25 de fev de 2017

Quem foi buscar o dinheiro com Yunes?


No site Os divergentes, o veterano repórter Andrei Meireles, que não é repassador de realeases, mata a primeira parte da charada da “entrega de documentos” pelo doleiro de Lúcio Funaro no escritório do amicíssimo de Michel Temer, José Yunes.
  • — Não há motivo plausível para a Odebrecht, com seu estruturado departamento de propina, ter optado por um modo tão amador para um pagamento dessa envergadura.
  • — Quem conhece como a dobradinha entre Eduardo Cunha e Lúcio Funaro funcionava ri quando se fala da possibilidade de eles terem usado esse percurso para disfarçar algum pagamento de propina.
  • — Por algum motivo, o pacote transitou pelo escritório de José Yunes, amigo de Michel Temer da vida inteira.
  • — Na interpretação de quem conhece esse jogo, quem deu, intermediou e operou o pagamento ali quis carimbar a entrega.
Meireles intitula seu texto com a conclusão: Como Temer e Padilha caíram na armadilha de Eduardo Cunha.

Assim, se sabe que ou Funaro era alguém de quem Eliseu Padilha também se servia para operações financeiras ou Eduardo Cunha era o controlador do repasse e da partilha do dinheiro de financiadores do PMDB, neste caso a Odebrecht.

Falta a segunda parte do mistério: para onde foi o pacote?

Isso admitindo que tenha ido para algum lugar, porque Yunes, embora saiba quem foi levar e tenha ficado, diz ele, de cabelos em pé ao ver que era Lúcio Funaro, não sabe, diz ele de novo, quem foi buscar.

Só isso já não é crível e menos ainda quando se v~e o layout interno do escritório: ninguém entra sem passar pela portaria para, claro, identificar-se pela segunda vez, porque a primeira vez é no interfone do portão de blindex.

Admitindo que alguém tenha ido, apanhou para levar para onde?

Padilha é gaúcho e exercia, na época, um mandato de deputado federal, em Brasília.

Havia uma “mula” para carregar o dinheiro para lá? Em vôo de carreira, para correr o risco do Raio-X? Se, para mandar o dinheiro para Brasília, seria necessário fretar um avião, para evitar problemas, porque o “entregador” não fez isso?

O provável destino do dinheiro era São Paulo, onde fica a sede da Odebrecht, onde Funaro tinha escritório, assim como Yunes.

Então vejamos: segundo o delator da Odebrecht Cláudio Melo Filho, o grupo que negociava ajuda ao “PMDB da Câmara” era formado por Geddel Veira Lima, de Salvador; Moreira Franco, que é do Rio de Janeiro; Eliseu Padilha, que é tem apartamento no elegante bairro dos Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Ah, sim, tinha também o “MT”, que mora em…

Fernando Brito
No Tijolaço

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