11 de mar de 2017

O beija mão de Karnal em Moro abre novos negócios


A esquerda que tinha Leandro Karnal em alta conta está em convulsão por causa da foto que o professor postou em sua conta no Facebook.

Na legenda: “Dia intenso em Curitiba. Encerro com um jantar com dois bons amigos: juiz Furlan e juiz Sergio Moro. Talvez não faça sentido para alguns. O mundo não é linear . A noite e os vinhos foram ótimos. Amo ouvir gente inteligente. Discutimos possibilidades de projetos em comum.”

Anderson Furlan, o anônimo do grupo, é amigo de juventude de Moro e revisor de seus trabalhos acadêmicos.

Karnal vive seu dia de Chico Alencar, o deputado que beijou a mão de Aécio Neves num jantar de Ricardo Noblat e nunca mais foi o mesmo.

Celebridade do YouTube, colunista do Estadão, comentarista do Jornal da Cultura e palestrante, Karnal faz sucesso dando filosofia mastigada e “pílulas de sabedoria”, na linha inaugurada pelo suíço radicado em Londres Alain de Botton.

Explora um filão formado, basicamente, por gente que tem preguiça de ler. Ponto para ele.

Juntamente com Mário Sergio Cortella e Clóvis de Barros, virou referência para um público progressista. Uma espécie de contrapartida a Olavo de Carvalho, arquirrival do trio. Cultiva com carinho a careca lustrosa, marca registrada.

Na morte de Dona Marisa, escreveu alguns parágrafos amplamente compartilhados. “Quando você não tiver uma palavra de conforto para quem perdeu a mãe ou a esposa, simplesmente, cale a boca. Sinto-me envergonhado por coisas que li na internet”, pontuou.

Sobre a “nova direita brasileira”, citou Brecht para lembrar que “a cadela do fascismo está sempre no cio, sugerindo a intervenção militar, dizendo que a mulher apanhou porque merecia, e estuprada porque foi leviana.” Etc.

Karnal não é bobo e sabe que o cidadão com quem dividiu aquela mesa é deus para os fascistas que ele denuncia. Basta entrar na comunidade da mulher de Moro para ver a galera. Estão todos lá, chamando-o de “comunista”. Podem virar seus fãs daqui em diante.

A sabujice no tratamento a Moro e Furlan é abjeta (“amo ouvir gente inteligente”). A justificativa, tentando antecipar as críticas, é falaciosa (“o mundo não é linear”).

A verdade está na última linha: “possibilidades de projetos em comum”. Leia-se: grana. Karnal sabe ganhar dinheiro. Viu em Moro mais uma fonte de renda. Um livro, talvez? Uma série de conferências? Shows? Vai de acordo com o freguês.

Se você ficou decepcionado, pense no lado bom: ele saiu do armário e não engana mais ninguém.

“O Leandro Karnal é um picareta intelectual que mistura ficção e realidade”, disse Olavo de Carvalho. Desta vez, parece que Olavo tem razão.

Kiko Nogueira
No DCM



Leandro Karnal visita o Führer e declara apoio à construção do IV Reich


Eis que Leandro Karnal posta uma foto tomando um vinho com o "amigo juiz Sérgio Moro", a quem classifica de "gente inteligente". Conclui: "Discutimos possibilidades de projetos em comum".

Não há como justificar. Adaptando algo que disse Lolitchen Csrez, é como se, em pleno regime militar, um conhecido intelectual "de esquerda" confraternizasse com o delegado Fleury. Tá bom, são circunstâncias bem diferentes, Moro (até onde sabemos) não está arrancando as unhas de ninguém. Mas, num caso como no outro, são operadores principais e símbolos de escaladas repressivas, com a restrição a direitos e liberdades a quem fica do lado "errado" de uma divisão ideológica e política.

Não foi um evento público, em que imperam regras de civilidade e eventualmente os conflitos podem ser disfarçados. Foi um convescote íntimo. E Karnal, que não dá ponto sem nó e gerencia sua persona pública de forma milimétrica, fez questão de fazer a tal postagem elogiosa.

Creio que se confirma, da pior forma possível, o que eu pensava de Karnal: "gente inteligente", sem dúvida, mas com muito mais ego do que convicções e um senso de oportunidade alerta demais. As simplificações que ele apresenta podem até ser úteis, em determinadas circunstâncias; seria elitismo recusá-las liminarmente. Mas a postura de guru, essa não tem justificação. Também me incomoda o teatrinho que ele faz com Pondé, "careca de esquerda" versus "careca de direita", sob medida para um programa de exposição midiática. Assim como desgosto da quantidade de platitudes que ele desfia - "só o amor constrói", "devemos sempre ler os clássicos" etc. etc. - como se fossem sacações geniais e não lugares-comuns tingidos de conservadorismo. Em suma, Karnal é uma grande estrela, mas está longe de ser um intelectual.

O que ele quer, com a jogada de ontem à noite? Sim, ele sabia quais reações iria causar e está apostando em alguma saída vantajosa. Uma possibilidade é que ele planeje transitar para uma posição de quem está acima das brigas, acima do fla-flu. Que, sabemos, só é fla-flu para quem quer fingir que está acima dele, pois não é uma disputa de torcidas, mas a disputa entre golpe e democracia. Em suma, Karnal estaria jogando suas fichas em virar a Marina Silva da midio-intelectualidade. Acho que não daria certo, como não deu certo para Marina.

A outra possibilidade é que Karnal sinta que chegou a hora de virar a casaca. De que ele tem o passe valorizado o suficiente para ser recebido com honras nas hostes da direita. Acho que aí ele também vai quebrar a cara. A concorrência pelo posto de farol da direita brasileira é bem maior. O discurso que Karnal tem a oferecer - o de porta-voz adocicado dos valores civilizatórios - não comove esse público. Se ele se dispuser a adaptá-lo ao gosto da audiência, terá que disputá-la com competidores já bem estabelecidos, como Olavão, Constantino, Lobão, Magnoli, Sheherazade, os Alexandres Frota e Garcia, seu amigo Pondé e outros pensadores similares. Enfrentará a desconfiança dirigida aos recém-convertidos, passará um tempo meio que no limbo. Duvido que ele se disponha a isso.

Meu palpite? Karnal voltará para o nosso lado, com seus sorriso cativante, algumas justificativas bem boladas e a confiança na memória curta das pessoas. E nós o receberemos de novo, claro, só que - espero - com muitas pulgas atrás das orelhas.

Luis Felipe Miguel

Um comentário:

  1. Calma gente. Ele só está exercendo seu direito constitucional de ser uma metamorfose ambulante. No campo ideológico isso é uma aberração, mas no campo filosófico isso é puro empirismo. Ou seja, que bosta!

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