22 de fev de 2017

O chilique do Angorá


A entrevista de Moreira Franco aos repórteres Raymundo Costa e Daniel Rittner, do Valor, é muito mais importante pelo como diz do que pelo o que diz, porque a boca de Moreira e a verdade t~em campos magnéticos opostos.

Assim é dispensável ler que ele não virou Ministro para ter foro privilegiado, que Michel Temer jamais interferiu no Judiciário, que Romero Jucá fala apenas em nome próprio, mesmo tendo sido ministro e sendo líder do Governo ou que  há um “esforço enorme para criar a ideia de que o governo do presidente Michel Temer conspira contra a Lava-Jato, o que é uma transformação odiosa do conflito político que se vive no Brasil”.

Mas é indispensável ver que, apesar de tudo, estão à beira de um ataque de nervos, por duas razões.

A primeira é a consciência de culpa, que na minha infância se traduzia na expressão “estar com a mão amarela” quando se dizia que alguém, digamos, empesteava o ar.

A segunda é que sabem que têm de apostar tudo no impedimento judicial de Lula disputar as eleições de 2018, onde vai se desenhando o naufrágio das gforças agrupadas no golpe.

Leia o trecho do chilique do “Angora” da lista da Odebrecht. Só não é impagável porque o Brasil para caríssimo por ter este personagem no centro do Governo.

Valor: O senhor entende a oposição como algo mais além do PT?

Moreira: Sim, claro.

Valor: O que é esse algo mais?

Moreira: São todos aqueles que se revoltam contra a possibilidade de o governo resolver a maior crise econômica da nossa história, que ficam indignados com isso. Não querem aceitar isso. Não dão o valor necessário para que você retome um padrão de confiança na economia…

Valor: Desculpe, ministro, o senhor não está dizendo que em nome do combate à crise se deve amenizar em relação às investigações

Moreira: Você me respeita [exaltado e de dedo em riste], essa pergunta é desrespeitosa.

Valor: Não, é apenas um pedido de esclarecimento a um raciocínio.

Moreira: É uma pergunta desrespeitosa. Não dá nenhum esclarecimento. É uma suposição.

Valor: Está bem, ministro, fica o registro: o senhor acha que é um desrespeito e uma suposição. Pronto.

Moreira: Pronto.

Valor: Qual sua leitura do processo eleitoral? É impressionante como quase 40% dos eleitores ainda querem votar no Lula.

Moreira: Olha aqui, rapaz, você é muito novo, olhe aqui…

Valor: Em outros termos, se Lula está na frente, é porque o governo não está convencendo, as pessoas querem voltar ao status quo anterior. O que explica isso? Saudade do período de bonança ou o problema da comunicação?

Moreira: Eu convivi com dirigentes de grande experiência política e não existe problema de comunicação, existe problema político. Quando você tem a política correta, você tem uma boa comunicação.

Valor: Então qual é o problema político?

Moreira: O problema político é que nós temos como tarefa um grande desafio, que é tirar o país da mais grave crise econômica da história. Nós vamos fazer isso com voto na Câmara e no Senado. Não vamos conseguir sucesso, ninguém conseguiria sucesso, a não ser que tivesse uma ditadura com AI­-55, ninguém consegue fazer as reformas sem o apoio do Congresso Nacional.

Como ter apoio do Congresso, viu-se ontem.

Fernando Brito
No Tijolaço

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