19 de mar de 2017

Quando é com ele, Aécio diz que é absurdo usar delação


“Não é possível que acusações irresponsáveis como essa sejam feitas, aceitas e divulgadas sem um mínimo de comprovação. São vazamentos criminosos que precisam ser esclarecidos”. Não, a frase não é de nenhum dirigente petista, diante de denúncias de tráfico de influência ou de corrupção, mas de Aécio Neves, hoje, na Folha, reagindo à denúncia de Marcelo Odebrecht teria feito de que ele  acertou com sua empreiteira e  com a Andrade Gutierrez, um repasse de R$ 50 milhões pelos negócios da construção da hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia, em dezembro de 2007.

O valor, corrigido para fevereiro passado, dá R$ 90 milhões. Diz a Folha:

Marcelo e outros executivos da Odebrecht afirmaram aos procuradores da Operação Lava Jato que as empresas decidiram fazer o acerto com o tucano porque queriam ter uma boa relação com as duas sócias da usina sobre as quais Aécio tinha influência – ou seja, Furnas e Cemig. 

Se houvesse problemas com essas empresas durante a construção da hidrelétrica, o tucano poderia ajudar a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, segundo o que disseram os delatores.

Ainda pesou o fato de que a Odebrecht via no tucano um político em ascensão.

É curioso que Aécio, que aceitou desde o primeiro dia as acusações que se dirigiam a Lula, agora queira para si o benefício da dúvida. Ainda mais, porque, ao contrário do que aconteceu com Lula, sua vida não foi devassada, sua casa invadida, seus papéis revirados por causa de uma delação, enquanto o ex-presidente os teve com base em um “ouvi dizer” que, afinal, ninguém, a não ser o porteiro do tal triplex do Guarujá diz ter ouvido.

O Dr. Rodrigo Janot, há dois anos, pediu o arquivamento das investigações sobre Aécio, que tinha uma acusação com alguma objetividade e um operador apontado, Dimas Toledo, em Furnas.  Contra Lula, vai abrir todas e qualquer uma, até fuçar pedalinhos e barco de lata.

Aliás, também é curiosa a “delicadeza com que a Folha trata a denúncia, afirmando que os delatores ” não falaram em propina para descrever o acerto com Aécio”. Jesus, o que seria, a ser verdade?  “Agrado”, “chamego”, “presentinho”, “trocado para um café”?

Afinal, daria para comprar mais de 50 daqueles pombais do Guarujá que acusam, sem uma prova sequer, que Lula teria recebido!

Mas, com toda a cobertura, proteção e favoritismo a situação de Aécio se deteriorou e ele é hoje um traste que dificilmente pode ser aproveitado.

Fernando Brito
No Tijolaço

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