16 de fev de 2017

Vídeo: a verdade sobre o comercial de Doria vendendo São Paulo





O Rei do Engodo

Não vou postar o vídeo aqui porque há limites para o embuste. Quem quiser que procure no Facebook. Mas o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., saiu em périplo pelos Emirados Árabes (e rádios e jornais da cidade enviaram repórteres, e desconfio que sei quem pagou suas viagens) para “buscar investimentos”. Aí passou pelo autódromo de Abu Dhabi, o qual descreveu como um “modelo” que deveria ser seguido por Interlagos. Está lá, no seu post.

"Pessoal, viemos conhecer o Complexo de Automobilismo de Abu Dhabi – Yas Marina, que possui uma arquitetura ímpar e conta com espaço para eventos, além de Shopping Center e Hotéis. Esta área é aproveitada 365 dias por ano para diversas atividades, como provas de atletismo, shows e eventos corporativos. Esse é o modelo ideal para a privatização do Autódromo de Interlagos. Vamos deixar São Paulo no patamar que ela merece!"

No vídeo, Doria diz que Abu Dhabi é “um exemplo de gestão privada”, tem “hotel, autódromo desenvolvimento imobiliário, desenvolvimento de shopping center, numa área que era desértica no passado” e hoje “é um grande centro de entretenimento”.

Pois bem. Ele esqueceu de dizer que o autódromo é de propriedade do governo, custou 1,3 bilhão de trumps e tudo lá era desértico, inclusive Abu Dhabi inteira. Esqueceu de dizer também que o GP de Abu Dhabi só acontece porque o governo local despeja caminhões de dinheiro na conta da FOM e que a corrida é patrocinada por outra estatal. E que o governo, junto com seus fundos associados, bancou o parque de diversões da Ferrari no local.
Bilhões de dólares do GOVERNO para construir e manter
O que o prefeito imagina para Interlagos? Um complexo hoteleiro, shoppings e restaurantes? Outra “Ferrarilândia”? Por que usar como exemplo de gestão um autódromo — repito — estatal num país minúsculo que boia em petróleo e não, por exemplo, Monza? Monza não tem shopping, nem hotel, nem restaurantes. E vai bem, obrigado. Silverstone, Hockenheim, Sepang, Xangai, Bahrein e Spa, tampouco. Por que diabos esse sujeito acha que alguém vai se interessar em transformar Interlagos em algo parecido com a pista de Abu Dhabi, onde a realidade econômica em nada se compara à do Brasil?

O prefeito apresentou um vídeo aos árabes informando que São Paulo é o paraíso dos investimentos internacionais, com o maior plano de privatizações do mundo. É quase patético. Cita o autódromo, o Mercado Municipal, terminais de ônibus, o Parque Ibirapuera, os cemitérios (sim, cemitérios!), o Pacaembu, o Anhembi e, soube agora, os planetários da cidade. Talvez nossos rabos.

Na boa, quem cai na conversa desse sujeito é muito otário. E os árabes não são. Então, me cobrem se algum sheik vier aqui para comprar Interlagos, ou o Terminal Santo Amaro, ou o sanduíche de mortadela do Mercadão.

Agora, quem acredita deve achar que Interlagos vai virar Yas Marina num estalar de dedos, graças à infalível e impoluta iniciativa privada — a mesma da qual fazem parte empresas como Odebrecth, Siemens, Alstom, OAS e todas do Eike Batista.

Algo que, inclusive, é desnecessário. O autódromo é bom, bem estruturado, precisa apenas de manutenção — obrigação da Prefeitura, qualquer uma –, também tem eventos artísticos, musicais, esportivos e motorizados, como ele preconiza. Dá lucro, inclusive.

Mas, segundo o rapaz, vai aparecer um monte de gente interessada em encher aquela área de hotéis, shoppings e restaurantes.

Haja.

Flavio Gomes
No Esquerda Caviar

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