27 de mar de 2017

Olympio Guilherme, um brasileiro em Hollywood

 Fascinante 


Olympio Guilherme é um dos personagens mais interessantes e pouco conhecidos da história do Brasil.

Natural de Bragança Paulista, começou no jornalismo com Casper Líbero, em A Gazeta, em São Paulo. Muito bonito, foi a primeira grande paixão de Pagu, a musa dos modernistas.

Ouvi falar pela primeira vez dele através de Oswaldo Russomano, tio da minha primeira esposa. Tato, como era chamado, foi convidado pelo amigo Olympio Guilherme para administrar o Observatório Econômico, revista semanal de grande prestígio, de propriedade de Valentim Bouças, o brasileiro que trouxe a IBM para o Brasil, para imprimir os holleriths do setor público.

Há alguns anos, Antônio Sonsin, também bragantino, começou a levantar a vida de Olympio. Neste domingo à tarde, conversamos longamente sobre seu trabalho.

Sonsin interessou-se por Olympio a partir das conversas com Chico Ciência, historiador em Bragança Paulista. Em 1967, aos 17 anos, musiquei uma peça de Chico, que acabou vetada pela censura da época, resultando em uma passeata de protesto em Campinas e a apresentação da peça nas escadarias da PUC. Sonsin está de posse da peça e ficou de me mandar.

Em suas andanças, acabou descobrindo a única filha de Guilherme, atualmente morando em Londres, que herdou os arquivos do pai. Aliás, a família e os amigos só souberam de sua existência no seu velório quando e menina, de 14 anos, apareceu pranteando o pai.


Com vinte e poucos anos, Olympio foi para Hollywood, através de um concurso da Fox, para escolher uma mulher e um homem brasileiros, para lança-los em Holywood.

A mulher escolhida foi Lia Torá, uma beleza de mulher sobre a qual falaremos em outra oportunidade.

O concurso terminou sem um representante masculino. Incentivado por Pagu e pelos amigos, Olympio acabou se inscrevendo e foi escolhido.

Chegando em Hollywood, descobriu que caíra em uma peta. Na verdade, o concurso fora apenas para promover a Fox no Brasil. Mesmo assim, chegando em Hollywood, Olympio passou a se virar e produziu um filme em preto e branco sobre a fome – que campeava no país após a crise de 1929. O filme foi vetado porque interessava à indústria cinematográfica levantar o moral do país e consideraram o filme muito deprimente.

Quando morreu Rodolfo Valentino, o poeta Guilherme de Almeida invocou que ele seria o próximo Valentino. Não falava inglês, mas ainda estava na fase dos filmes mudos.

Enfim, Olympio Guilherme voltou para o país em fazer a América. Decidiu, então, estudar economia e acabou indo trabalhar com Valentim Bouças. Quando Valentim precisou voltar para os Estados Unidos, colocou-o para dirigir o Observador Econômico.

Na entrevista, Sonsin relata alguns feitos de Olympio Guilherme. Na revista, um de seus focas era Carlos Lacerda. Aliás, Tato me contava as broncas que Olympio costumava dar no foca.

Mas foi uma reportagem pedida a Carlos Lacerda – de descrever o Partido Comunista, ao qual ele era filiado – que resultou no seu rompimento com o PC e em seu mergulho na direita. No artigo, Lacerda desancava sem dó seu antigo partido.

Olympio também trabalhou no DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda de Getúlio), sendo o responsável pela área de rádio e música. Coube a ele combater os sambas que incensavam a malandragem.

Sonsin relata, em detalhes, o episódio em que Olympio leva um tiro na boca de Assis Chateaubriand. Ele corrige a versão de Fernando Moraes na biografia de Chatô e evita que eu cometa o mesmo erro na biografia de Walther Moreira Salles – que deve ter sido também a fonte de Fernando.

Enfim, na entrevista vocês terão um pouco do grande homem que foi Olympio Guilherme.



Luís Nassif
No GGN

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