17 de abr de 2017

Temer, em novo Ibope, tem 9%. Não tem legitimidade para reformas


Os jornais noticiam hoje uma suposta disposição de Michel Temer de “esticar” até 2038 a adoção da idade mínima de aposentadoria e outras medidas para atenuar o impacto sobre os trabalhadores.

Pouco vai adiantar para a aprovação na Câmara, porque há um pecado de origem: a falta de legitimidade do atual ocupante do Palácio do Planalto.

Hoje, José  Roberto de Toledo, no Estadão, registra que o Ibope, em nova pesquisa, encontrou apenas 9% para “ótimo” ou “bom” do atual presidente, mesmo tendo sido feito o levantamento antes da onda de delações da Odebrecht que o implicaram, diretamente, no pedido de US$ 40 milhões à Odebrecht por um contrato na Petrobras, em parceria com Eduardo Cunha.

Defensores do presidente costumam dizer que a desaprovação é geral, que a revolta é contra todos os políticos. Pode ser, mas com Temer é pior, bem pior. A taxa de ótimo e bom dos governadores é mais do que o dobro da do presidente: 22%. E a dos novos prefeitos, quatro vezes superior à de Temer: 37%.

Mais importante é que, comparando-se esses resultados com os de dezembro de 2015 (última vez que o Ibope avaliou as três esferas de governo ao mesmo tempo), Temer é o único em baixa. Na média nacional, o ótimo e bom dos governadores cresceu três pontos, e a dos prefeitos aumentou de 24% para 37%. O salto de 13 pontos se explica pelo fato de os prefeitos recém-eleitos terem sido empossados há cem dias. Mas os governadores estão há mais tempo no poder do que o presidente, alguns com governos quebrados.

A amostra da pesquisa não permite extrair recortes estaduais, mas, mesmo no Sudeste, onde o Rio de Janeiro passa pela mais grave crise fiscal de sua história, a taxa de ótimo e bom dos quatro governadores é, na média, o dobro da de Temer: 17% a 8%. No Nordeste, então, é uma lavada: 33% a 5% para os governadores. Comparar a popularidade de Temer com a dos prefeitos nordestinos é covardia: 44% a 5%. Também no Sudeste, 35% a 8%.

Toledo lista três motivos para este desastre: recessão, desemprego e reforma da previdência. A todos eles, a meu ver, soma-se a raiz de tudo: a falta de legitimidade que lhe deram as circunstâncias do impedimento de Dilma Rousseff.

Esta é a carência mortal de Temer, que não se resolve sequer com a atenuação das mudanças previdenciárias, onde o seu governo cometeu o erro primário de entrar rugindo como um leão e esta a ponto de soltar miados para que se aprove qualquer coisa que “lave a cara” de uma acachapante derrota.

Ainda assim, é difícil que isso ocorra, porque, agora, a intenção ficou mais importante que o gesto e não há negociação possível e, ao contrário, o movimento de opinião pública – no final do mês veremos – se torna crescentemente contrário.

Fernando Brito
No Tijolaço

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