controlar a Petrobras e a JBS


A respeito do post “Xadrez de como Janot foi conduzido no caso JBS” recebo informações de leitores que complementam a questão geopolítica apresentada.

Há duas áreas estratégicas no Brasil, de interesse direto dos Estados Unidos. Uma, a área de energia/petróleo; outra, a área de alimentos. Nelas, a Petrobras e a JBS.

O interesse estratégico na JBS se deve ao fato de ter se transformado no maior fornecedor de proteína animal para a Rússia e a China. Na Petrobras, obviamente pelo acesso ao pré-sal.

Nos dois casos, o Departamento de Justiça logrou colocar sob fiscalização direta do escritório Baker & McKenzie, de Chicago, o maior dos Estados Unidos, o segundo maior do mundo, com 4.600 advogados e 13.000 funcionários mundo e com estrutura legal de uma sociedade registrada na Suíça (Verein) para pagar menos impostos. É considerado ligado ao Departamento de Estado e ao Departamento de Justiça e é visto em todo o mundo como um "braço" do governo americano, atuando em alinhamento com ele na proteção dos interesses essenciais dos EUA.

No Brasil, o nome de fachada da Baker & McKenzie é o escritório de advocacia Trench, Rossi & Watanabe.

Trata-se de uma nova versão originaria do primeiro escritório Baker & Mackenzie no Brasil, fundado como Stroeter, Trench e Veirano em uma pequena casa na Rua Pará em Higienópolis em 1973. O cabeça era o advogado Carlos Alberto de Souza Rossi, filho do empresário Eduardo Garcia Rossi, ligado à SOFUNGE fundição do grupo Simonsen. Depois o Veirano saiu e montou seu próprio escritório e entrou o desembargador aposentado Kazuo Watanabe, um dos pais dos Juizados de Pequenas Causas.

O Trench, Rossi & Watanabe foi indicado pelo Departamento de Justiça como fiscal dentro da Petrobras, serviço pelo qual já cobrou mais de 100 milhões de reais. Hoje a Petrobras está sob supervisão direta  do BAKER MCKENZIE, que analisa todos seus contratos, vasculha seus e-mails, tentando identificar novas áreas de atuação suspeita.

Agora, assumiu a defesa da JBS, inclusive nas negociações com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O Baker McKenzie é o principal escritório da JBS nos EUA. O caso JBS está sendo monitorado de perto pelo governo dos EUA porque os EUA poderão ter de graça sob seu controle a maior empresa de proteína animal do mundo.

Na realidade a JBS "salvou" a indústria de frigorificação de carne dos EUA, toda ela quebrada, e salvou com dinheiro publico brasileiro.

O Brasil praticamente "entregou" a JBS ao controle do EUA. Os Batista não têm saída a não ser virarem americanos. É mais um bom serviço prestado pelos  moralistas do Brasil.

Antes os EUA usavam pastores evangélicos para penetrar nos países, hoje usam promotores.

Luís Nassif
No GGN
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Novos árabes

Sonhemos. O petróleo acaba e o mundo passa a depender, para toda a sua energia, do combustível vegetal. Biodiesel e álcool. Ninguém tem tanto biocombustível para vender, ou terra para produzi-lo, do que o Brasil. Enquanto o Oriente Médio afunda no seu subsolo vazio e a areia cobre suas refinarias e seus palácios, o Brasil se transforma no principal fornecedor do sangue do mundo industrial. Brasil, a Nova Arábia.

Já temos um começo de produção importante. Já conhecemos a tecnologia. Com os investimentos das sedentas potências industriais, nossa capacidade de transformar vegetal em energia se multiplicará. E mais: ao contrário do combustível fóssil, o biocombustível não acaba. Seremos os árabes do mundo por muito mais tempo. E reproduziremos, aqui, o poder e o fausto do Médio Oriente, com os dólares que nos inundarão. Afinal, se eles construíram uma civilização feita de dólar no deserto, por que não construiremos uma igual aqui, onde tudo cresce tão rápido? 

De certa maneira, estamos nos condicionando para isso há muito tempo. Finalmente entendemos o comportamento da nossa elite, que sempre levou vida de sheiks do petróleo. Não são insensíveis e fúteis, são visionários, foram pioneiros. Estavam treinando para o nosso futuro árabe. Construiu-se aqui a sociedade mais desigual do mundo como uma imitação informal da desigualdade institucionalizada do Oriente, onde o contraste entre a massa miserável e o potentado é tradição, não má-formação. 

Estávamos sendo meio orientais, inconscientemente nos preparando para tomar o lugar deles. Até nossa corrupção, nos seus exageros, tem um pouco dessa premonição de um dia sermos emires do biocombustível, pois no Brasil o dinheiro nascerá na terra.

Com a China precisando de cada vez mais combustível e os americanos cada vez mais incapazes de largar o vício da gasolina barata, o petróleo não dura até o fim do século. Então será a nossa vez. Temos a matéria-prima para substituir o petróleo, temos a terra, temos a técnica, temos os sheiks e temos a atitude. Estamos prontos. 

Postergação. Curioso como, além da cana, as origens mais modernas de energia sejam o sol e o vento, duas das coisas mais antigas do mundo. E experimenta-se com a energia das marés, outra força que existe no planeta desde a sua formação. É como se a extração do combustível fóssil até sua extinção fosse apenas uma postergação, suja e difícil, até que a humanidade desenvolvesse uma maneira de aproveitar o sol, o vento e os mares como fontes de energia fáceis e limpas. Estaríamos vivendo a pré-história de um mundo finalmente livre do lodo malcheiroso, pelo qual tantos morreram.

Luís Fernando Veríssimo
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Xadrez de como Janot foi conduzido no caso JBS


Teoria do Fato é um método de investigação que o Ministério Público Federal introduziu na Lava Jato. É um nome vistoso para uma metodologia utilizada empiricamente por repórteres na cobertura de casos complexos.

Trata-se de montar uma narrativa com um conjunto de deduções amarradas a algumas informações objetivas.

Vamos montar nossa Teoria do Fato sobre o acordo de delação da JBS.

Movimento 1 – Janot e a Operação Norbert

Fatos: No dia 2 de janeiro de 2015 o GGN divulgava em primeira mão a ação penal 209.51.01.813801- que mofava desde 2010 na gaveta do PGR – na época era Roberto Gurgel (https://goo.gl/kd7LeA). Na noite do jantar de posse de Dilma Rousseff, antes de publicar a matéria, cobrei de Janot posição sobre o inquérito.

- Quando você tirará da gaveta a Operação Norbert?

A primeira reação de Janot foi demonstrar surpresa, sugerindo nada saber sobre o tema. Como já tinha todos os dados, despejei em cima dele: a operação em cima de um casal de doleiros no Rio de Janeiro, Norbert Muller e sua mulher, Christine Puschmann , montada por três procuradores de ponta do MPF – que você chamou para trabalhar na PGR -, que descobriu contas de Aécio Neves em Liechtenstein abertas em nome de uma tal Fundação Bogart & Taylor.

Aí Janot se lembrou e me disse que daria parecer no máximo até abril.

Publiquei a matéria. No dia 25 de março de 2015, o jornalista mineiro Marco Aurélio Flores Carone entrou com uma denúncia na Sala de Atendimento ao Cidadão, solicitando providências em relação à denúncia (https://goo.gl/EwgyPs).

Constatou-se que havia sido arquivada em 23 de fevereiro de 2010 pelo procurador Rodrigo Ramos Poerson, sob a alegação de que o Principado de Liechtenstein não tinha acordo de troca de informações com o Brasil.

No dia 15 de dezembro de 2015 Janot respondeu, informando que havia determinado o arquivamento dos autos alegando que a conta era de propriedade da mãe de Aécio, Inês Maria Neves Faria, com Aécio e irmãos figurando apenas como herdeiros. Além disso, segundo Janot, a mãe de Aécio não autorizara ninguém a abrir conta em seu nome e os valores movimentados eram inferiores ao mínimo a ser declarado ao Banco Central.

Em vista disso, determinava o arquivamento dos autos.

Esse era o Janot-Aécio antes do fator JBS.

Peça central em todas as etapas das investigações foi Marcelo Miller, procurador que conduziu a Operação Norbert, que viu indícios contra Aécio para remeter a denúncia para a PGR e que depois foi convocado por Janot para compor seu estado maior na Procuradoria Geral da República. Ou seja, o procurador Miller, em Brasília, não viu nenhum dos indícios apontados pelo Procurador Miller, quando no Rio de Janeiro.

Movimento 2 – a JBS ensaia a delação premiada

A água começou a bater no nariz da JBS com a delação de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa Econômica federal, ligado a Eduardo Cunha. A empresa foi alvo de três operações da Polícia Federal, Sépsis, Greenfield e Cui Bono, bens foram bloqueados e os irmãos afastados da direção do grupo.

Os irmãos Batista já haviam traçado sua estratégia. Primeiro, mudar a sede da empresa e suas residências para os Estados Unidos. A maior parte dos negócios já estava por lá e seu pedido de mudança da sede seria muitíssimo bem acolhido porque daria aos Estados Unidos poder amplo sobre o maior fornecedor de proteínas animais para a China e para a Rússia. Não foi difícil um acordo de leniência com o Departamento de Justiça local.

Mas, antes, precisaria se livrar dos empecilhos legais no Brasil. E o caminho seria um acordo de delação que limpasse definitivamente a barra por aqui.

Advogados de Joesley Batista sondaram procuradores da Lava Jato em Brasília querendo abrir caminho para a delação premiada.

Um deles era Marcelo Miller, braço direito do PGR Rodrigo Janot e profundo conhecedor dos intestinos da Lava Jato. Além disso, profundo conhecedor da falta de vontade da PGR em investigar Aécio Neves.

Movimento 3 – Miller monta a estratégia

No final de 2016 Joesley Batista percebeu que precisaria de uma estratégia fulminante para impedir que a Lava Jato destruísse a empresa, a exemplo do que fez com a Odebrecht.

Há alguns meses, Miller manifestara a colegas a vontade de deixar o MPF. A partir de fins de 2016 provavelmente deu-se a aproximação de Joesley com ele. Vamos imaginar o diálogo:

Joesley conversou com Miller indagando como poderia obter uma delação premiada que o livrasse de todos os problemas no Brasil. O procurador alegou que seria difícil, mas não impossível. Teria que apresentar uma bomba atômica maior do que todas as anteriores. Mas teria que apresentar de tal modo que não restasse outra alternativa a Janot senão aceitar.

Qual seria o caminho?

Provavelmente a resposta foi algo do gênero: “Não posso dizer, porque não sou seu advogado”.

Foi um acerto rápido – a julgar pela cronologia dos fatos. Miller seria contratado pelo escritório Trech, Rossi & Watanabe, conceituado, contratado pela Petrobras para uma auditoria em todos os contratos e e-mails da companhia desde 2003.

Movimento 4 – preparando o bote

Antes mesmo de sair do MPF, Miller ajudou a montar a estratégia.

Primeiro, analisou com Joesley todos os trunfos que teria à mão. E Joesley apresentou seus dois maiores trunfos: a possibilidade de grampear conversas comprometedoras com Michel Temer e Aécio Neves.

Mas como convencer Janot a aceitar? Desde 2014, Janot sempre tergiversara quando as investigações roçavam Aécio Neves (https://goo.gl/iuSuxK). No Supremo, havia uma disputa entre ele e o Ministro Gilmar Mendes, inimigos declarados, mas revezando-se na blindagem a Aécio. Deixara incólume Dimas Toledo, o operador de Aécio em Furnas; recusara a delação da OAS, que seguramente incriminaria caciques tucanos.

Qual o caminho das pedras para aceitar a delação da JBS?

A estratégia consistiria, então, em apresentar provas tão bombásticas que Janot não teria outra alternativa senão aceitar. E nada melhor do que um grampo em Aécio Neves, o lado mais vulnerável de Janot, devido às suspeitas sobre sua falta de vontade de atuar contra o conterrâneo.

Miller pediu exoneração do MPF no dia 6 de março de 2017. O primeiro grampo de Joesley Batista foi um dia depois, no dia 7 de março de 2017 (https://goo.gl/OzX0Oi).

No dia 2 de abril de 2017 surgiram as primeiras informações de que Joesley estaria disposto a fazer as delações.

No decorrer do mês, houve a abordagem formal da PGR pela JBS para negociar o acordo de delação. O pacote incluía grampos com Aécio e Temer, em conversas comprometedoras; extratos bancários, números de contas no exterior por onde transitavam as propinas. E a informação de que já estavam de partida para os Estados Unidos.

Jogaram um elefante na sala de Janot, sem a menor possibilidade que fosse escondido debaixo do tapete, como foram escondidas as capivaras de Dimas Toledo, dos esquemas de Furnas, das parcerias com a Andrade Gutierrez.

Em pungente artigo publicado na UOL no dia 23 de maio de 2017, Janot admite como praticamente foi obrigado a aceitar a delação (https://goo.gl/CIb6oN).

“Em abril deste ano, fui procurado pelos irmãos Batista. Trouxeram eles indícios consistentes de crimes em andamento – vou repetir: crimes graves em execução –, praticados em tese por um senador da República e por um deputado federal.

Os colaboradores, no entanto, tinham outros fatos graves a revelar. Corromperam um procurador no Ministério Público Federal. Apresentaram gravações de conversas com o presidente da República, em uma das quais se narravam diversos crimes supostamente destinado a turbar as investigações da Lava Jato.

Além desses fatos aterradores, foram apresentadas dezenas de documentos e informações concretas sobre contas bancárias no exterior e pagamento de propinas envolvendo quase duas mil figuras políticas”.

Não é a declaração assertiva de um PGR no pleno comando das operações, mas explicações titubeantes de como foi obrigado a aceitar a delação e negociar termos bastantes favoráveis aos delatores:

“Que juízo faria a sociedade do MPF se os demais fatos delituosos apresentados, como a conta-corrente no exterior que atendia a dois ex-presidentes, fossem simplesmente ignorados? Foram as perguntas que precisei responder na solidão do meu cargo”.

Foi a chamada sinuca de bico. Ou aceitava ou haveria dois dos mais cobiçados alvos da Lava Jato livres, leves e soltos em Nova York e o fantasma do pacote de delação pairando sobre o pescoço de Janot.

“Finalmente, tivesse o acordo sido recusado, os colaboradores, no mundo real, continuariam circulando pelas ruas de Nova York, até que os crimes prescrevessem, sem pagar um tostão a ninguém e sem nada revelar, o que, aliás, era o usual no Brasil até pouco tempo”.

Movimento 5 – a adesão da Globo

Mas não bastaria. Entrava-se, agora, em um terreno tabu para a mídia, a criminalização dos seus aliados. Afinal, Aécio Neves quase se tornou presidente da República com jornais escondendo seu passado e todas as suspeitas que pairavam sobre ele. E membros da força tarefa da Lava Jato, de Curitiba, fazendo campanha ostensiva para ele através das redes sociais.

Além disso, já havia um cansaço com as estripulias da Lava Jato paranaense e críticas cada vez mais amplas contra o estado de arbítrio. Sem o bate-bumbo da mídia, o Ministro Luiz Edson Fachin dificilmente homologaria uma delação na qual o elemento de maior destaque era um grampo no próprio presidente da República.

Como furar o balão da cumplicidade da mídia, regada pelas verbas publicitárias articuladas por Eliseu Padilha?

Aí entrou a rede Globo e seu principal patrocinador – a JBS.

No dia 10 de maio de 2017 Joesley, mais sete executivos da JBS foram até o Ministro Luiz Edson Fachin confirmar os termos da delação premiada acertada com o PGR (https://goo.gl/D07n1Z). À noite, o Jornal Nacional monta uma cobertura de quase uma hora, improvisada. No dia 17 de maio de 2017, a notícia da delação é vazada para O Globo. No dia 18 de maio de 2017 Fachin anuncia a homologação da delação.

Imediatamente, a Polícia Federal prende Andreá Neves, invade os apartamentos de Aécio Neves, criando o episódio de maior impacto da Lava Jato desde a condução coercitiva de Lula.

O que cativou a Globo e a fez apostar todas as fichas na denúncia e, por consequência, no impeachment de Michel Temer? Quem vazou o acordo para ela, Janot ou os Batista? Como explicar quase uma hora de Jornal Nacional improvisado, com repórteres e comentaristas de olhos arregalados, balbuciantes, sem conseguir sequer seguir o script? E, mais ainda, contra o maior anunciante da Globo e rompendo o pacto com outros grupos de mídia?

Há um conjunto de possibilidades:

1.     A Globo foi convencida de que não haveria mais condições de apoiar Temer, depois que o pacote fosse revelado. A alternativa seria ela faturar jornalisticamente em cima da denúncia, cacifando-se para os jogos da sucessão.

2.     Houve uma negociação da Globo com a própria JBS, visando criar o fato consumado. Nenhum veículo investe a seco contra seu maior patrocinador com a desenvoltura com que a Globo endossou as denúncias.

Foi uma adesão tão rápida e improvisada que, de manhã, Mirian Leitão produziu uma bela reportagem com o ínclito Eliseu Padilha defendendo o governo; e à tarde, depois do editorial da Globo pedindo o impeachment, correu a retificar com uma notinha em que dizia que, à luz das últimas informações, o governo Temer não tinha remédio. As últimas informações eram o editorial de O Globo.

Luís Nassif
No GGN
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