2 de fev de 2017

Opções para vaga no Supremo são fartas, mas não atrativas

O cardápio de escolhas está farto, sem que isso signifique, necessariamente, ofertas atrativas para diferentes gostos. Seria inútil a escolha, como alternativa, pela coluna da direita: em se tratando de cargos públicos a serem ocupados, os salários, as vantagens e benefícios e outros balangandãs fazem somas assombrosas. Fiquemos nas sugestões típicas.

A escolha tríplice da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), com indicações a Michel Temer para o lugar de Teori Zavascki, pode não ter representatividade assegurada, com o pequeno número dos dispostos a votar. Mas tem o que intrigar.

Com 319 votos, Sergio Moro recebeu a liderança da lista. Com apenas um voto a menos, Reynaldo Fonseca, ministro do Superior Tribunal de Justiça, ficou em segundo. O terceiro, com votação mais distante, é o desembargador Fausto De Sanctis, que se notabilizou com o ex-delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, depois anulada.

Eleitores da Ajufe, ao que parece, de mão pesada e dentes cerrados. E no entanto proponentes, talvez involuntários, de uma dubiedade que se prestaria a inúmeras especulações. O relevo prioritário dado a Sergio Moro não tem originalidade, desde o primeiro momento muito difundido nas classes média e alta. Da parte de juízes, por obrigação informados e atentos, torna-se difícil admitir que não fizessem, também eles, apenas uma homenagem ao colega. E não fizeram mesmo.

Levar Moro para o Supremo é também tirá-lo do comando da Lava Jato. Para um cargo em que seria relator apenas dos processos de políticos. E sem impor condenações, decididas pelo plenário. Seria essa uma intenção da lista tríplice proveniente da Ajufe? Ou a admiração pelos métodos de Sergio Moro obscureceu a percepção de três centenas de colegas seus, e os alinhou ao passionalismo que não precisa de mais e melhores razões?

Por falar nele, foi presença comum em considerações sobre a escolha do relator das novas delações premiadas. Da mesma maneira como foi tão manifestada a preferência por um novo Zavascki, isento e seguro, frio e discreto, com frequência o ministro Celso de Mello era o indicado para tanto. Sem ousar qualquer consideração sobre os seus saberes jurídicos e sua experiência de Supremo, proporcionada desde a nomeação por Sarney, pode-se dizer que é ilusória a identificação de Celso de Mello com Zavascki.

Seu passionalismo e sua agressividade verbal, tão distantes da frieza e da isenção, só perdem para Gilmar Mendes. Não são raros os seus votos que consistem em discursos à maneira das exaltações parlamentares, no estilo de um udenismo redivivo. Na própria homenagem ao ministro ausente, permitiu-se adjetivações e conceituações que jamais se ouviria de Zavascki. Caso venha a ser relator, Celso de Mello o será ao seu modo, sem remissões ao exemplar magistrado Zavascki.

No Congresso, as escolhas não são escolhas. São jogadas pessoais, são negócios políticos e outros. Até ontem tido como favorito, não é a presidência da Câmara que Rodrigo Maia busca: dirige a ambição para o governo do Estado do Rio em 2018.

E, se o vento vier mais forte do que o previsto, até para a Presidência, como um candidato de composição a serviço do PSDB e do PMDB, sob o rótulo do DEM. Eunício Oliveira não busca a presidência do Senado: quer um trampolim para alcançar o governo do Ceará. De contribuição à melhoria da política, em qualquer sentido, nada se espera das duas eleições no Congresso. Como em toda parte do país que decide.

Janio de Freitas
No fAlha

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