4 de jan de 2017

Será mesmo que a esquerda está morrendo? A História responde a essa questão

Ronald Reagan montado num velociraptor
É estritamente natural que a supremacia de um lado provoque uma reação no oposto (a Terceira Lei de Newton está aí para não me deixar mentir).

E no espectro político não poderia ser diferente…

Benito Mussolini e Adolf Hitler
tentaram frear o avanço do socialismo
soviético na Europa.
Em 1917, quando a Revolução Bolchevique triunfou na União Soviética, como resposta nasce o fascismo na Itália, em 1922 e, por conseguinte, o nazismo na Alemanha, em 1933.

Pouco depois dos guerrilheiros do Movimento 26 de Julho (M-26-7) realizarem a Revolução Cubana — que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista — proclamando a independência de Cuba em face dos EUA, o imperialismo estadunidense deu início a uma série de destituições de governos progressistas na América do Sul. Seguindo tendência já acolhida no Paraguai, ditadores militares assumiram os lugares de João Goulart (Brasil), Arturo Illia (Argentina), Víctor Paz Estenssoro (Bolívia) e Salvador Allende (Chile). Tais tiranias proliferaram até o Uruguai, perdurando-se até o início dos anos 90, na qualidade de aliados na luta contra o comunismo.

Após o fracasso desse modelo ditatorial, uma onda progressista tomou a América Latina a partir de 1999. Hugo Chávez (Venezuela) e Fidel Castro (Cuba) contaram com a coadjuvação de Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Daniel Ortega (Nicarágua) para constituírem a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (ALBA), na qual, posteriormente alinharam-se: o casal Kirschner (Argentina); Fernando Lugo (Paraguai); Lula e Dilma Rousseff (Brasil); Tabaré Vázquez e Pepe Mujica (Uruguai); Michelle Bachelet (Chile), Mauricio Funes (El Salvador) e Manuel Zelaya (Honduras).

Hoje, a onda conservadora que nos assola é, justamente, o reflexo dessa “década dourada da esquerda”, a qual representou uma “ameaça vermelha” para o lado avesso do espectro político. Em 2009, o presidente hondurenho Zelaya já tinha sido tirado à força de sua casa e deportado à Costa Rica. Mais recentemente, em 2012, menos de 48 horas foram necessárias para o congresso paraguaio votar pelo impeachment relâmpago de Lugo. Ambos casos remetem à queda de Dilma no Brasil, pois todos eles culminaram na instalação de governos neoliberais em comutação, rumo ao que já havia sido tomado pela Argentina com a eleição de Mauricio Macri, porém via pleito democrático — processo distinto ao dos demais episódios.


Logo, conclui-se que a ideologia do medo e a demonização do outro (frequentes nos dias atuais) foram responsáveis por fomentar o ódio da polarização política que deu origem ao embrião dos regimes mais nefastos da história. Portanto, toda cautela nesse momento é pouca, para evitar que, mais uma vez, o futuro repita um sombrio passado.

Atualmente, também vem sendo bastante disseminada a tese de que a eleição de Donald Trump nos EUA é fruto dessa derrocada “esquerdista”. No entanto, essa hipótese desconsidera o discurso protecionista do republicano, o qual demonstra que sua vitória representa, na verdade, o mal-estar causado pela globalização e pelo neoliberalismo.

Ademais, a propensão de Trump pela provocação pode fazer o movimento progressista renascer na região. Pois, se o futuro presidente estadunidense tentar restaurar uma estratégia hegemônica na América Latina, com um tom e estilo agressivos, uma nova reação será instigada no território, não apenas nos países de esquerda, e isso pode levar ao surgimento de novos líderes socialistas, sociais-democratas e desenvolvimentistas no continente. O presidente equatoriano Rafael Correa considerou em outubro que a chegada de Trump seria “melhor para a América Latina”, lembrando que a rejeição à administração de George Bush permitiu “a chegada de governos progressistas” durante seu mandato (2001-2009).

De fato, dois fatores foram determinantes para esse recente enfraquecimento da esquerda: a queda dos preços das commodities que sustentaram esses governos e o recorrente desejo instintivo de mudança. Essa é a realidade. No mais, transições fazem parte de processos naturais e também da alternância de poder da democracia representativa. A história funciona dentro de ciclos e constantes transformações.

Fontes:

• AFP – Esquerda latina derrotada encara o futuro sem Fidel e com Trump

• UFG – Populismo e neopopulismo na América Latina: o seu legado nos partidos e na cultura política

• UFJF – O Neopopulismo na América do Sul

• Revista Espaço Acadêmico –  Sobre Chávez, Morales e Obrador.


• UFRGS – Populismo e neopopulismo na América Latina: o seu legado nos partidos e na cultura política

Luan Toja
No Voyager

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