29 de mar de 2017

Gaspari vence o troféu "equilibrista do ano"


Não é fácil a vida dos jornalistas da velha mídia. Em outros tempos, disputavam a atenção dos leitores. Desde que se inaugurou o jornalismo de guerra, o desafio consiste em como levar o leitor no bico para atender às táticas tatibitates da frente de mídia.

Os menos talentosos usam bordões tipo "não podem tirar Temer se não atrapalha a economia". Os mais talentosos abominam o lugar comum. Então, precisam elaborar raciocínios complexos com o mesmo objetivo.

Dentre todos, o troféu "equilibrista do ano" vai para Elio Gaspari e seu artigo de hoje, na Folha, "Temer é o que temos de melhor para levar o país até as eleições" (https://goo.gl/FMCEcF).

Primeiro, monta essa obra prima de separar Michel Temer da lama do Congresso.

Se tirar Temer, o país será jogado nas mãos de um congresso suspeito e sem limites. Uai, mas Temer não é a expressão acabada desse Congresso? Não, Temer é apenas o político que conseguiu montar uma maioria esmagadora nesse Congresso.  Entenderam? É o grande batráquio que, de fora do pântano, controla o coaxar dos sapos. É batráquio, mas não é sapo.

O melhor está por vir. Como aprecia analogias históricas, tratou de enfiar Temer à martelada na companhia de dois personagens históricos que tinham em comum com ele o fato de ... serem vice-presidentes.

Nas duas últimas vezes em que se mexeu com a legitimidade de um vice-presidente, o Brasil acabou metido em memoráveis encrencas. Assim se deu em 1969, quando os "três patetas" (na expressão de Ulisses Guimarães e do general Ernesto Geisel) dispensaram o vice Pedro Aleixo, e em 1961, quando tentou-se impedir a posse de João Goulart". Tirar presidentes eleitos não é problema. A encrenca é tirar vice-presidentes.

Fantástico! Temer é agente civilizatório que, embora permitindo que o Congresso e o Executivo ingressem no maior balcão de negócios da história, é a última trincheira contra a "oligarquia parlamentar". Sem Temer, os oligarcas - dos quais Temer sempre foi representante ilustre - irão aprovar o voto em lista, eleição direta de um "napoleãozinho civil" e uma agenda secreta para acabar com as eleições.

Será o primeiro caso de uma serpente que se torna mais ameaçadora depois que decepam sua cabeça.

Luís Nassif
No GGN

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