28 de fev de 2017

Careri: apagar grafite é como queimar livros

Recado direto ao Prefeito Caviar

Trump, convide o Doria para pintar o seu muro - de cinza


Os romanos já faziam. Os gregos também. O grafite não foi invenção dos paulistanos, diz o arquiteto e escritor italiano Francesco Careri.

Professor de estudos urbanos da Universidade Roma Tre, onde também dirige o programa de pós-graduação "Artes, arquitetura, cidades", Careri afirma que os rabiscos nos muros são uma forma milenar de expressão.

Para ele as paredes ainda ocupam um espaço inalienável: dizer o que não é dito em nenhum outro meio, falar da vida da cidade para todos, até para quem não sabe ler.

Diante do papel ocupado pelo grafite - o professor não entra no mérito da pixação -, ele diz que a ação do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), de passar tinta cinza sobre desenhos em várias partes da capital, é como "queimar livros".

"É apagar parte da cultura, escondê-la, porque se tem medo do seu significado", afirma o arquiteto, que escreveu livros sobre a experiência urbana e participou da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) no ano passado.

(...)

No CAf
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É hora de organizações de mídia sem fins lucrativos

Participação de investimentos globais por meio

Se você prestar atenção nestes dias, você vai notar um eco distinto nas salas de conferências em todo o país, onde as empresas de mídia demitiram funcionários. Mesmo grandes conglomerados de mídia estão se debatendo em meio aos sinos fúnebres de seus concorrentes. Al Jazeera, The Guardian, Mashable, Buzzfeed — todas as organizações bem sucedidas que estão impedindo a reavaliar seus modelos de negócio. Se eles não estão cortando perdas, eles estão certamente formando equipes "mais criativas" e preparando soluções para o crescimento atrofiado.

Algumas coisas que são óbvias,

> O jornalismo impresso está rapidamente se deteriorando, levando as velhas formas com ele.

> Celulares e computadores estão rapidamente consumindo com a televisão, fazendo uma programação mais sensacional e "real" para dirigir a audiência.

> Anunciantes estão pressionando a queda de preços de publicidade em função da baixa audiência.

> Organizações estão mudando seu foco de mídia incentivados pelo tamanho do alcance.

Contribuição para o crescimento global em investimentos com publicidade por meio

A professora de Economia Julia Cagé tem uma proposta, publicada em seu livro Saving the Mídia, de que a mídia deve se tornar uma estrutura sem fins lucrativos para a notícia para sobreviver. Ela afirma que, como o "sem fins lucrativos" a media esgota o seu potencial de monetização, eles ficarão desesperados por qualquer pessoa disposta a pagar. Cagé observa que "se a mídia do futuro depender de investidores ricos para o seu financiamento, enfrentará muitos perigos pela frente." Jeff Bezos e Washington Post são um exemplo recente desse fenômeno.

"Nunca houve tantos como produtores de informação como existem hoje. Paradoxalmente, os meios de comunicação nunca foram em pior forma ".

Democratização da mídia está matando mídia comercial

Alguns ainda estão perplexos quanto às razões pelas quais até mesmo a mídia bem sucedidos estão perdendo lucros, apesar de um mundo enriquecido com meios de comunicação que exige informações em tempo real. O fato é que há tanta recolha de informação e curadoria acontecendo instantaneamente que o valor acrescentado do jornalismo só não está mais lá.

Pessoas que costumavam esperar em um e-mail ou uma notificação de RSS (ou um jornal antes disso) do New York Times agora sentar-se no Twitter, porque eles sabem que vai levar o autor NYT pelo menos 15 minutos para publicar a análise exata eles poderiam obter em tempo real. E conglomerados de mídia se voltaram para monetizar o maior número de partes de suas publicações digitais quanto possível, criando um labirinto de pop-ups, anúncios, firewalls e fumo adicional e espelhos que fazem consumir o seu conteúdo ainda mais trabalhoso. Embora a largura de banda móvel tem crescido exponencialmente, ad inchaço manteve no ritmo.

Isto não é para dizer que as publicações não proporcionam um betão, valor acrescentado para a sua análise. Na verdade, é por isso que a notícia vale a pena preservar. Mas o que aconteceu nos últimos anos para que a notícia atinge um acorde escuro.

Sensacionalismo e bem público

Antes de Jeb Bush retirou da corrida presidencial republicano, um amigo meu perguntou em frustração porque Trump tem tanto ar-tempo em comparação com Jeb, ou todos os outros combinados. Ao que eu respondi: "Se eu sou um journo mal pagos, e eu tenho que pagar o meu gás e energia elétrica este mês, eu não estou escrevendo sobre chato Jeb Bush. Eu estou escrevendo sobre Trump ".

Donald Trump é o estertor da TV News


Esse ponto singular pode ter prenunciado o circo para vir. Mas agora é mais uma questão de saber se o carro está puxando o cavalo eo cavalo está morto. Luke Thompson observa a ânsia dos meios de transmissão de acender Trump vem à custa do seu próprio pessoal e sem perspectivas de receita de longo prazo. Se artistas como Trump é o único mecanismo que prende organizações de mídia acima da água, então veremos que o desespero jogar fora de duas maneiras desastrosas: 1) sensacionalismo negará o bom jornalismo público procura sustentar; e 2) as organizações de mídia tentará encontrar outros meios de receita, potencialmente buscando acionistas e público indo para evitar perdas.

Mas, como observa gaiola, abertura de capital não é uma solução, quer:

É útil recordar alguns erros do passado, começando com a experiência de jornais que se tornaram empresas de capital aberto. Abertura de capital provou ser um erro, tanto para os próprios jornais e para a democracia. Nos primeiros cinco anos após a Chicago Tribune abriram o capital, os lucros aumentaram a uma taxa de 23 por cento ao ano, enquanto a receita bruta aumentou a uma taxa de apenas 9 por cento; Este desempenho foi conseguido cortando gastos drasticamente. A unidade para obter maiores lucros afetou não apenas os jornais, mas tomadas de rádio e de televisão, bem como (algumas estações de televisão têm margens operacionais acima de 50 por cento), e o imperativo de produzir notícias locais de qualidade caiu no esquecimento.

Estatuto sem fins lucrativos e da universidade 

Proposição de Cage é reestruturar a organização de mídia e status de isenção de imposto de estabelecimento, a criação de uma organização de mídia sem fins lucrativos (NMO). Este NMO seria "aproveitar as vantagens de uma fundação (estabilidade de financiamento e capacidade de se concentrar em informações como um bem público, em vez de maximização do lucro em detrimento da qualidade) e as de uma sociedade anônima (propriedade diversificada, reposição da liderança fileiras, e tomada de decisão democrática, desde que o poder dos maiores acionistas é devidamente limitado). "

Eu tenho minhas próprias hesitações sobre este modelo, mas a escrita está na parede. mídia e transmissão especialmente tem procurado servir a dois senhores, um dos justiça e um de ganância - nenhum dos quais são simbiótica ou promover o bem maior da sociedade.

"Como as universidades, meios de comunicação fornecem um bem público e merece um status especial."

Parece que a única resposta é para remover o incentivo do lucro e buscar financiamento institucional, bem como uma universidade. No entanto, como vimos, mesmo academia tem seus problemas que aderiram à liberdade de expressão e discussão imparcial. Os contras de o que levaria a uma polarização ainda maior. No entanto, seria quase certamente diminuir o desejo de promover entretenimento sensacional.

Nós já vivemos em um mundo onde nós detestamos a tendência liberal da MSNBC e de direita nutjob-ismo da Fox News. Por que não poderia Heritage Foundation ou The Brookings Institution competir efetivamente na discussão notícias do dia-a-dia de uma forma que minimize absurdo sensacional e a necessidade de competir para a receita?

As organizações de mídia estão em apuros, com a tarefa de ser os dois árbitros da verdade e bobos. Se conseguirmos, pelo menos, ajudar a combater seus papéis como comediantes e trolls, talvez possamos reviver notícia como um bem público e manter os porteiros de informação e conhecimento um pouco mais.

[Se você estiver interessado em ler mais, leia o livro Salvando a mídia.]


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27 de fev de 2017

O STF lavará as mãos como Pilatos ou tomará vergonha na cara?

Eles
As frações de informação tornadas públicas na entrevista do advogado José Yunes, insistentemente apresentado pelos esbulhadores do Palácio do Planalto como desconhecido de Michel Temer, embrulham o estômago, causam ânsia de vômito em qualquer pessoa normal, medianamente decente.

Conclui-se que Temer e sua cambada prepararam a traição à Presidenta Dilma Vana Rousseff bem antes das eleições de 2014. A aliança entre o hoje sedizente presidente e o correntista suíço Eduardo Cunha existia já em maio daquele ano, quando o primeiro recebeu no Palácio do Jaburu, na companhia cúmplice de Eliseu Padilha, o Sr. Marcelo Odebrecht, para solicitar-lhe a módica quantia de 10 milhões de reais.

Não para financiar as eleições presidenciais, mas, ao menos em parte, para garantir o voto de 140 parlamentares, que dariam a Eduardo Cunha a presidência da Câmara dos Deputados, passo imprescindível na rota da conspiração para derrubar Dilma.

Temer armou cedo o golpe que lhe daria o que nunca obteria em uma disputa democrática: o mandato de Presidente da República. Definitivamente, esse sujeitinho não foi feitopara a democracia. É um gnomo feio, incapaz de encantar multidões, sem ideias, sem concepções, sem voto, mas com elevada dose de inveja e vaidade. Para tomar a si o que não é seu, age à sorrelfa, à imagem e semelhança de Smeágol, o destroncado monstrengo do épico “O Senhor dos Anéis”.

Muito ainda saberemos sobre o mais vergonhoso episódio da história republicana brasileira, protagonizado por jagunços da política, gente sem caráter e vergonha na cara, que só conseguiu seu intento porque a sociedade estava debilitada, polarizada no ódio plantado pela mídia comercial e reverberado com afinco nas redes sociais, com a inestimável mãozinha de carreiras da elite do serviço público.

O resultado está aí: o fim de um projeto nacional e soberano de desenvolvimento sustentável e inclusivo. A mais profunda crise econômica que o país já experimentou. A desconstrução do pouco de solidariedade que nosso Estado já prestou aos mais necessitados.

A troca do interesse da maioria pela mesquinhez gananciosa e ambiciosa daminoria que, “em nome do PIB” ou “do mercado”, se deu o direito de rasgar os votos de 54 milhões de brasileiras e brasileiros. Rasgaram-nos pela fraude e pelo corrompimento das instituições, com o único escopo de liquidar os ativos nacionais e fazer dinheiro rápido e farto, como na privatização de FHC. Dinheiro que o cidadãonunca verá.

É assim que se despedaça e trucida a democracia: dando o poder a quem perdeu as eleições, garantindo aos derrotados uma fatia gigantesca do governo usurpado e até a nomeação de um dos seus para o STF, para assegurar vida mansa a quem tem dívidas com a justiça. A piscadela de Alexandre de Moraes a Edison Lobão, na CCJ, diz tudo.

Assistiremos a tudo isso sem nenhum sentimento de pudor?

A essa altura dos acontecimentos, o STF e a PGR só podem insistir na tese da “regularidade formal” do impedimento da Presidenta Dilma Roussef com a descarada hipocrisia definida por Voltaire como “cortesia dos covardes”.

Caiu o véu da mentira. Não há mais como negar: o golpe foi comprado e a compra negociada cedinho, ainda no primeiro mandato de Dilma. O golpe foi dado com uma facada nas costas, desferida por quem deveria portar-se com discreta lealdade diante da companheira de chapa. O Judas revelado está.

E os guardiões da Constituição? Lavarão as mãos como Pilatos – ou tomarão vergonha na cara?

Eugênio Aragão
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Entenda as conexões nebulosas entre José Yunes e Michel Temer


Entenda as conexões nebulosas entre José Yunes e Michel Temer que envolvem off-shores suspeitas investigadas no Panamá!!



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O símbolo do governo Temer é o aparelho excretor da musa do impeachment


Neste Carnaval da anticonsagração de Temer, me peguei pensando em qual é a cara, o rosto do governo. O símbolo, enfim.

Os fatos se incumbiram de me ajudar.

A cara do governo é o aparelho excretor da musa do impeachment.

Para quem gosta de palavras mais diretas, é o c… da musa, tal como exposto em rede nacional: deprimente, vulgar, indecente. Igualzinho à mídia que colocou Temer no poder com uma campanha criminosa contra Dilma com seu jornalismo de guerra.

É até engraçado ver os comentaristas pró-patrões desembarcando dele. Josias de Souza, por exemplo, disse que Temer se meteu em más companhias, e por isso se autoimolou.

Mas um momento: ele sempre andou com as mesmas pessoas, de Jucá a Eduardo Cunha. Não apareceu nenhum novo nome nas relações de Temer. Ele pode e deve ser acusado de muitas coisas, mas não de surpreender: a turma de Temer foi sempre a mesma. Aos 75 anos, ele a vida toda se pautou na política por uma mediocridade constante, longeva e altamente suspeita.

Sabíamos todos, os golpistas em primeiro lugar, que o governo Temer seria ruim. O que as pessoas não esperavam é que fosse tão ruim.

FHC chamou-o de pinguela, uma ponte precária, tosca. O problema é que essa ponte levou para o aparelho excretor da musa. É urgente que este governo seja agora excretado.

Temer não reúne mais as mínimas condições de chegar a 2018. Na teoria, é pouco tempo: já estamos em 2017. Mas na prática é uma eternidade.

É imperioso convocar eleições diretas. Para reconduzir o país a uma situação de próspera concórdia, só alguém com a legitimidade do voto. Milhões e milhões deles.

Não podemos — nós, o Brasil — ficar mais tempo na condição de c… da musa.

Urnas já.

Paulo Nogueira
No DCM
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Fantasia midiática


Ando pela rua e dou com a capa da revista Exame exibida com destaque por uma banca de jornais. Leio a chamada, imponente: “O PIOR JÁ PASSOU”. Logo adiante, cartaz pendurado em um poste garante “Magia fundamental”, para o amor e coisas mais, “rápida e absoluta”. Talvez haja uma relação esotérica entre dois anúncios tão promissores.

Mortais comuns, que não se confundem com os magos da mídia nativa, alquimistas setecentescos ou fadas dos contos da carochinha, têm razões para entender o oposto: o pior ainda há de vir. Basta encarar a situação com um mínimo de isenção e recurso comedido aos neurônios, para perceber a inevitabilidade de um desfecho... aqui me detenho em busca do qualificativo.

Trágico? Violento? Espantoso? Acachapante? Ridículo? Só consigo imaginar o trabalho insano a que será obrigado um futuro governo democrático para pôr ordem na orgia golpista.

Quem sabe não seja suficiente um governo para consertar o monstruoso estrago provocado pelo desmando geral e irrestrito do estado de exceção em que fomos precipitados com a contribuição decisiva da mídia nativa. Esta até agora disposta a nos dizer no bom caminho. Crentes nas artes mágicas ou, simplesmente, hipócritas irresponsáveis, brasileiros indignos, os propagandistas midiáticos?

Na seção QI, o redator-chefe Nirlando Beirão conta com a costumeira elegância da escrita a decadência do circo tradicional, substituído pelos picadeiros da política, povoados por palhaços de diversos calibres, entre grotescos e malignos. Reservaria um papel de realce para a mídia nativa e os seus melhores intérpretes, envolvidos na pantomima que os torna porta-vozes do desgoverno.

Em tempo de Carnaval, pérola barroca da nossa vocação festeira mesmo em meio à desgraça, qual seria a fantasia aconselhável aos propagandistas midiáticos? Haverá quem sugira Arlequim, capaz de servir ao mesmo tempo a dois amos e de enganar meio mundo.

Errado: assim como é difícil, senão impossível, colher o adjetivo certo para qualificar o inevitável desfecho do espetáculo em curso, chega a ser impossível escolher a fantasia para tantos militantes de páginas impressas, microfones, vídeo.

Arlequim, vale esclarecer, é um campônio de Bergamo, norte da Itália, esperto e sagaz, aluno da vida atribulada. Há uma sinceridade profunda na sua atuação, uma espécie de rendição ao senso prático, sem contar o irredutível desdém pelos patrões, os primeiros a serem enganados por nosso herói. Não há como sugerir essa fantasia, bem como de qualquer outra proposta pelas personagens da Commedia dell’Arte. Figuras dotadas de extrema autenticidade, fiéis à sua índole e a seu destino.

Na origem do Carnaval era comum que as escolas de samba, sem que houvesse então um sambódromo, vestissem seu balé, de suntuosa pele negra, como cavalheiros e damas de uma corte do século XVIII, igual aos candidatos à guilhotina depois da Tomada da Bastilha.

Quando menino, recém-chegado ao Brasil, pareceu-me colher, ao folhear as páginas da cobertura carnavalesca da revista O Cruzeiro, algo assim como o deboche e a esperança da desforra. Illo tempore, sonhava com a Tomada da Casa-Grande.

Há seres humanos, ou tidos como tais, que dispensam a fantasia. Não me refiro, obviamente, aos cidadãos sábios, e sim àqueles fantasiados por natureza. Sinto-me à vontade ao incluir no rol os sabujos das redações, embora valha recordar que dois deles, se não me engano, podem sair com seu fardão dos imortais, inexcedível indumentária para um perfeito desempenho carnavalesco.

Mino Carta
No CAf
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A Lava Jato e seus inimigos íntimos


A grande frente que se formou para perpetrar o golpe do impeachment está se desfazendo aos poucos. O ponto de convergência desta frente foi a Operação Lava Jato. Ela era o estandarte, a bandeira tremulante, na qual estava estampada a cruz  para liderar o expurgo dos corruptos que haviam se apossado do país. Sérgio Moro parecia ser uma espécie de São Bernardo de Clairvaux, cujos pareceres nos processos e nos mandatos eram verdadeiras chamadas à mobilização de cruzados. Ou, quem sabe, era o bispo Fulk um dos chefes da Cruzada Cátara para combater com violência os hereges porque, entre outras coisas, estes queriam uma maior igualdade.

Nas cruzadas do impeachment todos eram santos: os que foram às ruas, os integrantes do judiciário, os porta-vozes da grande mídia, os políticos contrários ao governo Dilma, os deputados do indescritível espetáculo do 17 de abril, os grupos que pregavam a volta dos militares etc. São Michel, com seu cortejo de anjos e arcanjos, haveria de purificar o Brasil com seu jeitinho manso, com sua habilidade de conversar, com sua capacidade de construir consensos. O Brasil, livre dos demônios vermelhos, seria unificado, num estalar de dedos a economia voltaria a crescer e o manto verde e amarelo da ordem e do progresso haveria de produzir paz, contentamento, empregos e opulência.

Esta grande mentira, que embebedou boa parte da sociedade, hoje não passa de um espelho estilhaçado em mil pedaços, todos eles refletindo a face da maior quadrilha de corruptos que se apossou do poder. Todos eles refletindo as faces de um grupo indigesto de políticos que se acotovelam para participar da suruba do Foro Privilegiado. Todos eles refletindo as faces de antigos comparsas que agora querem queimar o sagrado estandarte no fogo cruzado que objetiva bloquear a marcha da libertação da terra santa. Até os santos, os chefes dos cavaleiros templários, o São Bernardo, são diariamente chamuscados pelas chamas que vêm das barricadas que tentam bloquear a justiça purificadora.

O PMDB, principal beneficiário, se tornou também o principal inimigo da Lava Jato. Já tentou várias manobras no Congresso para detê-la. Agora vêm os ataques públicos. Junto com alguns colunistas e blogueiros de direita, que se valeram de todas as ilegalidades da Lava Jato e do juiz Moro para derrubar o governo Dilma, desferem petardos contra os vazamentos seletivos, contra a criminalização da política, contra as conduções coercitivas, contra a manutenção de acusados na cadeia para que eles façam delações premiadas, contra o “lado obscuro” da operação e assim por diante. Investigar corruptos do PMDB e do PSDB virou sinônimo de “criminalização da política”. Contra o PT se tratava de “limpeza moral”. Mas a partir do governo Temer, a fetidez do ar bloqueou até mesmo a chuva nos céus de Brasília.

O PMDB está na linha de frente no combate à Lava Jato. Age como se fosse uma infantaria, uma espécie de bucha de canhão. Já, o PSDB, age como se fosse um grupo de comando de forças especiais. Usa a inteligência, tem infiltrados poderosos nas trincheiras “inimigas” como Rodrigo Janot, o próprio Moro, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e o ministro plagiador. Entre os infiltrados, nem todos são amigos entre si. O único ponto de convergência consiste em proteger os caciques do tucanato. Uns torpedeiam a Lava Jato, citando, inclusive, ilegalidades contra petistas; outros, querem preservá-la no que lhes interessa.

As direitas que patrocinaram as mobilizações de rua agora estão divididas. De um lado estão aqueles que querem salvar Temer para salvar o PSDB em 2018. Além de atacarem a Lava Jato, acusam seus ex-colegas classificando-os de “direita xucra”, de fazer o jogo da esquerda por querem continuar mobilizando contra a corrupção. Ocorre que as perspectivas de 2018 colocam as direitas em uma encruzilhada, em marchas para caminhos distintos. A “direita xucra” quer a continuidade das mobilizações por duas razões: 1) ficar com Temer poderá significar um naufrágio; 2) não quer uma alternativa tucana, pois está engajada na construção de um projeto mais à direita – talvez Bolsonaro, talvez um outro candidato a la Trump.

Temer deveria renunciar e Moro se afastar

Não é necessário muito esforço de lógica para perceber o que a “Operação Mula”, que envolve José Yunes, Eliseu Padilha e Michel Temer quer esconder. O PMDB tinha três chefes que recebiam e distribuíam propinas: Michel Temer, Eduardo Cunha e Eliseu Padilha. Não se tratava atos fortuitos, ocasionais, mas de operações sistemáticas de corrupção tramadas, inclusive, em palácios da República.

A continuidade de Temer na presidência da República foi, é e será uma afronta à dignidade nacional, à moralidade social, aos conceitos fundantes da Constituição Federal. Se ainda restam alguns resquícios de comunidade política nacional, Temer precisa se afastar ou ser afastado. Aqui cabe uma cobrança às sumidas oposições: sem o afastamento de Temer, o futuro da dignidade da política, da sua moralidade, da responsabilidade, estará comprometido por anos seguidos. Sem a saída de Temer a herança que ficará serão os escombros da democracia e a percepção de que golpes valem a pena.

O juiz Moro, por seu turno, não  tem mais condições morais de permanecer à frente da Lava Jato. Em recente palestra proferida nos Estados Unidos ele afirmou que não contribuiu para derrubar Dilma. Ele não só contribuiu de forma decisiva como, agora se sabe, agiu deliberadamente para proteger os mal-feitos de Temer ao cancelar perguntas dirigidas pela defesa de Cunha ao presidente-usurpador. Ao barrar as perguntas de Cunha, o juiz Moro cometeu duas ilegalidades: 1) barrou o direito de defesa, algo que não cabe a nenhum juiz praticar; 2) prevaricou, pois o certo era permitir que se pudesse conhecer aquilo que as perguntas pretendiam revelar.

Vejam-se apenas duas das perguntas barradas por Moro dirigidas a Temer: “Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?” e “O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?”. Moro classificou como “chantagem” e “provocações” as perguntas da defesa de Cunha. Está claro que ele agiu para proteger Temer, protegendo um esquema criminoso.

A cada dia que passa, as provas deixam mais evidente que quem destruiu a Petrobras pela corrupção foi o PMDB. A destruiu para agora entregar os seus ativos ao capital estrangeiro. Este governo foi instituído para liquidar as empresas brasileiras a preço de banana, para entregar os direitos dos trabalhadores ao capitalismo de predação, para vender as aposentadorias de pobres idosos ao capital financeiro, para destruir a educação e a saúde públicas.

Agora a mídia e setores de direita querem vender a seguinte equação: a política vai mal, mas a economia vai bem, pois os indicadores estariam melhorando. Proclamar a queda da inflação e dos juros como grande feito desse governo significa vender fumaça, pois os dois indicadores são consequência do efeito inercial da recesssão. Na verdade, a política está podre e a economia vai mal. Uma economia que tem mais de 12% de desempregados não pode estar bem. Uma economia que produz novos pobres todos os dias não pode estar bem. Uma economia que destrói o pouco de seguridade social do seu povo vai muito mal.

Aldo Fornazieri
No GGN
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Há 100 anos, começava a Revolução Russa


27 de fevereiro de 1917, uma hora da tarde em Petrogrado, ou São Petersburgo, então capital do Império Russo chefiado pelo Czar Nicolau II.

Insatisfeitos com a falta de trabalho, alimentos e dinheiro, militares e operários invadem o Palácio Tauride e pedem a deposição do czar, o fim do absolutismo monárquico na Rússia e a proclamação da República, que deveria seguir uma linha esquerdista, contemplando iguais oportunidades para todos.

Os manifestantes são recebidos então pelo Deputado Alexander Kerensky, que mais tarde viria a exercer funções de comando ao assumir o Ministério da Defesa.

Acuado, Nicolau II tenta fugir e renuncia em favor do irmão, Mikhail Alexandrovich Romanov, mas este declina do cargo, alegando não se sentir em condições de chefiar o Império Russo. É a oportunidade que Kerensky percebe para, aliado aos insurgentes, derrubar a monarquia e entregar o cargo de primeiro-ministro (provisório) ao Príncipe Georgy Lvov. 

Estava deflagrada a primeira fase da Revolução de 1917 na Rússia, movimento que só iria se consolidar em outubro/novembro daquele ano, em sua segunda fase, liderada por Vladimir Lenin.

No centenário da Revolução de Fevereiro de 1917, entre seus vários aspectos, discute-se a influência que a Revolução Comunista teve em todo o mundo, em particular no Brasil. Especialista em Rússia e conhecedor dos temas históricos brasileiros, o Professor Ângelo Segrillo, da USP (Universidade de São Paulo), opina: "A Revolução Russa teve influência direta no Brasil."

"No Brasil houve a greve geral de 1917", lembra Segrillo. "Foi a primeira grande greve geral organizada, mais pelos anarquistas. Inicialmente, aqui no Brasil, eram os anarquistas que tinham mais força no meio operário, e em 1917 foi concomitante à Revolução Russa. Não foi a Revolução Russa que causou essa greve geral no Brasil, mas os impactos das notícias da Revolução Russa deram uma grande força para esse movimento de 1917. Em 1918 ainda houve outros movimentos que vieram da greve de 1917."

O especialista da USP acrescenta que "já em 1917, as notícias da Revolução na Rússia, tanto de fevereiro quanto de outubro, tiveram impacto concomitante, não que uma causasse a outra – todas elas estavam no bojo do mesmo movimento trazido pela desorganização da Primeira Guerra Mundial, que deu grande força para esses movimentos".

O comentário do Professor Ângelo Segrillo avança na História da Rússia e em sua influência no Brasil:

"Depois, com os bolcheviques já no poder, a influência foi bastante forte, já na década de 1920. Logo após, tivemos a formação do Partido Comunista Brasileiro, no início da década de 1920, sob influência direta da União Soviética. E continua por aí a influência no movimento brasileiro. A Revolução Russa, assim como em outros países, teve influência direta no Brasil."

Além da fundação do Partido Comunista Brasileiro, a Revolução Comunista da Rússia produziu no Brasil outras importantes influências: 

"Acho que principalmente nos meios sindical e político. Em sentido mais amplo do que o meramente partidário, há essa influência ideológica. O célebre historiador inglês Eric Hobsbawm escreveu um livro cujo subtítulo é 'O Breve Século 20', porque ele considera que o século 20, na verdade, começou com a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa e terminou com a desagregação da União Soviética."

Assim, segundo o historiador britânico, nas palavras do Professor Ângelo Segrillo, "a experiência soviética balizou o século 20 porque foi o contraponto ao capitalismo. Esse embate entre o capitalismo e o socialismo soviético praticamente balizou a História do século 20, segundo Hobsbawm. E aqui no Brasil também isso foi fundamental, não apenas na política, também na cultura. Há toda uma série de escritores, artistas. Essa foi uma influência muito grande. No mundo como um todo, como Hobsbawm colocou, a experiência soviética, o socialismo em geral balizou a existência do Brasil e do mundo ao longo do século 20".

No Sputinik
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Xadrez do elo desconhecido entre Temer e Yunes


Qual a razão do primeiro amigo de Michel Temer, José Yunes, ter entrado em pânico, quando seu nome apareceu em delação de executivo da Odebrecht, a ponto de procurar o Ministério Público Federal para uma delação sem sentido.

A jornalistas, Yunes disse que lhe foi solicitado por Elizeu Padilha – Ministro-Chefe licenciado da Casa Civil – que recebesse “documentos” em seu escritório. Os tais “documentos”, na verdade, eram propinas pagas pela Odebrecht e levadas até ele pelo notório doleiro Lúcio Funaro.

Aos jornalistas, Yunes declarou ter sido apanhado de surpresa. E, assim que se deu conta do ocorrido, procurou o amigo Temer, que o acalmou.

Ao MPF, declarou que nada disse a Temer.

De sua parte, Temer mandou informar os jornais que exigirá explicações de Padilha.

O que está por trás dessa dança dos lobos, tão desesperada e tão sem nexo?

Dias atrás o grupo Anonymous divulgou um pacote de documentos sobre negócios de Yunes, Temer e outros sócios.

No primeiro artigo da série, mostramos que a principal suspeita levantada – a associação de Yunes com grandes bilionários – na verdade era uma sociedade para um condomínio a ser construído na Bahia.

Vamos, agora, à parte perigosa revelada pelos documentos, ajudado por comentaristas do Blog que passaram informações centrais para fechar a narrativa.

Peça 1 – as diversas formas de lavagem de dinheiro

Por que interessa conhecer os negócios de José Yunes, o primeiro amigo?

Primeiro, porque, após a delação do executivo da Odebrecht, descobriu-se que ele participava dos esquemas de captação de recursos de Michel Temer.

Depois, porque um dos modus operandi de muitos políticos é o de receberem no exterior, através de depósitos em fundos de investimento com aparência de legalidade. Em vez de contas convencionais em países estrangeiros, fundos de investimento através dos quais entram no Brasil como investimento externo.

De certo modo, é o caso de José Serra, conforme esmiuçado por Amaury Ribeiro Jr no livro “A privataria tucana”.

O fundo de investimentos de sua filha Verônica acumulou um patrimônio significativo. Em pelo menos um caso, sabe-se que foi utilizado para troca de favores com empresas.

Foi o caso da Serasa Experian, que, no final do mandato de Serra como governador de São Paulo, ganhou de graça o Cadin estadual (Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais).

Assim que Serra deixou o governo, Verônica intermediou para a Serasa-Experian a venda de um site de e-mail marketing, a Virid. Na época, o mercado avaliava o preço em no máximo R$ 30 milhões. A Experian pagou R$ 104 milhões. Empresa de capital aberto na Bolsa de Londres, manteve o valor da transação em sigilo. Para todos os efeitos, foi um lucro legalizado do fundo de investimentos de Verônica.

Sérgio Machado tinha investimentos no exterior, através de um filho que era alto funcionário do Credit Suisse – e, ao que consta, foi sacrificado pela gula do pai e do irmão político.

Portanto, há uma probabilidade de que as empresas de Yunes possam ter servido para abrigar recursos políticos captados por Temer.

Não faltará paraíso fiscal no purgatório político em que se meteu Yunes, caso os Anjos Gabriel do Ministério Público Federal resolvam investigar a sério.

O dossiê disponibilizado pelo grupo Anonymous na Internet traz algumas pistas que precisam ser bem investigadas, das empresas dos Yunes.

Peça 2 – o Banco Pine

Aqui, aí se chega no elo desconhecido, o Banco Pine, ou Fist Pinebank, Inc, ou FPB.

O Banco Pine é o sucessor do BMC (Banco Mercantil de Crédito), da família Pinheiro, do Ceará, de três irmãos, Norberto, Nelson e Jaime Pinheiro, que chegaram a montar um banco médio, bem-sucedido. Assim como outros bancos cearenses, especializou-se em AROs (Antecipação de Receita Orçamentária) para prefeituras e em crédito consignado para funcionários públicos.

Depois, o banco foi vendido por R$ 800 milhões ao Bradesco e, de suas entranhas nasceu em 1997 o Banco Pine, brasileiro, o First Pinebank que, depois de uma passagem turbulenta pelos Estados Unidos, tornou-se um banco panamenho; e a BR Partners, uma associação de Ângela Pinheiro, filha do patriarca Jaime Pinheiro, com Ricardo Lacerda, ex-presidente da Goldman Sachs do Brasil.

Aqui, começa nosso pequeno quebra-cabeça:

Em 2005, o nome do Pine Bank já apareceu associado ao doleiro Toninho Barcelona, no escândalo do Banestado (https://goo.gl/wQh4dq)

Em julho passado, a Lava Jato já tinha batido no Pine (https://goo.gl/opDxOv), através da Operação Caça-Fantasmas, da 32a fase. Identificou o FPB Banc Inc – àquela altura, um banco panamenho, mas de propriedade de Nelson Pinheiro, um dos três irmãos sócios do BMC-, o PKB da Suiça e o Carregosa, de Portugal, suspeitos de montarem representações clandestinas para clientes interessados em abrir contas em paraísos fiscais. Outro nome que apareceu no FPB foi o de Eduardo Rosa Pinheiro, também a família Pinheiro.

A suspeita da Lava Jato é que esse esquema teria sido usado por doleiros e operadores de propina para esconder o dinheiro da corrupção da Petrobras e de outras empresas públicas, investigadas pelas operações Lava Jato, Custo Brasil, Saqueador e Recebedor.

Os bancos tinham ligação direta com a Mossak Fonseca. A Polícia Federal e o MPF pediram prisão preventiva dos funcionários do banco, mas o juiz Sérgio Moro permitiu apenas condução coercitiva. Alegou que as evidências levantadas pela Lava Jato apenas apontavam atuação clandestina no país.


Assim como na batida na Mossak Fonseca, quando se constatou que não havia pistas que levassem a Lula – mas a alguns bilionários influentes -, abafou-se a investigação e manteve-se em sigilo as descobertas.

Mas outros países atuaram. No dia 10 de fevereiro de 2017, menos de duas semanas atrás, a Superintendência Bancária do Panamá suspendeu a licença de corretagem do Pine Bank, a partir de informações levantadas pela Lava Jato (https://goo.gl/KYF0gc). No Panamá, era um banco pequeno, com US$ 134 milhões em depósitos e apenas US$ 13 milhões de capitalização declarada,

Constatou-se que o banco recorria apenas à Serasa para analisar sua carteira de clientes, em vez de colocar relatórios reais das empresas. Além disso, a FPB tinha montado 44 empresas através dos escritórios da Mossak Fonseca, provavelmente para desviar dinheiro de suborno.

Os jornais do Panamá apontavam o fato do site do banco não informar nada sobre seus proprietários e acionistas. Sabia-se apenas que o banco pertencia a uma família de empresas debaixo do guarda-chuva de Brickell Group.

O jornal Panama News anotava que o FBK tinha um presidente de nome Eduardo Pinheiro, um gerente geral chamado José Palucci e um convidado especial para a inauguração da sede, de nome Mailson da Nóbrega.

O jornal levantou o nome da consultoria Brickell Management Services Inc, de Miami, com apenas 6 funcionários. E constatou que Pine Bank foi acusado pelo FED de violar vários pontos da lei anti-lavagem de capitais, tendo encerrado as operações nos Estados Unidos. Segundo o jornal, “propriedade anônima, gestão aparentemente ausente – um banco estranho para se fazer negócios, exceto se houver algum priopósito especial”.

Peça 3 – os negócios da família Yunes

Ao longo das últimas décadas, a família de José Yunes expandiu seus negócios por vários setores. Aparentemente, tem dois filhos bastantes empreendedores, dos quais Marcos Mariz de Oliveira Yunes é o que fica à frente dos negócios.

A principal empresa do grupo é a Yuny.

Trata-se de uma grande incorporadora criada em 1996 (https://goo.gl/9iirmz). Em 2007 recebeu aporte de R$ 700 milhões do Golden Tree Insite Partners. Pode ser coincidência de nomes, mas há uma Golden Tree Insite Partners no Reino Unido (https://goo.gl/0WddPa) que em 2010 foi declarada insolvente.

Mais tarde, a VR tornou-se sócia da Yuny. Hoje em dia, do Conselho participam Abraham  Szajman e Ury Rabinowitz, este alto funcionário da Brasil Telecom nos tempos de Daniel Dantas – em princípio, significa apenas que é um executivo requisitado. Depois, montou uma joint-venture com a Econ Construtora, a Atua Construtora, para imóveis de baixa renda.

No grupo, há outras empresas menos transparentes.

Uma delas é a Stargate do Brasil Estética de Produtos e Serviços

Criada em 30 de abril de 2007, é sociedade de José Yunes com Arlito Caires dos Santos. No Google, consegue-se chegar próximo com um Carlito Aires dos Santos – trocando o C do sobrenome para o nome, empresário mato-grossense de Peixoto de Azevedo, cuja empresa foi aberta em 20 de março de 2015 (https://goo.gl/lv7cpF).

Por sua vez, a Stargate é sócia da Golden Star, Serviços e Participações Ltda. Aparentemente, a intenção da sociedade foi a aquisição dos bens do panamenho Kamal Mohan Mukhi Mirpuri por Gilberto Pereira de Brito. O endereço de Kamal remete às proximidades do Trump International Hotel em Colon, Panamá. Kamal é proprietário da Multitrade Export Ltda, do Panamá.

Não é o único elo panamenho na nossa história, como se viu no caso do PInebank.

Peça 4 – as ligações do Pine com os Yunes

Como já se viu, o Banco Pine foi apontado como um dos canais para o dinheiro da corrupção das empresas investigadas pela Lava Jato.

Em outros tempos, uma das maneiras de “esquentar” dinheiro frio, depositado fora do país, era através de uma operação cruzada. O investidor depositava seus dólares nas agências externas do banco; e elas serviam de garantias para empréstimos que eram concedidos, aqui, para empresas controladas por ele. Foi assim com o Banco Excel, de um membro da família Safra, que chegou a adquirir a massa falida do Econômico, mas quebrou quando a apreciação do real promoveu o descasamento das garantias externas com os financiamentos internos.

No dossiê do Anonymous são inúmeras as evidências de ligações comerciais do Pine com as empresas dos Yunes, particularmente com a incorporadora Yuny.

Em setembro de 2010, a Atua Construtora e Incorporadora convoca AGE para autorizar a contratação de financiamento de R$ 5 milhões junto ao Banco Pine.


Em dezembro de 2011, outra AGE  para autorizá-la a tomar mais R$ 5 milhões com o Pine


Em 18 de julho de 2013, outros R$ 5 milhões (ou renovação do crédito rotativo) novamente junto ao Pine.


Peça 5 – os negócios de Temer com Yunes

Os caminhos de Michel Temer, da família Pinheiro, do Banco Pine e da incorporadora Yuny se cruzam em vários imóveis de Michel Temer e de sua holding Tabapuã.

Edifício Lugano

Temer tem duas unidades no edifício Lugano, na rua Pedroso Alvarenga 900, uma construção luxuosa com conjuntos comerciais de 102 a 202 m2.


A incorporadora é a Yuny, dos Yunes.

Spazio Faria Lima

Temer possui duas salas no edifício na rua Iguatemi  (https://goo.gl/4XecSC), com escritórios que vão de 350 a 700 m2. Na região, escritórios de 350 m2 custam de R$ 3,5 a R$ 7 milhões.

Trata-se de uma obra faustosa também da Yuny.


Em 23 de maio de 2011, transferiu para a Tabaupã, empresa que tem em sociedade com a filha Luciana.


Quem aluga o escritório é Andréa Pinheiros, da BR Partners, e uma das herdeiras do banco Pine, filha de Jaime Pinheiro, o patriarca.

Conclusão do jogo

Tem-se, então, todas as peças do jogo:

1.     O melhor amigo do presidente, José Yunes,  participava dos processos de arrecadação de propinas das empresas investigadas pela Lava Jato

2.      As empresas de Yunes tinham financiamento farto com o Banco Pine, da família Pinheiro, envolvido com os escândalos da Lava Jato, fechado nos Estados Unidos por acusação de lavagem de dinheiro e, há duas semanas, fechado tambem no Panamá.

3.     Temer com grandes investimentos em projetos da Yuny, a incorporadora da família Yunes, convidando o patriarca José Yunes para assessor especial..

Dificilmente toda essa movimentação passaria despercebida pela Lava Jato, ainda mais depois de invadir os escritórios da Mossak Fonseca e ter identificado o papel do Pine Bank.

Um dia se saberá ao certo a razão de terem segurado essas informações.

Luís Nassif
No GGN
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26 de fev de 2017

Olhar sobre o lado de lá: a tempestade para Temer


Todos diziam que a revelação das delações da Odebrecht seriam um vendaval sobre o governo.

Ela (ainda) não veio, mas os ventos que a antecedem fizeram estragos evidentes no acampamento golpista, mesmo com a safra de notícias empurrando um “tout va bien, Madame La Marquise” da recuperação econômica, com um superavit das contas públicas visivelmente inflado e um desemprego que infla a cada mês.

O campo da política, porém, vai despencando com acontecimentos que surpreendem, não por incoerentes, mas por formarem um conjunto de “coincidências” , ainda que inesperadas.

O início do mês foi “bem”: a fácil eleição de Rodrigo Maia, a confirmação de Eunício Oliveira no Senado e, sobretudo, a dupla submissão política do Supremo (alguém notou como Cármem Lúcia “desapareceu”?) com a confirmação da investidura de Moreira Franco no foro privilegiado, digo, no Ministério e a aceitação do jurista de manual (e tacape) Alexandre de Moraes.

Já vinha chegando o recesso do Carnaval e veio o terremoto: renúncia de José Serra; recusa de Carlos Velloso em assumir a Justiça; a indicação de Omar Serraglio para o posto, um personagem que nem assumiu e está manietado por seu passado “cunhista” e, finalmente, o mirabolante episódio da “Mula do Eliseu”, que atira sobre todos uma história inteiramente inverossímil que trouxe um personagem infame – Lúcio Funaro – que estava  restrito a Eduardo Cunha para dentro das belas colunas do Palácio do Planalto.

E, com ele entrando, a licença médica providencial mas aparentemente eterna, do articulador político que restava a Temer, desde que Geddel foi derrubado pelas inconfidências de Antonio Calero.

Até a inefável Eliane Cantanhêde, em sua coluna de hoje no Estadão, reconhece:

De repente, às vésperas do carnaval, altas personalidades da República ficaram doentes ou reclamaram de doenças incapacitantes e foram saindo de fininho tanto do governo quanto de um excesso de exposição nada recomendável numa hora em que o melhor é ficar transparente, perdido no meio da multidão. Durante as campanhas, “olhem para mim!”. Atualmente, “esqueçam de mim!”.

Aqui e ali, nos blocos de carnaval, ressurgiu um “Fora Temer ” que andava sumido. No campo da extrema-direita, há uma “bateção de cabeça” entre os grupos atucanados e o crescente bolsonarismo coxinha, que vai ao ponto de levantar a bandeira alucinada do ex-capitão do “armas para todos”. O ato do dia 26 de março tem menos adesão e mais brigas, cujo símbolo é o “barraco” Reinaldo Azevedo x Joyce ex-Veja Hasselman. O sempre marqueteiro Dória diz que não, mas é mais um que quer subir para os altos poleiros onde os grandes tucanos se bicam.

E a necessidade de “estancar a sangria” da Lava Jato e encontrar uma maneira de soltar Eduardo Cunha, antes que se lhe destrave a língua totalmente reduz as esperanças que se possa levar em frente, sem limites, a perseguição a Lula: afinal, as evidências da seletividade vão ser um mais escandalosas do que já são, inclusive lá fora.

O governo não está liquidado por uma única razão: o poder de controle de Michel Temer sobre o Congresso ainda parece ser suficiente para que entregue a encomenda que dele se espera: a reforma da previdência, o pacote  no qual o capital financeiro o quer de mula.

Se faltar-lhe força para entregar, foi-se.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A bolinha de papel do Serra


Faz parte do consenso civilizatório o respeito ao sofrimento alheio. Ainda que a turba raivosa, que tomou conta das ruas, vomitou indignação e exigiu a deposição da Presidenta Dilma Rousseff, não tenha seguido essa regra e as redes sociais tenham virado parques de diversões de ensandecidos a desancarem sobre o luto de Lula, devemos nos compadecer da suposta indisposição de José Serra, que, pelo que contam as colunas entendidas da imprensa comercial, fartou-se de ser chanceler.

Nos últimos tempos, o semblante desolado de Serra evocou o clima de fim de campanha eleitoral com perspectiva de derrota. Não há como não associá-lo ao episódio da bolinha de papel jogada em sua testa na caminhada em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010. Depois de receber instruções pelo celular, simulou ter sido atingido por uma pedra e tentou inflar o episódio para posar de vítima de um atentado. Até um neurologista entrou em cena, para atestar a gravidade da lesão. E, ao final, peritos deram o veredicto: fora só uma bolinha de papel! A montanha parira um camundongo.

Pois é, lembram-se da advertência dos pais aos filhos, para deixarem de mentir ou de pedir socorro quando dele não carecem? Se faltarem uma vez com a verdade, perderão credibilidade e talvez não sejam socorridos em apuros.

É o caso de José Serra. Pode até estar doente, coitado. Não devemos brincar com isso. Afora desumana, nada se ganha com essa atitude. Mas, que fica uma pulga, melhor, uma cigarra atrás da orelha, ah, isso não tem como evitar.

José Serra é o típico ator desse "coiso" que costumam chamar de governo. Um governo só de fato, porque, além de seu chefete não ter sido eleito para ser presidente, age em desacordo com o programa da chapa vitoriosa da qual participou e, em sádica afronta aos eleitores, faz de tudo que lhes possa causar repugnância.

José Serra é um puxa-saco do Tio Sam e não consegue nem um pouquinho de atenção da equipe de Trump. Se esmerou tanto para receber sua atenção (depois de apostar suas fichas na candidata adversária, Hillary Clinton), que deu de graça um pedaço do território nacional, a base de lançamento espacial de Alcântara, onde os ianques terão uma alternativa para Guantánamo, caso queiram prender supostos terroristas fora do território americano. Em tempos de suruba nas instituições públicas, talvez imaginasse que Alcântara funcionasse como uma espécie de unguento KY, para facilitar as coisas...

Em nove meses à frente da Secretaria de Estado, sua política para a América Latina foi um desastre. Não sobrou pedra sobre pedra da liderança regional do Brasil. O condutor da diplomacia brasileira preferiu portar-se como um "rowdy", um menino brigão, hostilizando vizinhos por conta de suas opções políticas.

Desfazendo alianças estratégicas tão custosamente montadas nos treze anos de governos democráticos, fez do Brasil um anão na política global. Não teve planos para os BRICS e calou um projeto promissor de aliança sustentável e contra-hegemônica.

Nada soube fazer com o comércio exterior, nova área temática da sua pasta. À cata de mercados para escoar seu trigo, a Rússia oferece menos da metade do preço praticado pelos americanos, nosso maior fornecedor. Em contrapartida, dispõe-se a importar lotes enormes de carne brasileira. O MRE de Serra deixou as autoridades russas a ver navios. Nessa semana, elas fecharam negócio com o México.

Em regiões conflituadas como o Oriente Médio, o Brasil da "política externa ativa e altiva" (Celso Amorim) faz hoje o papel de espectador desinteressado, apesar de ostentar na sua composição demográfica a maior diáspora árabe do mundo. Vários países da região estão dispostos a aumentar seu volume de negócios com o Brasil. Necessitam urgentemente de acordos de bitributação, para facilitar o fluxo de capitais. Mas o MRE de Serra não deu um passo.

Serra preferiu falar grosso com os amigos tradicionais. Perdeu os ativos conquistados nos anos anteriores sem agregar nada de novo. É um triste balanço. Dessa vez, a farsa da bolinha de papel esconde a profunda incompetência e inoperância de José Serra, travestidas de inapetência. Nesse cenário, é bom que se vá. Seria bom que levasse o "coiso" junto! O Brasil só tem a ganhar ou, melhor, a perder menos do que já perdeu.

Wadih Damous
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Janta com o diabo

Todo fim de ano o diabo recebe um pequeno grupo para jantar no que chama de sua anticobertura, um duplex no último subsolo do inferno, escolhendo entre as almas condenadas as mais interessantes e de melhor papo. Os pratos são sempre grelhados, e o vinho é de produção local, marca Diabo, mas o principal é que todos se divertem, falando mal de Deus e todo o mundo. Mas, ultimamente, a questão de quem merece e quem não merece estar no inferno vem sendo muito discutida nos jantares, e as queixas dos que se acham injustiçados por estarem lá se multiplicam.

O diabo tenta cortar os lamurientos da sua lista de convidados, mas não pode prescindir da presença de Oscar Wilde, um dos seus comensais favoritos, apesar das suas constantes críticas à comida, à companhia e à ausência de ar-condicionado, e que foi quem primeiro expressou sua revolta. E o diabo já sabe que, em breve, estará enfrentando uma verdadeira rebelião de almas pedindo revisão de sentença e perdão retroativo. E que seus jantares nunca mais serão os mesmos.

Tudo começou quando Wilde, fazendo uma cara feia depois de provar o vinho, comentou como estavam se tornando comuns, na Terra, o casamento entre homosexuais.

— Eu fui preso, execrado e excomungado por ser homossexual — disse Wilde. — Se fosse hoje, em vez de condenado e exilado, eu poderia ser, sei lá, um conselheiro matrimonial. Não faz muito, a mesma Igreja Anglicana que me mandou para cá ordenou um bispo gay. O que é que eu estou fazendo aqui?

O diabo tentou mudar de assunto, mas Wilde continuou:

— Me transfira para o céu, D. Nada pessoal contra você, mas aposto que o vinho lá é melhor. Sem falar no clima.

Não adiantou o diabo argumentar que nem ele nem Deus são senhores dos tempos, que mudam, ou da justiça divina, que não tem apelação. Wilde só prometeu epigramas cada vez mais pesados, mas o diabo se prepara para a gritaria dos indignados do inferno.

Como os que foram mandados para o inferno por usura, no tempo em que era pecado. E — como gosta de lembrar o diabo, com um sorriso malicioso — a Igreja ainda não inventara o purgatório justamente para acomodar os usurários, pois, sem eles, não haveria empréstimo a juros, bancos e sistemas financeiros. Hoje a usura não só é o que faz o capitalismo rodar, como é o capitalismo financeiro que manda no mundo. E, principalmente, não é mais pecado, pois os juros não são mais uma abominação aos olhos do Senhor, e até a Igreja tem bancos. E os condenados por usura no inferno perguntam se não têm direito à mesma respeitabilidade conquistada pelos banqueiros, que hoje enriquecem em vida sem o risco das suas almas penarem na morte, e à absolvição.

Ou pelo menos a um upgrade para o purgatório.

Luís Fernando Veríssimo
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Jayme Caetano Braun - Brasil Doente (Payada)

 Ainda atual 


O mestre Jayme Caetano Braun analisa criticamente a situação brasileira no contexto da década de 70/80, em programa transmitido ao vivo pela Rádio Guaíba de Porto Alegre, em 1984. Lembrando que esta payada* foi feita de improviso.

*Pajada ou Payada é uma forma de poesia improvisada vigente na Argentina, no Uruguai, no sul do Brasil e no Chile (onde chama-se Paya). É uma forma de repente em estrofes de 10 versos, de redondilha maior e rima ABBAACCDDC, com o acompanhamento de violão.

A pajada remonta os romances e quadras medievais e renascentistas, trazidos pelos povoadores europeus e adaptadas as tematicas campeiras.
A Pajada está presente no sul da América desde quando as fronteiras eram imprecisas, o que impossibilita dar uma nacionalidade ao gênero artístico.

No sul do Brasil, as pajadas são cantadas em versos em Décima Espinela, no estilo recitado com acompanhamento musical de um músico de apoio, normalmente em milonga.


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Danilo Gentili terá de explicar acusação a Lula na Justiça

Por decisão em segunda instância do Tribunal de Justiça de São Paulo, humorista terá que justificar de onde tirou a informação que Lula “forjou um ataque (à bomba, na sede de seu Instituto) para sair de vítima”, ou será responsabilizado pela declaração


Nesta sexta-feira (24), o Instituto Lula divulgou que uma decisão em segunda instância do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o humorista Danilo Gentili justifique formalmente uma mensagem publicada por ele nas redes sociais em 2015, em que afirmou que Lula “forjou um ataque (à bomba, na sede do Instituto) para sair de vítima”.

“Agora que a Justiça ordenou que Gentili explique de onde tirou a informação que eventualmente sustente sua acusação, caso ele não consiga explicar, será processado por difamação. Se condenado, a pena será de três meses a um ano de detenção”, explicou a entidade.

Confira a íntegra da decisão clicando aqui.

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E se?

Os pais do Hitler teriam sido aconselhados a levá-lo para uma consulta com Sigmund Freud, presumivelmente para curá-lo daquela compulsão de dominar o bairro. Não houve a consulta, Hitler cresceu sem tratamento e o resto é História.

A descoberta do quase encontro e das suas possíveis consequências, se for verdadeira, toca na questão da importância do sujeito na História. Uma questão que se torna atual e premente com a eleição do Trump nos Estados Unidos. Até que ponto decisões pessoais, personalidades - e neuroses - determinam os acontecimentos, até que ponto uma lógica impessoal rege o comportamento de líderes e rebeldes, que só são seus instrumentos? A História teria sido diferente sem Hitler, ou com um Hitler no poder, mas tratado por Freud?

A ideia do nazismo como uma anomalia patológica, como coisa de loucos, é uma ficção conveniente que absolve o pensamento cristão europeu de direita da sua cumplicidade. Mas a ideia de um determinismo neutro, independente de qualquer escolha moral, também é assustadora. Precisamos de vilões mais do que de heróis, de culpados muito mais do que de inocentes. Nem que seja só para preservar o autorrespeito da espécie.

Karl Kraus escreveu que a Viena do começo do século era o campo de provas da destruição do mundo. A derrocada do império austro-húngaro foi o fim de um certo mundo, mas acho que Kraus quis dizer mais do que isso. Para ele, as revoluções do pensamento postas em movimento na Viena da sua época trariam o fim do longo dia do humanismo europeu que durara desde a Renascença, e este século restauraria a idade das trevas.

O encontro que não houve entre o intelectual judeu que radicalizou o estudo da consciência e o homem que quis eliminar as duas coisas, o judeu e a consciência, da História simboliza esse prenúncio, ou essa intuição de Kraus, sobre o século. Seria fatalmente o século do desencontro entre as duas formas de modernidade, a que liberava o pensamento pela investigação científica e a que o aprisionava pelo mito do estado científico, necessariamente totalitário.

A questão é até onde coisas vagas como o clima intelectual de uma cidade ou clínicas como a maluquice de alguém influenciam a História, ou até que ponto uma boa terapia pediátrica teria evitado o Holocausto. O materialismo histórico rejeita a ideia de sujeitos regendo a História e marxistas ortodoxos reagem a qualquer sugestão de que as ideias justas venham de um discernimento moral inato, que seria coisa de burguês alienado. E como os neoliberais nos dizem que o mercado não é ético nem aético, é apenas inevitável, a História como um relato de mocinhos providenciais em guerra com bandidos doentes sobra para a literatura, ou essa categoria de ficção sentimental que é a História convencional. Gostamos de pensar que é a iniciativa humana que move a História, e que o seu objetivo, mesmo que tarde, seja moral e justo, e que ela tenha uma cara e uma biografia.

A História feita por indivíduos tem o atrativo adicional da conjetura criativa, de infindáveis variações sobre o “se”. O que teria acontecido se Napoleão tivesse se contentado em ser instrutor de tiro ou se os pais de Stalin nunca tivessem se encontrado, ou Trump tivesse se contentado em ser apenas um empresário? E se Freud tivesse recomendado a Hitler dedicar-se à pintura?

Luís Fernando Veríssimo
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Com 'risco' de ampliar alvos, Lava Jato enrolou para prender lobista-mor

Jato lerdo é mais uma originalidade da produção nacional. Como o nome sugere, criada nos laboratórios da Lava Jato, que também deu (com a colaboração de peessedebistas) muitas provas da eficácia do invento. Sujeita, no entanto, a frequentes contestações. Todas, é verdade, relegadas ao descaso, que é a vala comum reservada aos argumentos e evidências inconvenientes ao poder. Por acaso ou por contingências incontornáveis, porém, a criação de repente se autodenuncia.

Detidos nos Estados Unidos, os brasileiros Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, entram na Lava Jato com rapidez, em relação ao pedido do juiz Sérgio Moro de que fossem localizados pela Interpol. Já a Lava Jato levou quase três anos até dar aos dois a atenção que trabalharam muito para merecer. Não é que fossem desconhecidos ou mal conhecidos dos coletores de delações. Bem ao contrário. Já o delator dos delatores, Paulo Roberto Costa, apontou-lhes o dedo ainda no início de sua nova e logo bem sucedida carreira.

Além disso, Jorge Luz tem dezenas de anos de serviço e de respeito no seu meio profissional, pela extensão da sua área de operações e pelo domínio das técnicas de sua especialidade –lobby e intermediação de negócios ilícitos. Em particular, nas fraudes em concorrências públicas. Jorge Luz – um nome fácil de guardar para sempre – está na ativa desde os tempos da ditadura.

Experiência e memória extensos demais para um plano de ação com jatos concentrados em área delimitada. Quem vem de longe passa pelos anos 80 e 90, não só pelos de 2000. Lembrança puxa lembrança, uma citação desavisada, um nome referido só como ilustração – e pronto, está extrapolada a delimitação. Um risco.

Jorge Luz e sua atividade baixaram ao limbo. Mesmo que, depois de Paulo Roberto, outros o mencionassem lá por 2014. Mas só em janeiro deste ano lhe chegaram sinais de perigo, levando-o ao encontro do filho já morador de Miami.

Jorge Luz não pôde escapar da Lava Jato. Mas a Lava Jato não pôde escapar de Jorge Luz.

Purezas

Além da embaralhada acusação de José Yunes, portador da credencial de "amigo de Temer", e da cirurgia que substitui o Carnaval pela próstata, o ministro Eliseu Padilha foi posto sob processo na Comissão de Ética da Presidência. Essa finalidade declarada no nome e a localização idem já se desentendem. Mas processar Padilha por dizer, em público, que uma pessoa eminente foi preterida, para ministro da Saúde, por necessidade de nomear alguém do PP – isso não é processo: é gaiatice. Primeiro, por ser público que os governos trocam ministérios por votos na Câmara e no Senado; depois, por que seria preferível uma resposta mentirosa?

O Supremo considerou nepotismo a nomeação, pelo prefeito Crivella, de seu filho para um cargo na Casa Civil.

Feita a primeira eleição direta de governadores, ainda na ditadura que começava a ruir, o admirável Franco Montoro nomeou um filho para o seu gabinete de governador paulista. Foi forte a reação de imprensa/TV. Até a última vez em que nos vimos, ele não esquecera que argumentei a favor da nomeação, afinal mantida.

Um parente sério, competente e responsável não pode ser depreciado por ser parente, o que em muitos casos nem escolheu.

Supô-lo mero aproveitador é injusto e insultuoso. Para quem nomeia, um auxiliar competente e de tamanha confiança está mais do que justificado.

A correção do exagero para um lado não é o exagero para o outro.

Janio de Freitas
No fAlha
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O primeiro amigo Yunes, a holding Maraú e o encontro dos bilionários


O dossiê  distribuído pelo Anonymous, com informações sobre supostos negócios entre o presidente Michel Temer e o primeiro amigo José Yunes é composto por 30 documentos, entre PDFs e Words, basicamente registros na Junta Comercial e em paraísos fiscais.

Versam sobre uma infinidade de holdings e off-shores, algumas delas com os mesmos sócios, outras entrelaçando-se nas relações societárias, algumas soltas sem que, de cara, se possa montar alguma ligação maior.

Como é um quebra-cabeça extremamente complexo, vamos desbastando pelas bordas para ver onde chega. Pode não chegar a nenhum lugar, mas pode chegar a paragens interessantes.

As holdings que surgem da papelada são as seguintes:


Greystone, Shadowscape e Yuni Co são offshores instaladas em paraísos fiscais.

A holding principal é a Marau Administração de Bens e Participaçoes Ltda que contém sócios do clube dos bilionários brasileiros.

O objeto da sociedade é amplo: aquisição e alienação de bens imóveis, realização de estudos, planejamento, incorporações e participação em empreendimentos imobiliários em geral , administração de bens, participação em outras sociedades, com objeto relacionado a empreendimentos imobiliários ou empreendimentos em geral, na condição de cotista, acionista, consorciada ou de qualquer outra forma, bem como a realização de quaisquer outras operações que se relacionem, direta ou indiretamente, com seu objeto social. E ainda terá por objeto a exploração de atividade agrícola ou extrativa.

Entre os sócios participam (ou participaram as seguintes pessoas físicas e jurídicas:


Vamos a um pefil rápido deles:

Alba Maria Juaçaba Esteve Pinheiro e Andrea Capelo Pinheiro – pertencem à família cearense que controlou o banco BMC – que teve relativo sucesso no início dos anos 90.

Alberto Dominguez Von Ihering Azevedo – é um dos três sócios da fábrica de roupas esportivas Track & Field e mais uma dezena de empreendimentos industriais e imobiliários.

Jean-Marc Roberto Nogueira Baptista Etlin – presidente da CVC Partners e vice-presidente do Itaú- BBA.

Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho – o Tuta, dono da Jovem Pan.

José Roberto Marinho – um dos herdeiros das Organizações Globo.

Construter Participações Ltda – de Rodrigo e Michel Terpins, herdeiros das Lojas Mariza.

Christopher Andrew Mouravieff-Apostol – irmão do banqueiro Roger Wright, tragicamente falecido perto de Troncoso – caiu o seu avião matando 14 membros da sua família, todos os filhos e netos. Sua parte foi assumida pela mãe, que morava na Suiça. Depois de sua morte, pelo irmão Christopher. Roger participou do Banco Garantia, do Credit Suisse e, no final, tinha a Arsenal, de investimentos.

Agnes Leopardi Gonçalves – sócia de Lg Office Manager Servicos Administrativos Ltda – ME e da Sao Sebastiao Vii Az Administracao de Bens e Participacoes Ltda., empresa da família Yunes.

Lúcia de Carvalho Lins – não consegui maiores informações.

(É LUCILA Carvalho Lins a que falta identificar — Falecida esposa de Roger Wright - http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,ERT75198-15228,00.html)

Marcos Mariz de Oliveira Yunes – filho de José Yunes e executivo de um sem-número de empresas. Pelo sobrenome, é parente do criminalista Antônio Mariz de Oliveira, também na lista dos amigos pessoais de Temer.

Luiz Terepins – ex-presidente da Eternit, tem empresas do setor têxtil e de construções e presidiu a Bienal de São Paulo.

YS Marau Projeto Imobiliário Ltda – Do Grupo José Yunes.

Shadowscape Corporation – aí começa a entrar na zona cinza. Praticamente todos os sócios da Maraú são também sócios da Shadowscape. Por seu lado, entre as empresas controladas pela Shadowscape estão a própria Marau e a São Sebastião V Administração de Bens. Era registrada nas Ilhas Virgens, paraiso fiscal, pela Greystoke Trus Co, escritório especializado em montar offshores. Na documentação, aparece como controlada pela  Greystone First Nominees Limited (https://goo.gl/LVXG7Z) que, por sua vez, aparece como controladora de fundos de investimento em várias partes do mundo, em uma teia típica de processos de lavagem de dinheiro.


Por hoje, ficamos por aqui.

É possível que os investidores da Maraú tenham se reunido em torno de um investimento imobiliário específico. Ou não. Vamos ver como as demais investigações prosseguem.

Luís Nassif
No GGN
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25 de fev de 2017

Fim de Temer está mais próximo


A providencial cirurgia na próstata anunciada por Eliseu Padilha, 24 horas depois de ter sido denunciado pelo amigo presidencial José Yunes como destinatário de uma mala de dinheiro, confirma que o fim de Michel Temer está próximo.

Por mais que seja possível insistir na coreografia — e Brasília já viu muitos espetáculos semelhantes — o governo acabou esta manhã.

A versão de que Padilha afasta-se do governo por razões médicas não merece credibilidade. A história inteira é outra.

Antes do depoimento de José Yunes vir a público, o chefe da Casa Civil seguia em sua vida normal de ministro e grande manda-chuva do Palácio. Por exemplo. Até agora, o ministro possuía uma agenda normal às suas atividades. Tinha compromissos marcados até para a quarta-feira de cinzas, cinco dias depois da entrevista do amigo do Temer que o acusou. Um deles envolvia uma audiência com empresários e sindicalistas envolvidos no debate sobre conteúdo local nos investimentos do pré-sal. Agora, está cuidando da próstata.

Sem Padilha, a solidão política de Temer chega ao nível da calamidade.

No final de novembro, no escândalo envolvendo uma cobertura milionária em Salvador, o outro amigo, Geddel Vieira Lima, já havia deixado a Secretaria de Governo.

Juntos há muitos anos, até há pouco eles formavam um trio azeitado, os verdadeiros chefes do grupo político que assumiu o Planalto após o golpe que derrubou Dilma.

Eram os protagonistas no centro das grandes decisões, aqueles com a palavra final nos assuntos graves e fundamentais — inclusive nomear e demitir.   

Funcionavam assim desde o governo Fernando Henrique Cardoso, que deixou o Planalto em janeiro 2003, isto é, quatorze anos atrás. Em suas memórias FHC emprega a expressão "cheirando mal" para se referir a movimentos de Padilha — sempre em companhia de Temer e Geddel — para emplacar  um ministério, que, afinal, acabou conseguindo.  

Olhando para o futuro próximo, basta recordar que as delações da Odebrecht ainda não saíram do forno. Ainda podemos aguardar pela Camargo Correa, OAS, para imaginar o que aguarda a última ponta do triângulo.  

Por enquanto, basta lembrar que o próprio Yunes acertou o peito de Temer ao revelar — empregando uma estranha linguagem de traficantes de drogas — que tinha informado ao presidente que havia atuado como "mula" a serviço do chefe da Casa Civil.

Neste ambiente, a saída de Temer caminha para se tornar uma necessidade prática antes de se tornar um clamor nacional. Pode ser fruto de um ato de renúncia, voluntário e unilateral, possível a qualquer momento.

Outra hipótese é o julgamento pelo TSE. No inferno em que se transformou o governo, a cassação do mandato de Michel Temer será um favor.

Neste momento, o debate sobre a sucessão antecipada de Temer ganha corpo e velocidade.

Há uma operação vergonhosa em andamento. Depois de desrespeitar a Constituição quando isso era conveniente a seus interesses, as forças que articularam a derrubada de Dilma tentarão  esconder-se atrás da Carta de 1988 para operar um pleito indireto, num Congresso que o suíço Eduardo Cunha montou. Com isso, manterão o povo, mais uma vez, longe do direito de opinar sobre os destinos do país. Também será possível tentar algum lance de mágica para mudar o cenário atual para 2018, assim descrito na Folha de S. Paulo, edição de hoje, pelo insuspeito Reinaldo Azevedo: "as nuvens que se armam ameaçam jogar o país, mais uma vez, no colo das esquerdas. Tudo o mais constante (...), é ao encontro delas que marchamos."

Não é uma boa ideia. Só ajuda a criar tumultos desnecessários e incertezas. A solução — urgente — consiste em retomar o debate sobre a emenda que o obriga a realização de diretas-já, unica forma para o país recuperar a democracia.

Paulo Moreira Leite
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