13 de abr de 2017

Moro ajudou Temer a encobrir reunião do achaque


O mais importante, agora, é que se investiguem os fatos nos depoimentos dos executivos da Odebrecht com muito mais afinco do que as alegações e, de toda a batelada de informações que ontem vieram à tona um fato com local, hora e participantes absolutamente definidos, caracterizando um verdadeiro achaque, coordenado pessoalmente pelo então candidato a vice-presidente da República e hoje o homem no comando do país.

Um fato que não pode permanecer no limbo pela simples alegação de que ele, por salvaguarda constitucional, não pode ser criminalmente responsabilizado até que se encerre a sua passagem pelo Palácio do Planalto, até porque há outros participantes que detinham (e um deles ainda detém) funções públicas.

Foi essa situação, chocante e escusa, da qual Sérgio Moro protegeu o Sr. Michel Temer ao vetar a pergunta de número 34 da lista de questões feitas por Eduardo Cunha a ele, que transcrevo, literalmente:

34-“Vossa Excelência tem conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antônio Batuíra, nº 470, em São Paulo/SP, juntamente com João Augusto Henriques?”

Pois agora surge a informação precisa desta reunião: foi neste endereço, no dia 15 de julho de 2010, às 11h30. Não é preciso muito esforço, está na lista telefônica que ali é o escritório de Michel Elias Lulia Temer, telefone  3816-39XX

Temos um fato concreto, com data, hora, local e lista de participantes. Há fartos meios de prova, como passagens aéreas e agendas dos envolvidos. E não há um pedido de ajuda para campanha, mas um ato de exigir vantagens financeiras para a assinatura de um contrato.

Esta é a primeira providência: confirmar, objetivamente,  a reunião do achaque, o destino e a forma dos pagamentos da impressionante quantia de US$ 40 milhões (por favor, evite-se histórias de mochilas, para que não se tenha de fazer as contas do volume, porque é maior do que uma caixa d’água de mil litros cheia até à boca com notas de R$ 100).

Isto é, faço questão de apresentar aos neojornalistas e neopoliciais-procuradores, abastecidos de convicções, o que antigamente chamávamos de “Sua Excelência, o fato”.

Ou para esta imensa teia que temos aí só interessam as “moscas selecionadas”?

As denúncias em relação a Lula, Dilma e outros que estão fora do poder devem ser apuradas, mas estão na base do “tenho certeza de que era para eles”.

Esta tem nome, sobrenome, endereço e fartas impressões digitais.

Vai prevalecer o veto do Doutor Moro e a Procuradoria e a mídia também vão deixar para lá, pois não vem ao caso?

É pior: Temer presidiu, em seu escritório, sessão para tomar US$ 40 mi


Escritório político de Temer, na Avenida Antônio Batuíra (para quem não se lembra era Batuíra um dos apelidos de Eliseu Resende na planilha da Odebrecht)  em São Paulo, no Alto de Pinheiros, no dia 15 de julho de 2010, às 11h30.

Esse foi o momento do roubo que Dilma Rousseff desconfiava, segundo o depoimento de Marcelo Odebrecht, enfocado no post anterior.

Michel Temer estava à cabeceira da mesa em que se acertou o pagamento de US$ 40 milhões de propina relativos a 5% de um contrato da empreiteira com a Petrobras.

Em volta dele, Rogério Araújo, outro executivo da Odebrecht, e os então deputados federais Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN), todos do PMDB, além do lobista João Augusto Henriques.

O ex-executivo, então presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, Márcio Faria da Silva diz que ali se acertou o tal contrato da Petrobras que despertou as suspeitas de Graça Foster e de Dilma Rousseff , que seria adjudicado em favor da companhia e que o PMDB contaria com ajuda financeira para campanha política, o que foi concordado por Temer”, escreveu no termo escrito que entregou.

O valor? Nada menos que o equivalente da US$ 40 milhões, ou R$ 120 milhões.

Diz a Folha:

Segundo seu relato, Temer afirmou que qualquer problema com ela seria resolvido pelos “rapazes”, Eduardo Cunha e Henrique Alves. “Sinalizando para o colo dele, disse que os dois rapazes iam resolver os assuntos necessários de interesse do PMDB.”

Outros delatores da Odebrecht confirmaram a versão de Márcio Faria, com a apresentação de documentos de pagamentos no Brasil e no exterior.

Michel Temer está morto. E a autópsia mostra como Eduardo Cunha chegou à presidência da Câmara e ele à presidência da República.



Fernando Brito
No Tijolaço

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