17 de jan de 2017

Seis por 100 milhões. A balança da concentração de renda no Brasil


Ontem, divulgou-se o cálculo com base nos dados da Forbes e do Credit Suisse sobre a concentração de renda no mundo.

A oito pessoas mais ricas tinham a mesma riqueza que metade da humanidade – 3,6 bilhões de pessoas – somadas.

Hoje o UOL publica, como os mesmos dados, o resultado da conta em terras tupiniquins.

Os seis mais ricos têm o mesmo que metade dos brasileiros, somados.

Uma desigualdade brutal, estúpida, intolerável, medieval.

Mas há um dado na reportagem do UOL que talvez ajude a esclarecer o que estamos vivendo hoje.

Entre 2001 e 2012 a renda do sexteto e de seus companheiros nos 10% mais ricos cresceu.

Mas a renda dos 0% mais pobres da população brasileira aumentou em uma taxa  mais alta.

Isto, sim, é inadmissível.

Se não tivéssemos parado com isso, onde íamos chegar? Na civilização?

Veja a matéria do UOL:

Os seis homens mais ricos do Brasil concentram a mesma riqueza que toda a metade mais pobre da população do país (mais de 100 milhões de brasileiros), segundo o relatório da ONG Oxfam divulgado nesta semana.

A ONG britânica de assistência social e combate à pobreza usa como base levantamentos sobre bilionários da revista “Forbes” e dados sobre a riqueza no mundo de um relatório do banco Credit Suisse.

De acordo com a “Forbes”, as seis pessoas mais ricas do Brasil são:

Jorge Paulo Lemann, sócio da Ambev (dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica) e dono de marcas como Budweiser, Burger King e Heinz

Joseph Safra, dono do banco Safra

Marcel Herrmann Telles, sócio da Ambev e dono de marcas como Budweiser, Burger King e Heinz

Carlos Alberto Sicupira, sócio da Ambev e dono de marcas como Budweiser, Burger King e Heinz

Eduardo Saverin, cofundador do Facebook

João Roberto Marinho, herdeiro do grupo Globo

A fortuna somada desses seis empresários era de US$ 79,8 bilhões (cerca de R$ 258 bilhões) em 2016, de acordo com a “Forbes”.

Na sexta posição entre os mais ricos do país, João Roberto Marinho aparece empatado com seus dois irmãos, José Roberto Marinho e Roberto Irineu Marinho, com patrimônio estimado em R$ 13,92 bilhões cada um. Se fosse considerado o patrimônio dos três irmãos juntos, a desigualdade seria ainda maior, segundo a Oxfam.

Melhora entre 2001 e 2012

No caso do Brasil, a ONG afirma que os salários dos 10% mais pobres da população brasileira aumentaram mais que os salários pagos aos 10% mais ricos entre 2001 e 2012.

“Em muitos países em desenvolvimento nos quais as disparidades salariais estão crescendo, a diferença de remuneração entre trabalhadores com diferentes habilidades e níveis de formação é um grande impulsionador da desigualdade”, diz o relatório da Oxfam, intitulado “Uma economia para 99%”.

Desigualdade é semelhante no mundo

A desigualdade é praticamente a mesma no cenário global. No mundo, apenas oito bilionários acumulam a mesma quantidade de dinheiro que a metade mais pobre da população do planeta, ou seja, 3,6 bilhões de pessoas juntas, segundo a ONG.

Entre os oito mais ricos do mundo estão o cofundador da Microsoft Bill Gates, o dono da rede de moda Zara, Amancio Ortega, e o cofundador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg.

Fernando Brito
No Tijolaço

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