5 de mar de 2017

Novas perguntas de Cunha chegarão a Temer, desta vez sem censura

Nem tudo que Lava é Jato, nem tudo que é Jato lava. As novas perguntas de Eduardo Cunha, para sua defesa, chegarão a Michel Temer sem uma só censura do juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, de Brasília.

Tratamento oposto aos 21 cortes, em 41 indagações de Eduardo Cunha, com que Sergio Moro dispensou Temer de questionamentos problemáticos. Resultado imediato da diferença de condutas em situações idênticas, já se evidencia a necessidade de investigação de mais uma provável irregularidade com dinheiro do FI-FGTS. E mais um motivo para Cunha, o impiedoso, deixar Temer apreensivo.

A decisão do juiz adverte que Temer pode se negar a responder. Mas, nesse caso, o silêncio mais fortaleceria do que recusaria o teor da pergunta, cuja interrogação não diminui a sua força afirmativa. À época em uma das vice-presidências da Caixa, Moreira Franco também está agraciado por Cunha, assim como o representante dos trabalhadores no FI-FGTS, André Luiz de Souza. E o então vice-presidente Michel Temer, por acaso, estava com eles naquele encontro que tratou de financiamentos pretendidos? É o que indaga Eduardo Cunha. Não para saber a resposta, mas para que outros a deduzamos.

O conhecimento fornecido é, porém, incompleto, e Eduardo Cunha é insaciável. Temer, por sua vez, é velho adepto de reuniões pequenas e discretas. Esteve com Léo Pinheiro e Benedito Júnior, da OAS e da Odebrecht, para pedir dinheiro com alegados fins eleitorais? E se assim foi, por outro acaso, o presentinho pedido ficou vinculado a alguma liberação de financiamento do FI-FGTS? O ponto de interrogação às vezes é um desperdício.

Ações judiciais sobre Temer não podem ficar com juízes de primeira instância, como Souza Oliveira e Moro. Embora perguntas de defesa e suas respostas não sejam investigações, como pretendeu Sergio Moro, o questionário-revelação de Eduardo Cunha indica que a corrupção na Caixa e no FGTS terá, além da ação em primeira instância, mais um inquérito no Supremo. Quando? O provável é que também quando não ameaçar Michel Temer de deposição. Essa é uma nova regra não dita, mas vigente.

Trinca

1) Cinco jornais e sites foram vetados em entrevista coletiva na Casa Branca. A Sociedade Interamericana de Imprensa não soube? E a Organização dos Estados Americanos, com sua comissão de liberdade de imprensa?

2) Em nove meses, caíram oito ministros de Temer. Sete por problemas com corrupção e um por denunciá-la. Tudo bem no Brasil moralizado. E se fosse com Lula ou Itamar?

3) Aloysio Nunes Ferreira na internet, em novembro: "Trump é o Partido Republicano de porre". Um achado. Esperemos que Aloysio Nunes Ferreira, no Itamaraty, seja o PSDB sem porre.

Mais que um livro

Já pela originalidade e pela beleza, seria um livro destinado a ganhar o mundo e perdurar pelo tempo afora. Mas o destemor da franqueza, as ansiedades do convívio com uma mente inalcançável, a força e a fraqueza da ternura, as culpas não menos sufocantes por serem indevidas – isso faz da leitura de "Meu Menino Vadio" mais do que uma combinação rara e perfeita de prazer, emoção e descoberta. Luiz Fernando Vianna, ensaísta e jornalista entre os mais brilhantes, desmitifica a propaganda da felicidade de pais de autistas. Faria bem que esse livro fosse lido por todos, ao menos o seja por muitos. É a vida verdadeira que está nele.

Janio de Freitas
No fAlha

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