12 de abr de 2017

A República no Tribunal – 2: a terra arrasada é fértil para a ditadura


Lula, Dilma, Fernando Henrique, Aécio, Calheiros, Jucá, Temer, Maia, Eunício, Serra, Anastasia, Paes, Cabral, Mantega, Wagner, a lista vai até onde você quiser. E se alguém ficou fora, ainda há outras, além da Odebrecht, para mostrar os favores que fez.

A imagem acima, capa do site da Veja, mostra bem a culpa ampla, geral e irrestrita dos que foram escolhidos, sejam os de esquerda ou de direita.

Se é verdadeiro ou falso, pouco importa. Se é o método de financiamento das campanhas políticas sabido de todos, ou se é negociata para enriquecimento pessoal, também não tem relevância.

O que importa é que toda a política brasileira está nas mãos de homens que não foram escolhidos pela população.

Um acerto obscuro entre um juiz, promotores e policiais produziu “verdades” que, embora não sejam desprovidas de algum fundamento – porque está para aparecer uma democracia burguesa onde o dinheiro não busque o poder -, é hoje a alma mater da política no Brasil.

Trocamos a busca da felicidade pela “retidão moral” (ou o que a corporação punitiva e a mídia nos deixam ver  descuidada) e os rumos pelos juízos de honradez, apenas.

Pessoalmente, procuro ter ambos, mas sabendo que por isso este é o Tijolaço, blog modesto, não a Veja ou a Globo. Mas isso é ficar fora da disputa de poder e, mesmo na minha pequenez, sei que isso é um fustigamento, não uma guerra em que é, indispensavelmente, preciso vencer em nome do país e de seu povo.

A disputa política é uma guerra, como todas elas com seus lances ocultos e nada angelicais.

Estamos vendo um deles, agora, onde a direita corta fundo em sua própria carne, destruindo seus ícones, para buscar legitimar a exclusão de Lula da disputa de 2018.

Ou alguém acredita que o objetivo seria o de “restaurar a moralidade” quando se vive um processo que entrega o governo a escroques e a Presidência a um quadrilheiro que fica, explicitamente, fora do processo por uma questão temporal de seus achaques?

Quando se institui um governo que tem como “méritos” cortar verbas da Saúde, da Educação, pensões e aposentadorias humildes, vender as terras e os minérios do Brasil, entregar nosso agora abundante petróleo?

Só o que isso tem aberto de horizontes ao Brasil são neanderthals políticos, como Bolsonaro e Dória, nem mesmo uma alternativa conservadora minimamente capaz de conviver com a realidade, transformando-a.

O Brasil é terra fértil para os selvagens.

Se não entendermos isso e soubermos aglutinar as parcas resistências ao autoritarismo, agindo para além de um moralismo primário, estaremos condenados a viver sob o tacão de um suposto moralismo que legitima o saque corrupto da riqueza e do futuro deste pais, onde o “imoral” é alguém se aposentar aos 60 anos de idade e não sermos drenadores de nossas riquezas.

Eu quero que o futuro do meu país seja decidido nas urnas, não nos tribunais.

Nelas, quem condena e absolve sou eu, é você, somos todos.

Não merecemos ter sequer a chance de que alguém não nos usurpe este direito.

Fernando Brito
No Tijolaço

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